Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
O mundo dos homens nos coloca uma faca no pescoço e nos obriga a amar o dinheiro. Quem se habilita à enfrentar é engolido pela onda do mar da ignorância.
Sou água viva observando cardumes em direção a rede. Entre estrelas e cavalos marinhos, procuro sentido na existência do ser que habita tudo que existe nestas águas tempestuosas necessitando de calma. Haveria um sentido a ser seguido, sentido este que tenho perseguido todos os dias da minha vida; já não vejo mais objetivo para à existência, a não ser: descobrir porque ela existe.
Cansei de viver por mim mesmo em uma existência vazia, agora vivo pelo meu verdadeiro corpo que é o universo.
Quebrei as amarras do mundo sensível, tudo o que penso vem do mundo das formas perfeitas. Lá o amor é o maior valor, a matéria uma casca e o objetivo pessoal: a felicidade de todos.
Perdemos todos esses dias vividos sem entender o porque estamos vivos. Criamos uma realidade para passar o tempo. Nosso maior mistério é a nossa maior tarefa.
Se eu pudesse escrever O Livro da Vida, escreveria que as pessoas estão criando consciência de quem realmente são. Perderam a concepção de estarem separados e que os os corpos nada mais são que uma realidade criada pela consciência do Ser.
Tudo neste mundo tem um motivo, este momento vivido é precioso, muito mais do que a mente humana possa imaginar.
A filosofia me levou a questionar Deus que era minha única certeza, fui cético ao ponto de perceber que foi isso que ele quis.
Rompi os limites do incompreensível. Administrei a vida sabiamente; me vi com o ego e ele na minha mão; olhei com os olhos de quem vê a verdade nas entrelinhas: de quem respira o sentimento de clareza, que se derrete no amor da tristeza. Frente a versos a beleza fria e quente de um tom rosado que mostra a beleza da natureza, o sol que toca a atmosfera nessa esfera solitária onde Deus habita no centro da alma.
Vou do céu a Terra para firmar meu compromisso com a vida. Lembrar de quando era criança com a mente pura, a essência que é perdida num mundo de alegorias; fixo no crucifixo de quem serve de amuleto, sou o anjo caído expulso do paraíso por querer saber a verdade.
