Somos Passaros de uma Asamario Quintana
Há no ambiente um murmúrio de queixume,
De desejos de amor, d'ais comprimidos...
Uma ternura esparsa de balidos,
Sente-se esmorecer como um perfume.
As madressilvas murcham nos silvados
E o aroma que exalam pelo espaço,
Tem delíquios de gozo e de cansaço,
Nervosos, femininos, delicados,
Sentem-se espasmos, agonias d'ave,
Inapreensíveis, mínimas, serenas...
Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas,
O meu olhar no teu olhar suave.
As tuas mãos tão brancas d'anemia...
Os teus olhos tão meigos de tristeza...
É este enlanguescer da natureza,
Este vago sofrer do fim do dia.
SEM PÉ NEM CABEÇA
Sou
ligeiramente louca
uma espécie
de ser
errante
uma
desinciplopédia
falante!
Não
me preocupa
a falta
de sentido
vivo
num elo
perdido!
Ainda
ontem eu me
joguei da janela
do terceiro andar
Nada melhor
do que
a vontade
de voar!
Hoje
eu espero o elevador
perdido
entre
os andares
de baixo
quem sabe
se neste
poema desconexo
finalmente
eu me
encaixo?
Ela era a Mulher Maravilha!
Tinha tudo o que uma heroína deveria ter: Fé, coragem e uma força incrível que derrubava todos os obstáculos que a bandida da vida fazia questão de colocar em seu caminho!
Menina, não pensa demais!
Para com esta coisa de ser sempre tão certinha!
Sabe a vida?
Ela é uma descompensada, uma doida varrida, que adora gente louca!
Se você passar o tempo todo sentadinha num pedestal, a vida não vai perdoar, e vai te botar num tédio danado, numa historinha triste de dar dó!
Não é pecado ser feliz de vez em quando... Mas é um pecado imperdoável, não ser feliz jamais!
tudo pode ser uma ironia...
suas coisas minhas coisas...
tudo que me servi é meu
mesmo que seja seu...
depois para que você precisa disso...
se nem usa eu tenho direitos sobre você.
Eu acho que cada um de nós sai do útero com uma forma única de ver o mundo e se não a expressarmos, perdemos a fé em nós mesmos.
O Inferno dos Inquietos
O ser é livre em sua inquietação de desabrochar uma flor
De ser um simples amador contemporâneo do seu cotidiano
Que expõe as suas noites mal adormecidas em pinturas e escrituras
Que destrancam pássaros de prisões e corações trancados dentro de porões
Que condena as suas aflições
O ser humano que não és humano, és apenas ser de sua espécie
Um humano incompleto do mundo e de todo o universo
Que condena a mente para a prisão perpétua do inferno
Rasgando a alma e purificando a áurea desconhecida
Que se esgota de lágrimas e gritos de melancolia de uma jovem menina
O ser deslocado-se de cada espaço do mundo
Traído pelo silêncio de um infinito sem fim
Apodado com padrões e estenótipos dos homens não pensantes
Caminhando-se na estrada do universo dos pobres homens e mulheres
Que pensam em riqueza sem serem nobres e fiéis a sua raiz
Que vomitam esnobações e aberrações de si mesmos
Porém, esquecem que a alma grita depois de rir
A inquietação aflige depois de sorrir como simples apagão
Depois de subir mais um degrau da escada de pensamentos
Que lhes condenam na prisão da inquietação do espírito
Em cada último suspiro saído de dentro de cada indivíduo.
Não perco tempo explicando loucuras, algumas misturam dão certo uma vez, se tentarmos de novo não acertaríamos a fórmula.
