Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
... a razão
do viver não se resume
a uma busca desenfreada
por nossa felicidade - contudo,
em perceber-se útil - visto que,
vem desse senso de utilidade
o que nos possibilita
habitualmente
felizes!
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
(...) Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
O fim
Indo e vindo, desgastando e abandonando displicentemente mas sem querer abandonar por completo,
coração vadio, carente das sombras, mesmo sem ser notado na rotação certa buscava o consolo insignificante naquele amor vazio,
na história contada do irrelevante, o invisível é a estrela protagonista,
coração doente, soberba em exposição, correria da razão, fuga dos sentimentos,
morre mais um amor inocente.
O invejoso é o autor dos seus desacertos, do seu inconformismo, da sua própria infelicidade, da sua desgraça.
A ave Siriema é uma predadora nata do bicho Cobra. Deveria, também, ser predadora das "Cobras Humanas". Prestaria um grande serviço ao nosso Planeta!
Não posso agradar a todos, única coisa que posso fazer é ser verdadeiro, ser eu mesmo, quem aceitar vai está ao meu lado e vai conhecer minha verdadeira face, quem não aceitar... vá em buscar de pessoas perfeitas e conhecerão a falsidade.
Prefiro ser o que sou para poucos o tempo todo do que ser aquilo que todos querem que eu seja por um instante.
Não é o meu mundo, este das luzes falsas e dos risos vazios, das felicidades ensaiadas e conversas sem alma, onde a inveja semeia competições vãs e a arrogância se ergue. Procuro o simples e genuíno, onde o ser é mais que o parecer, em harmonia com a verdade no olhar e luz na alma.
"Melhor é ouvir a repreensão de um verdadeiro amigo, do que receber elogios dos que usam de falsidade."
A harmonia do corpo e da alma... Nós, na nossa cegueira, separamos estas duas coisas para inventar um realismo vulgar e uma idealidade vazia!
Plante semente por semente e certamente com o tempo terá um lindo jardim. Mas é preciso ter fé, plantar, regar e esperar cuidando sempre.
