Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
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A literatura é uma barbearia cheia de navalhas.
A única coisa que aprendi nessa vida foi tropeçar.
Domingo e sua cara de Rimbaud atravessando o deserto mancando.
Poeta mora de favor na casa do lirismo.
Tudo dorme menos rancor de poeta desprezado por editoras e putas. Fico longe de caras do tipo. São tumores querendo enegrecer pulmão alheio.
Você tenta ocultar, mas a literatura sangra.
Depois de um tempo você percebe que escrever é abraçar a si mesmo. Literatura é remédio para solidão.
Eu já fui aquele cara que comprava vinte fichas e falava “eu te amo” no orelhão.
Poeta é aquele cara romântico que fica um bom tempo sem comer ninguém.
O problema não é ser feio e sem grana. O problema é ser sem prosa e poesia.
O primeiro mandamento do leitor é saber identificar um mercenário de um escritor.
No meu mundo todo mundo tenta ganhar a vida escrevendo poesia.
Este corcel 77 parado na Praça Roberto Piva sou eu em outra encarnação.
Poeta é o técnico de áudio que transforma barulho de amor em silêncio.
Poesia para outros é poesia de beira de estrada. Você escreve poesia para outros, mas dentro de ti nunca vingou um verso íntimo.
Algumas mulheres vivem na esperança de se tornar um poema na sua memória.
Você é réu confesso de feridas esquecidas quando escreve.
A solidão me fez um escritor campeão de frases ocas.
Ausência é coletânea de silêncios.
Escrever é tatuar fantasmas.