Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
O maior troféu do herói é ser lembrado depois da morte, é isso que eles chamam de viver pela eternidade.
É fácil sorrir quando se está tudo bem, impossível é reverter oirreversível; diante da tempestade, ancorar seu navio no paraíso; olhar pra traz e ver que tudo que passou tem um sentido; me alimento com isso: amor, imaginação e uma dose artifício.
Segundos, minutos, horas… vida que vai passando; pensamentos compõem o mundo - a beleza e o absurdo - o grito em um sussurro; sentir, é dar o braço a torcer pela felicidade: é tentar escapar da cidade; vida, são necessidades! No mundo, o que mais tem é vaidade, sou mais um refém da imagem.
Nossa existência é efêmera neste mundo, ao mesmo tempo que existe a possibilidade de se manter vivo depois da morte através do próprio legado.
Quem foi infectado pela poesia não deseja ser curado. Antes lúcido entorpecido pela substância, do que são reprimido e manipulado.
O sábio vê além dos fatos, ele busca entender o porque dos acontecimentos. O sábio vai além dos livros ou pensamentos já existentes, ele aprende com tudo que vive no agora - é um pensamento vivo - expansivo, transmutativo que compreende o cosmos e age em prol de sua harmonia.
Regressar ao passado pode ser um recomeço ou uma sessão de tortura, análise ou reprise, acúmulo de lembranças ou aprendizado, o que impede de viver ou o que ensina como fazer. Ó lembranças, será que tu libertas ou acorrentas a vida? Será que tu é mais real que o futuro que a mente imagina? Enfim, meu corpo vive confinado no presente, enquanto a mente se liberta pelo tempo. Ou será que seria ao contrário?
