Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve

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DECEPÇÕES

Não sei porque acontece desse jeito
Sempre que gosto de corpo e alma
Quando declaro meu amor com respeito
Logo surgem decepcoes e trauma
E me jogam sem vida no meu leito.
Não tenho mais vontade nem coragem
Para enfrentar uma nova estrada
Vou abandonar este meu coração
Numa esquina onde não exista nada
Não sentir o abandono nem traição .
Tô cansado desta sina do destino
Toda vez que me entrego de verdade
Sinto como um abandonado menino
Que sangra com tamanha maldade
E no fim como o badalar de um sino
Caio no balaio onde me rasgo de saudade !

JOÃO BATISTA BARBOSA
MIMOSO DO SUL ES
POESIA

É quando no choro da sanfona
Corpos se lançam no salão
Mâos enlaçam as cinturas
Girando na pegada de paixão .
Gotas de suor pingam pelo chão
No compasso e batida do coração .
Quem estava antes sozinho
Agora desfila abraçadinho
O sorriso dança com alegria
E o forró embala até raiar o dia .
Quem antes estava carente
Brinca e brinda tão contente
Nessa onda lábios buscam pelo beijo
Na musica provocando os desejos.
Cowbois desfilam de todo jeito
De boné ou com chapelâo
A poeira esparrama no salão
A música envolvendo de emoção ...
Enquanto corpos remetem na cadência
O jeito faceiro que se destaca com paciência
E uma nova fase enlaça na sequência ...
O amor flutua na ginga do rebolado
O presente todo instante virando passado
Envolvendo traços em cada olhar
Perfazendo a busca de querer amar.
As tristezas voam pelo ar
Levadas pela chuva ou luar
Onde o destino retira toda dor
E leva pelos caminhos por onde for...
Assim o tempo vai contando historias
Que guardamos na memória
Para levar sempre adiante
O frenético momento pulsante
Onde ricos, pobres, pretos, brancos
Misturam -se aos trancos e barrancos
Sobrevivendo da maneira como podem
No ritmo dos corpos que sacodem.

POESIA DE
JOAO BATISTA BARBOSA

GORDINHA
Gordinha, que nesse mundo encanta
Chora às vezes porque se espanta
Quando a balança... ah... essa maldita balança!
Mostra o que antes era só lembrança...
Mas ela sobressai, não se enrola
Passa na rua, olha e rebola
Deixa de lado as lágrimas que chora
No peito o amor sempre mora.
Essa gordinha de olhar insinuante
De repente se torna tão falante
Enchendo -se de esperança
A bela forma de uma criança.
Vai gordinha, revelando o seu ser
Que nele existe o meu bem querer
Ame, sonhe... é sua revelação
Não perca o mundo do seu coração
Seu corpo é pura fascinação
Eleva a alma de pura imaginação!

JOÃO BATISTA BARBOSA
MIMOSO DO SUL - ESPÍRITO SANTO

REVELAÇÃO

Noites escuras quando aparecem
Não daquelas quando anoitecem
São nebulosos pesadelos
Que surgem dos nossos medos
Um abalo revira dentro da gente
Como barulho de uma enchente
Nos debruçamos em preces
Lembramos até das quermesses
E caímos assim de joelhos
Implorando por conselhos
Para nos tirar dessa aflição
E tranquilizar nosso coração
Nestas horas surge a oração
Que antes existia a distração
E de repente nessa escuridão
Surge o brilho de revelação
Toma conta o desespero
A vida assim em destempero
Lembramos que através do tempo
Não encontramos nenhum momento
De lembrar Daquele que morreu na cruz
De Jesus que de verdade nos conduz
E nessa hora meio a perdição
Vem o sopro divino como canção
Revelando a certa direção
Através de nosso Senhor Cristo Jesus
Pois somente Ele na imensidão
Nos tira dessas noites escuras
Levando a sentir a forte emoção
Que enche toda nossa vida em Luz!

João Batista Barbosa
Poesia

MUNDO SEM EMOÇÃO

Mundo na retina dos olhos
Vai além dos pensamentos
E quando embora se inclina
Palavras perdem a rima
Quase ninguém tem sentimentos
Parece o congelar das emoções
Quase ninguém sente paixões
Daquelas que rolavam lágrimas
O tempo soprou bem longe
Cheiro bom que antes colorido
Agora nada mais tem sentido
O mundo se perdeu na fonte
Que pulsava coração ardente
Ele fugiu e nem deixou semente
Todas flores do romantismo
Virou buquê sem realismo
Não tem graça nem fantasia
Cessou a doce poesia
O mundo gira sem sentido
O homem assim corrompido
Sem desejos sinceros
Adormece na solidão
Pois que antes havia emoção
Já não existe mais coração!

João Batista Barbosa
Poesias e pensamentos

VIAJANTE ARDENTE!

A emoção que brinda
No momento inesperado
No rompante do instante
Quando menos esperamos!
A sensação de alegria
Misturada com surpresa
Com toda euforia
Inundando sentimentos!
Simplesmente emoções
Que estampam nossa voz
No clarão raiar do dia
No cair da noite fria
Ou quem sabe coincidência
Numa estrela cadente
A tempo de um pedido...
Sou mero viajante
Que num raro instante
Veleja os pensamentos
Numa viagem de magia
Do momento tão freqüente
Pulsando coração ardente
Nesta emoção tão forte
Refaz a vida entre a morte
Da Luz iluminando a mente!

JOÃO BATISTA BARBOSA
Poesias

Quantos acontecimentos que não entendemos, quando estes surgem e repercutem, positivos ou negativos... Mas cabe discernir com sabedoria, tudo que em nossas vidas acontecem, pois como tudo passa e também cada momento vai passar, deixando lembranças, que fortalecem e nos orientam em novos fatos que surgem a todo instante, num ciclo de energias que sempre se renovam, para superarmos cada dia que se torna momento presente para um futuro de grandes conquistas, através das experiências já vividas.
Somos ambulantes passageiros de um mundo onde o tempo avança na esperança de transformações que nos fazem fortes para vencer!

Quando começares a te priorizar, as pessoas ao teu redor vão passar a te odiar.

O Colo do Criador


Quando o cansaço bater à porta e as forças parecerem poucas, feche os olhos e respire fundo. Lembre-se de que você não carrega o mundo nas costas sozinho. Toda a força que você precisa para vencer o dia de hoje vem daquele que te desenhou, te conhece pelo nome e te sustenta a cada amanhecer. O amor divino não falha e não nos abandona nos dias de tempestade; ele é o abraço invisível que nos coloca de pé quando tudo diz para parar. Sinta o amparo sagrado agora mesmo, acalme o coração e confie: quem te criou, te segura pelas mãos.

"O amor divino é o amparo mais seguro: quando a alma se eleva em oração, o coração encontra o descanso que precisa."

Prece de Elevação.


Senhor, que minha alma saiba silenciar para escutar a Tua voz. Quando as minhas pernas fraquejarem, lembra-me de que a Tua força se aperfeiçoa na minha fraqueza. Obrigada por ser o meu escudo, o meu sustento e o meu porto seguro. Que o Teu amor divino preencha cada espaço vazio do meu coração, trazendo o conforto que o mundo não pode dar. Eu sei que fui criada por Ti e para Ti, e é no Teu amparo que encontro a paz verdadei

QUANDO A AFLIÇÃO FECHA ATÉ A PORTA LARGA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A afirmação é profunda. Até mesmo a porta larga, que simboliza as facilidades morais e as ilusões do imediatismo, torna-se inviável diante da aflição verdadeira.
O sofrimento possui uma pedagogia severa. Ele desestrutura as falsas seguranças, dissolve as máscaras sociais e expõe a nudez espiritual do ser. Aquilo que parecia amplo e confortável revela-se estreito e insuficiente quando a dor visita o espírito.
No ensino do Cristo, conforme registrado no Evangelho segundo Mateus 7 13 e 14, a porta larga conduz à perdição. Contudo, quando a aflição se instala, até mesmo esse caminho de ilusões perde sua aparência de viabilidade. O prazer não consola a culpa. A superficialidade não sustenta a consciência inquieta. O orgulho não cura a angústia.
Sob a ótica espírita, segundo a interpretação moral consolidada em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 5, Bem aventurados os aflitos, a dor é instrumento de progresso. Não é punição arbitrária, mas mecanismo de reajuste e esclarecimento. A aflição obriga o espírito a confrontar-se com a própria realidade. Nesse confronto, a porta larga deixa de ser opção plausível, porque o sofrimento exige verdade.
A crise existencial é o grande desmascarador. Ela revela que não há fuga psicológica capaz de suprimir as leis morais que regem a vida. O indivíduo pode tentar evadir se pela distração, pelo poder ou pela negação. Entretanto, quando a aflição é autêntica, essas vias mostram se impotentes.
Nesse sentido, a dor, paradoxalmente, estreita o campo das ilusões e conduz o ser à necessidade da porta estreita. Não por imposição externa, mas por exaustão das alternativas inferiores. O espírito, cansado de enganos, começa a buscar consistência.
A porta larga é possível apenas enquanto a consciência permanece adormecida. A aflição desperta. E, ao despertar, o ser percebe que não pode mais regressar à antiga superficialidade.
A dor fecha caminhos ilusórios para abrir horizontes de maturidade.
E é nesse momento decisivo que o espírito compreende que a única passagem verdadeiramente viável é aquela que conduz à retidão, à responsabilidade e à fidelidade ao Cristo.

O ENIGMA DA VIDA.
A vida, quando interrogada com rigor, não se deixa aprisionar por uma única lente. Ela exige do espírito humano uma travessia entre campos diversos do saber, como se cada disciplina fosse apenas um fragmento de uma verdade maior, ainda velada. Assim, ergue-se este exame como uma conferência de múltiplas vozes, que se entrelaçam até culminarem na síntese consoladora da visão espírita.
Sob a ótica positivista, a vida é observada como fenômeno verificável, circunscrito ao domínio da experiência sensível. O ser humano, reduzido à soma de funções orgânicas, é compreendido como produto de leis naturais imutáveis. Não há mistério, apenas mecanismos. O nascimento e a morte tornam-se eventos biológicos, delimitados por causalidades físicas. Contudo, tal perspectiva, embora meticulosamente ordenada, carece de resposta para as inquietações mais profundas do ser, aquelas que não se medem, mas se sentem.
O materialismo avança ainda mais na redução. Para ele, a consciência não passa de secreção cerebral. Amar, sofrer, sonhar, tudo se dissolve em reações químicas. A vida perde sua transcendência e se torna um episódio efêmero no vasto teatro do acaso. Mas aqui surge uma fissura. Se tudo é matéria, por que o homem aspira ao infinito. Por que chora diante da morte e busca eternizar o que sabe ser transitório.
O musicista, ao contrário, percebe a vida como harmonia. Para ele, existir é vibrar em frequências invisíveis, é compor-se com o ritmo universal. Cada emoção é uma nota, cada experiência uma melodia. A dor, longe de ser um erro, torna-se dissonância necessária para a beleza do conjunto. A vida, então, não é apenas vivida, mas interpretada.
O poetista eleva essa percepção ao campo da linguagem simbólica. A vida torna-se metáfora. Um jardim que floresce e murcha. Um crepúsculo que anuncia tanto o fim quanto o recomeço. O poeta não explica a vida, ele a revela em sua dimensão sensível. Ele intui aquilo que a razão ainda não alcançou.
O romancista, por sua vez, vê a vida como narrativa. Cada indivíduo é personagem de uma trama complexa, onde escolhas, conflitos e redenções se entrelaçam. Não há existência sem enredo, nem sofrimento sem propósito dramático. A vida ganha sentido quando compreendida como história em construção.
O astrônomo ergue os olhos ao céu e contempla a vastidão. Diante das galáxias, a vida humana parece ínfima. Contudo, é justamente essa pequenez que desperta o assombro. Como pode um ser tão diminuto conter em si a capacidade de compreender o cosmos. A vida, nesse olhar, é um ponto de consciência no infinito.
O cientista, fiel ao método, investiga os processos da vida com precisão. Descobre estruturas, decifra códigos, manipula elementos. Mas, ao final de cada descoberta, encontra uma nova pergunta. A vida revela-se inesgotável, como se sempre escapasse ao domínio completo da razão.
O filósofo mergulha no problema do ser. Pergunta-se não apenas o que é a vida, mas por que ela é. Reflete sobre sua finalidade, sua origem, sua essência. A vida torna-se problema ontológico, exigindo não apenas respostas, mas compreensão profunda.
O psicólogo, atento à interioridade, investiga os movimentos da alma humana. Observa conflitos, desejos, traumas, aspirações. Percebe que a vida não é apenas externa, mas profundamente interna. O verdadeiro drama humano ocorre no silêncio do espírito.
Mesmo os transgressores das leis sociais oferecem uma perspectiva. Ao romperem normas, revelam tensões ocultas da sociedade. Sua existência, ainda que desviada, denuncia imperfeições coletivas. A vida, aqui, surge como campo de luta entre ordem e liberdade.
Todas essas visões, embora distintas, apontam para uma incompletude. Cada uma toca uma dimensão da vida, mas nenhuma a esgota. É nesse ponto que se impõe a necessidade de uma síntese mais ampla, que não negue a razão, mas a transcenda.
É então que se ergue a luz da doutrina espírita, codificada por Allan Kardec na obra O Livro dos Espíritos. Ali, a vida deixa de ser enigma insolúvel e passa a ser compreendida como expressão de uma realidade espiritual mais vasta.
Na questão 132, encontra-se uma das respostas mais esclarecedoras. Pergunta-se qual é o objetivo da encarnação dos Espíritos. A resposta é categórica. Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação. Para outros, missão. Em todos os casos, é prova.
Na questão 134, define-se o que é a alma. Um Espírito encarnado. Assim, a vida não é criação da matéria, mas manifestação do Espírito através dela. A matéria torna-se instrumento, não causa.
Na questão 115, afirma-se que os Espíritos foram criados simples e ignorantes, destinados a progredir. A vida, portanto, é caminho evolutivo, não episódio isolado.
Na questão 166, aborda-se a pluralidade das existências. A alma reencarna tantas vezes quantas forem necessárias para seu aperfeiçoamento. A vida atual é apenas um capítulo de uma longa jornada.
Na questão 919, recomenda-se o autoconhecimento como meio de progresso moral. A vida, então, adquire sentido ético. Não basta existir, é preciso transformar-se.
Essas respostas, quando analisadas em conjunto, oferecem uma visão profundamente consoladora. A vida não é acaso, nem castigo sem sentido. Ela é oportunidade. Cada dor carrega um propósito. Cada encontro, uma lição. Cada existência, um degrau na ascensão do Espírito.
A Boa Nova, ensinada pelo Cristo, ressurge aqui como essência dessa compreensão. A vida é amor em movimento. Não se limita ao instante presente, mas se projeta na eternidade do progresso espiritual. Viver bem não é acumular bens, mas cultivar virtudes. Não é dominar o outro, mas compreender-se.
E assim, ao final desta reflexão, o enigma da vida já não se apresenta como abismo, mas como convite.
A vida é escola, é caminho, é reencontro. É lágrima que purifica e esperança que renasce. É silêncio que ensina e voz que consola. É dor que lapida e amor que redime.
E quando o coração humano, cansado de buscar respostas fragmentadas, encontra essa verdade, algo se transforma em seu íntimo.
Já não teme a morte, pois compreende a continuidade. Já não se desespera diante da dor, pois reconhece sua função. Já não se perde no vazio, pois descobre que jamais esteve só.
A vida, afinal, não é um enigma para ser resolvido, mas uma realidade para ser vivida com consciência, dignidade e amor.
E naquele instante em que a alma compreende isso, mesmo em meio às lágrimas, ela sorri, porque enfim percebe que viver é participar de uma obra divina, onde cada sofrimento é semente, cada gesto é eternidade em construção, e cada ser é chamado a tornar-se luz.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

" Quando o sofrimento nasce dentro do próprio lar, quando a frieza brota daqueles que receberam colo, alimento, renúncia e amor, a alma experimenta uma das mais profundas provas morais da existência terrestre. "

QUANDO O SILÊNCIO APRENDE A RESPIRAR.
Há um instante oculto entre o que fomos e o que ainda não ousamos ser.
Um intervalo quase imperceptível onde o mundo silencia.
E é ali, precisamente ali, que a alma se revela sem máscaras.
Tu carregas universos não explorados sob a pele.
Catedrais invisíveis erguidas com lágrimas que ninguém viu.
E mesmo assim, caminhas, como se fosses apenas mais um corpo na multidão.
Mas não és.
Há dentro de ti uma centelha que não aceita o esquecimento.
Uma força antiga, anterior ao medo, anterior à própria dor.
Ela sussurra, mesmo quando tudo em volta grita desistência.
Escuta.
Não é o fracasso que te define.
É a insistência silenciosa de continuar mesmo sem aplausos.
É o gesto invisível de reerguer-se quando ninguém está olhando.
Porque a verdadeira grandeza não nasce do êxito.
Nasce do abismo atravessado em silêncio.
E cada noite que te visitou não foi abandono.
Foi lapidação.
Cada perda não foi ausência.
Foi espaço aberto para algo maior que a própria ausência ainda que não compreendas.
Há uma arquitetura divina no caos que te molda.
Uma ordem que teus olhos ainda não decifraram.
Mas que teu espírito já reconhece.
Por isso, não te apresses em fugir da dor.
Há ensinamentos que só florescem no escuro.
E quando finalmente compreenderes,
não serás mais o mesmo que buscava respostas.
Serás a própria resposta.
Ergue-te, mesmo que em fragmentos.
Avança, mesmo que em silêncio.
E confia, ainda que tudo em ti vacile.
Porque existe um momento, inevitável e sagrado,
em que aquilo que te quebrou
será exatamente aquilo que te fez inteiro.
E nesse dia, sem alarde, sem testemunhas,
tu olharás para trás e entenderás:
Nunca foste fraco.
Apenas estavas aprendendo a tornar-te vasto.

QUANDO A DOR APRENDE A ESCUTAR.
Existe uma forma de sofrimento que não grita.
Ela apenas senta-se silenciosamente dentro do peito humano e observa a alma perder a cor das próprias manhãs. Há dores que não desejam destruir. Desejam apenas ser compreendidas. Porque a emoção que agoniza não pede aplausos, nem discursos heroicos. Ela pede escuta. Pede delicadeza. Pede alguém que tenha coragem de permanecer diante do abismo sem fugir dele.
Muitos acreditam que vencer é sufocar a tristeza. Entretanto, algumas das maiores reconstruções interiores começaram exatamente no instante em que alguém deixou a lágrima terminar o seu percurso. A emoção ignorada transforma-se em ruína psíquica. A emoção acolhida converte-se lentamente em lucidez.
Há um cansaço invisível que nasce quando o indivíduo passa anos fingindo fortaleza. A alma começa a perder substância quando é obrigada a esconder continuamente os próprios cortes emocionais. Nenhum espírito permanece saudável vivendo em guerra contra si mesmo. Até mesmo as árvores mais antigas rangem diante do vento. Até mesmo os oceanos possuem tempestades subterrâneas.
A dor possui uma linguagem muito particular. Ela não fala através de palavras refinadas. Ela manifesta-se através do silêncio prolongado. Do olhar perdido. Da exaustão sem causa aparente. Da vontade de desaparecer por alguns instantes apenas para não sentir o peso do mundo pressionando o coração. E justamente nesse território sombrio nasce uma das mais profundas possibilidades humanas. A reconciliação consigo mesmo.
Escutar a própria agonia não é fraqueza. É maturidade emocional. O homem verdadeiramente forte não é aquele que nunca cai. É aquele que consegue olhar para a própria devastação sem transformar-se em pedra. Porque endurecer demasiadamente a alma talvez seja uma das formas mais discretas de morrer ainda em vida.
Existem sentimentos que precisam atravessar o peito como uma chuva atravessa a terra seca. Negar a dor não elimina sua existência. Apenas a aprisiona em regiões mais profundas da consciência. E tudo aquilo que permanece encarcerado dentro do espírito acaba retornando mais tarde sob a forma de ansiedade, angústia ou vazio existencial.
Por isso, quando a emoção agonizar dentro de você, não a humilhe. Não a trate como inimiga. Sente-se ao lado dela em silêncio. Escute o que ela deseja ensinar. Algumas dores chegam para revelar excessos. Outras chegam para mostrar ausências. Algumas vêm para destruir ilusões perigosas. Outras aparecem para lembrar que o coração humano ainda permanece vivo.
Toda travessia interior exige paciência. Nenhuma madrugada permanece eterna. O sofrimento modifica a percepção da existência porque obriga o espírito a enxergar aquilo que antes era ignorado pela distração cotidiana. E muitas vezes é precisamente na exaustão que o ser humano descobre sua capacidade mais sublime. Recomeçar sem perder a sensibilidade.
Aqueles que sobrevivem às próprias noites interiores tornam-se diferentes. Não necessariamente mais felizes o tempo inteiro. Mas mais profundos. Mais conscientes. Mais humanos. Aprendem que a verdadeira grandeza não consiste em jamais sentir dor, mas em não permitir que ela destrua a capacidade de amar, de acreditar e de continuar caminhando.
Porque existe uma beleza silenciosa em toda alma que sofreu profundamente e ainda assim escolheu permanecer gentil diante da vida.

“O homem destrói o amanhã quando trata o hoje com indiferença.”

“O verdadeiro progresso humano começa quando a inteligência deixa de negar a transcendência.”

" A dor possui uma linguagem própria. Quando recusada, torna-se tormento. Quando compreendida, converte-se em mestra. Entre as sombras que atravessamos e a luz que buscamos, ela permanece como uma enigmática intérprete da condição humana, revelando que as cicatrizes não são apenas marcas do que nos feriu, mas também sinais do que fomos capazes de suportar. "

NOCTURNO DAS PROFUNDEZAS ETERNAS.
Autor: Marcelo caetano Monteiro.
Quando o dia expira em silenciosa agonia e a noite, soberana, estende seus mantos siderais, a brisa oceânica, em delicado murmúrio, desce dos confins do horizonte como um hálito antigo da Criação.
Nos augustos braços da santa Natura, a penumbra repousa sua fronte melancólica, e o mundo, vencido pela fadiga das horas, adormece ao som litúrgico das águas. O mar oscila em cadências imemoriais, enquanto a lua, vestida de argêntea magnificência, acende seus círios sobre o firmamento e derrama rios de ouro líquido sobre as espáduas inquietas das ondas.
Então rasga-se o véu escuro do espaço, e a claridade celeste, como bênção invisível, ameniza o ardor que dorme nas entranhas da terra, enquanto as procelas respiram junto às praias onde o infinito beija a matéria.
Ali permanece o oceano: arca insondável de enigmas, biblioteca líquida de mistérios, guardião de segredos que nenhum sábio decifrou por inteiro. Em suas profundezas dormem histórias sem voz, verdades sem nome, ciências ocultas que desafiam os séculos.
Gigante indômito e eterno, não conhece repouso nem esquecimento. Nem por um único instante interrompe sua marcha, pois acompanha o giro majestoso da Terra, essa peregrina azul suspensa no abismo cósmico. E as águas obedecem apenas às leis supremas que regem os astros e os mares, como se ainda escutassem, nas profundezas da noite, a voz ancestral de Netuno, senhor das correntes e das tempestades.
E nós, efêmeros viajantes da existência, que caminhamos sobre a crosta transitória do mundo, somos centelhas de uma energia maior, fragmentos conscientes do grande mistério universal. Basta contemplar o oceano para perceber que há uma inteligência silenciosa ordenando o movimento das marés, uma harmonia invisível que transcende os cálculos humanos.
Nenhum império, nenhuma máquina, nenhuma obra erguida pelas mãos dos homens poderá reproduzir tamanha grandeza. Mesmo que os séculos se acumulem como montanhas sobre montanhas, a perfeição das águas continuará inalcançável.
Pois existe uma ordem mais alta que governa os céus, sustenta a terra e pulsa nas profundezas do mar. Uma ordem que não se impõe pela força, mas pela sabedoria. Que não grita, mas conduz os mundos.
E diante dela, resta ao coração humano o sublime privilégio do assombro, a reverência do silêncio e a humilde certeza de que toda grandeza verdadeira nasce da eterna comunhão entre o Mistério, a Beleza e o Infinito.