Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
Mesmo criando leis, não impedimos aqueles que querem fazer o mal, focamos em sobrevivência e bem estar. Como se manter seguro num ambiente de controle psíquico que nos induz a nossos instintos mais primitivos pela sobrevivência?
Quero a sutileza que separa o sensual do vulgar, contemplar a existência com os olhos de quem olha por dentro. Me desmistificar de tentativas de decifrar o indecifrável. Admirei o horizonte como quem vê o inalcançável, plantar a semente, regar e colher seus frutos durante toda minha vida, sonhar com o dia que não precisarei almejar, tudo já me pertence em algum lugar. Destroços no jardim ao redor do pomar. Linhas presas aos meus membros me movimentam no ar. Só quero respirar, beber a água que vem do céu, sorrir com facilidade como quem rasga uma folha de papel. Suportar a dor como quem deseja resistir. Se eu fosse Deus começaria tudo de novo.
A técnica é o meio que possibilita o sucesso, quando a lógica se esgota, não como um meio final mas como um complemento que permeia todo o processo.
Não espere muito dos outros, muito menos de você mesmo, ademais, nunca espere, e sim, faça acontecer.
A loucura já arrastava lentamente cada grão de incerteza que havia em consoante do eu próprio. Diante perfeita escuridão tão longínqua fazia luz o sorriso próximo da própria alma. Pois diante os infinitos pequenos pedaços do tempo, nem mesmo tal eternidade daria fim ao caos que trazia tamanha e bela felicidade. E de tantos fins, inefável era o sentimento ilustre de afinidade com o raro e incomum senso de libertação, não do externo, mas de si mesmo. De tudo que restou, fazia-me completo em meu ser a crescente inexistência de tudo que já não havia mais razão, e dessa forma, veio-me a tão simples e singular plenitude que transcendia o real valor da vida, a incompletude.
