Soneto Amor Impossivel
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras. Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida.
Nota: Trecho do texto "Sentir-se amado".
Eu canto sobre o amor, e se as pessoas interpretam isso como sexo, é problema delas. Eu nunca uso palavrões como alguns dos rapper. Eu amo e respeito o trabalho deles, mas eu acho que tenho muito respeito pelos pais, mães e pessoas idosas. Se eu fizesse uma canção com palavrões e visse uma senhora na platéia, eu ficaria envergonhado.
O amor é cuidado em um peito ocioso, pejo no moço, vergonha na virgem, na mulher furor, no homem fogo e no velho riso.
Através da vidraça os olhos já não alcançam
o horizonte em detalhes acinzentados,
descortina-se lá fora a visão da liberdade,
embora ali dentro existam braços acorrentados
Sobre a mesa simples a louça especial,
ornando com a toalha de renda branca e linda,
tingida por pétalas de flores caídas,
apenas lembranças, outra tarde quase finda...
O corpo transpirou e quase dormente
deixou agitar o coração em desarmonia,
n'alma os sonhos, aos poucos, sucumbiram...
Percebeu grande vazio, tão de repente !
flutuando nesse escuro vácuo de agonia,
ao amor que se ausentou, lágrimas surgiram...
Aos encantos vindos de ti me apego
Embebido à sombra de teu carinho
Certo de não mais estar sozinho
E se for preciso do mundo abnego
De súbito na vida me acho cego
Ao ver surgir a ti novo caminho
Restando-me a tristeza que carrego
Assim o jasmim se exibe espinho
É o destino agindo fora de hora
Um alerta agudo no peito que arde
E de repente te vejo ir embora
Dar valor ao que se tem é pura arte
Ante o adeus que surge cedo ou tarde
Porque na vida toda pessoa parte
A TERCEIRA LÁGRIMA
Se o homem destemido jamais chora
Eu digo que até Deus pode chorar
Pois já que tudo pode, a qualquer hora
Pode também, sentido, lacrimar.
Pois vi, num rosto, a fome da criança
Carente, solitária, numa praça
Todo amargor, toda desesperança
Daquela vida só, fria, sem jaça.
Seus olhos eram vozes a implorar
Era um espelho, a angústia em seu olhar
A refletir, dolente, os olhos meus.
Sem entender o senso do destino
Vi merejar nos olhos do menino
Plácida e triste a lágrima de Deus!
Oldney Lopes©
ESPADA E FLOR
As palavras, ditosas e benditas,
São também como espadas ou navalhas
Podem ser as derrotas nas batalhas
Ou grande trunfo quando não são ditas
Cultivar o silêncio como flor
E cuidar de calar mais que dizer
Resulta triunfar mais que sofrer
Confere mais alívio do que dor
O silêncio é uma jóia preciosa
Sutil como uma pétala de rosa
Mas firme nas contendas mais renhidas
Assim se escolhe entre ter gáudio ou dor:
Ser do silêncio seu amo e senhor
Ou servo das palavras proferidas!
Oldney Lopes©
CRIVO
Não meça a vida pela duração
Em anos, meses, dias ou em horas
Mas pela intensidade em cada ação
Que faz do seu viver soma de "agoras"
Pois resta após as voltas dos ponteiros
Da ampulheta esgotada toda a areia
O que se produziu pelos canteiros
Plantios, sementeiras e colheitas
Perceba que em essência amor é vida
E o tempo cronológico é um crivo
Que faz a vida em vão se esvaecer
Então abane o pó, sopre a ferida
Tente viver bem mais do que estar vivo
Cuide de amar bem mais do que viver
Oldney Lopes ©
SAUDADE
Saudade, é só você que me acompanha
Persegue, alcança e fica e me atormenta
Parece ardil, ou sutil artimanha
Chegar febril, permanecer cruenta
Saudade, a dor que queima na memória
Impinge ardor, aflige e ensandece
Maltrata e açoita como palmatória
Golpe após golpe, o peito em pranto e prece
Saudade, o corpo sente e a alma chora
Cheia de ausência, plena de vazio
Tormenta que transborda até o mar
Saudade inunde o tempo, afogue o agora
Pois tudo passa, um dia vem o estio
E então você também irá passar!
Oldney Lopes ©
A VOZ DO TEU OLHAR
Sou um sagaz leitor dos olhos teus
Se usas das palavras como escudo
Trazes na fala a pez de densos breus
E pondo-te calada diz-me tudo
Sei ler o que não dizes, quando falas
Ouço o que calas, pelo teu olhar
Não derrames a voz então nas valas
Das tentativas vãs de te explicar
Entre teu doce olhar e a voz aguda
Enxergo em tua fala uma alma muda
Escuto em teu olhar a voz da fada
Na voz improdutiva, o olhar é lavra:
Dizes no olhar bem mais que mil palavras
Com mil palavras não me dizes nada!
Oldney Lopes©
Sob a Via Láctea,
Vou te beijar intensamente.
Vou te beijar e beijar e beijar,
E vamos dançar... até o anoitecer.
E vamos dançar... e dançar e dançar,
Tocando a nossa música preferida.
Ouvir "Sixpence None" a noite toda,
Vou te beijar... e beijar e beijar.
Até os vagalumes vão dançar,
Sob a fenda lunar,
Que para nós está mais brilhante!
E vamos nos beijar, dançar e cantar,
Lua abençoando-nos nesta loucura,
Do soneto que canto à tua ternura!
Aos pais ausentes.
Feliz Dia dos Pais, aos presentes.
A voz do meu pai.
A voz do meu pai, hoje é em tons de recordação
Aglutinadas na falta do eco de tua presença
Em suspiros de tua toada rija, suave fustão
Que acariciaram e fremiram em defensa
O quanto lidaram, e dos justos a tua razão
Velho pai, a tua voz jaze na lástima intensa
Nas lembranças agonia acridoce no coração
E, no entardecer do cerrado, a renascença
Pois havia na tua voz sim e também não
Que agora na vida nos dá a recompensa
Do teu jeito forte e para sempre lição
Tal contra o vento árido, a nostalgia prensa
A tua voz, levada como folhas da estação
E na saudade, uma eterna saudade imensa.
DE POESIA EU PRECISO
De poesia é o que eu preciso
Da tua quimera e mais nada
Galgar a rota de sua escada
Sem vestir-se do ser narciso
A poesia é muito mais amada
Prazer d'alma, pouco ao juízo
Volteios de ilusão no paraíso
Da ficção, com lira misturada
Só preciso de poesia, teu guizo
Inspiração, silêncio, a tua pitada
Cheios de acordes e improviso
Poesia é tal qual uma estrada
Do fado vendado e impreciso
Que nasce da faúlha inspirada
(de poesia eu preciso!...)
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
CHEIRO DE CERRADO
Quando a alvorada chegou, eu fui a janela
Sentei-me. O horizonte abriu, a vida arfava
Eu, ao vento, atraído, a essa hora admirava
E estaquei, vendo-a esplendorosa e bela
Era o cerrado, era a diversidade em fava
Céu róseo um mimo! A arder como vela
De pureza singela tal qual uma donzela
Que hipnotizava a alma, eu, observava
Então me perdi no perfume que exalava
O olhar velava com pasmo e com tutela
Aí, hauri toda a essência que fulgurava
E agora, fugaz, lembrando ainda dela
Sinto o cheiro, que na memória trava
Da alvorada do cerrado vista da janela
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
novembro
a nuvem de chuva está prenha
a lua na noite longa enche de luz
novembro, aos ventos, ordenha
amareladas folhas que nos seduz
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
novembro de 2016
Cerrado goiano
A linguagem das flores
Existimos porque nascemos
Espalhados pelos campos;
Outras no nascer das estufas;
Outras a ceder lugar as frutas!
Ora no desabrochar do dia;
Ora no aconchego da noite,
Entre um enfeite de alegria;
Ou luto num leito de morte!
Perdida no árido deserto;
A crescer sob léu ermo,
Nosso destino é incerto!
Porém! Somos sempre a flor!
Símbolo de um... - Eu te amo!
Tristes na dor e felizes no amor!
Encanto animal
As coisas do não sei
Surpreende com encanto
Outras vezes com espanto!
Coisas que fazem! Pensei:
Tanto melhor ser bem,
Ser original, verdadeiro!
Para que se perderem
Em ser desordeiro?
Maldade não serve
Pra bicho, nem gente,
Nem sei pra que existe!
Não compreendo o mal
De gente querer ser tal
Muito melhor ser anima!
Mantos, mentos, mintos e montos: são muitos
Eu sou feita de
pensa-mentos
Senti-mentos
Descontenta-mentos
Descobri-mentos
Conheci-mentos
Desaponta-mentos
Escondo tudo isso debaixo dos meus mantos,
mas não minto, só omito,
deles me visto, não me dispo.
Só aos prantos, me desmonto.
