Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
Se eu fosse racional o tempo todo, não me arriscaria. É preciso pôr a mão no fogo pra vivenciar o amor.
Nego-me a mudar quem eu sou para me encaixar em um padrão imposto pela sociedade, ireifazer ela mudar para aceitar quem eu sou de verdade.
Ouço ruídos do que vejo, são retirados que ouço. Torço pra que de agosto a agosto eu faça o que é preciso.
Só você me compreende, me desmente e quebra minha corrente; você que me orienta, me instiga, renascemos logo após a briga; sou seu servo, seu tempo, nosso amor é a essência do eterno que descrevo.
não suporto todo esse barulho, ver todo esse entulho, sou fruto de tudo, sistemas, algemas, seremos um quando morrermos, falam pra mim o que querem de mim? só sou eu quando nada me afeta, tudo que me orienta também me condena, vivemos uma eterna repetição a cada vida, sou uma entre quantas escolhidas, frases que me guiavam, no carrossel de emoções verdades e miragens.
Me deixa chorar minhas mágoas, preciso escrever sem regras, dizer sem pregas e amarras, foram trincheiras, encostas, na fossa mais escura eu me encontrava, alegria de estar com você mais um momento, entre entraves e frases, oásis que sega, preenche o vazio das bordas até o centro.
E se a solução fosse pular de um prédio para acabar com o tédio? Não aguento mais trabalhar, prefiro morrer. Me disseram que isso faz enobrecer, mas só perco o meu tempo, eu quero viver, se eu fosse Deus recriaria a realidade a minha imagem e semelhança.
