Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
Deus não criou os animais para que os padecemos explorar, ele criou a inteligência do homem para que os pudesse amar.
Deus transplantou sua consciência na mente do sábio e sua ignorância na mente do tolo para que pudéssemos contemplar o máximo de sua perfeição.
São horas e mais horas que se vão, dinheiro nenhum compra de volta a vida que se esvai de nossas mãos.
Eu vi um senhor grisalho e milionário que daria tudo que tem pra ter a mocidade de seus funcionários.
Foi do prazer de se entreter que percebi o meu vazio. Afastei quem me amava por um momento de embriaguez. Encontrei minha lucidez naquilo que eu mais desprezei. Francamente, não preciso me provar pra ninguém. É tudo uma questão de ser prestativo pra alguém. Cada um com suas loucuras, quem é que pode submeter a maioria a um padrão de viver? Tratamento por tratamento, educação por educação. Somos reflexos da interpretação. Reciprocidade é a chave, a intenção é o fluxo, o pensamento a janela que nos permite entender.
Se tudo é questão de escolha, quem nos ensina a escolher? Quem teve a humildade e dignidade de escrever o manual que nos ensina a viver? Sei lá, a vida repetida da rotina contrasta com o preço de nossas feridas. É que foi na dor que valorizamos o amor. É tão fácil compreender o que nos compõem, mas é mais atrativo o prazer que objetos dispõem. Somos uma mistura de sensações. Biologia com química e suas reações. Estrelas e planetas dentro de constelações.
No palco, com a minha performance, peço gentilmente aos ilusionistas que, reflitam sobre seus espetáculos perante a plateia.
Marco Aurélio antes disse: "A melhor maneira de se vencer um inimigo é não se assimilar a ele", mas eu digo: "A verdadeira forma de vencer é não se assimilar e também se tornar o completo oposto do que ele espera que você se torne".
