Som Alto
- Pois, mas nós humanos, podemos voar ainda mais alto, fechando os olhos e sonhando com belos voos. Quando um homem sonha, ele é o passageiro de todas as suas viagens, é o ser alado de todos os mundos.
In, "Ensurdecedor"
Maluco mas beleza
Sou maluco, mas beleza,
Não sigo regra nem correnteza.
Penso alto, vivo intenso,
Prefiro o louco ao viver sem senso.
Enquanto o mundo quer me moldar,
Eu escolho ser, não imitar.
Minha estrada não tem padrão,
Quem anda comigo é o coração.
Se ser normal é viver sem cor,
Prefiro a loucura cheia de amor.
Ser diferente é minha riqueza,
Sou maluco… mas com certeza, beleza.
Porque a vida é curta demais
Pra viver do jeito que o mundo faz.
Então eu sigo, leve e inteiro,
Livre, verdadeiro, do meu próprio jeito.
Leilson Oliveira
Quão mais alto se eleva a copa da árvore rumo ao céu; tanto mais profundas são suas raízes no abismo."
música no coração, visão no alto
Favela não para, só aprende
Escuta o recado – música Escolha Ser Feliz do dj gato amarelo
Do valor que se dá
E lá estava ela, no alto, no topo da frondosa e imponente árvore. Seu ninho parecia o mais belo visto daquela distância na ponta do penhasco que se erguia acima da floresta.
Naquele ninho teria encontrado o que procurava. Não era um ninho qualquer, mas sim um amontoado de gravetos torcidos e entrelaçados com pitadas de paixão, amor, prazer, esforço e dedicação.
No começo aquele lindo ninho supria as necessidades plenamente. Mesmo que estas fossem aumentando, e se tornando descabidas, até que em um momento, um segundo, um instante, tornou-se pouco relevante.
Desde então o ninho foi deixando de suprir as necessidades, em um primeiro momento puramente por se sentir pouco valorizado e solitário. Ela mal percebeu o que acontecia, pois passava o tempo a voar. Parecia ter se cansado ou se desinteressado daquilo que conquistou arduamente.
Lá fora tudo parecia mais lindo, mais intenso, mais gostoso, melhor. E a cada voo, mais parecia perceber que a felicidade estava lá, lá do outro lado, em outro lugar naquela floresta, linda, quente, úmida e cheia de possibilidades de novas descobertas.
O ninho ali permaneceu e se entregou. Já não tinha mais o valor que outrora tivera. Desistiu de qualquer esforço uma vez que logo percebeu do que se tratava. Uma ilusão comum, gerada por aves comuns que se faziam parecer diferentes, especiais, mas apenas estavam travestidas de penas compradas que lhes encobriam as verdadeiras. Compradas nas pedras, nos galhos altos, nos galhos baixos, nos cantos e recantos da floresta.
Ela voando avistou outros ninhos, cada um mais belo e interessante que o outro. Uma libélula amiga do ninho, pousada em prosa com ele, passou um tempo a observar o que ele observava e se manifestou. “Olha meu amigo, o que vejo é o simples vazio. Um mimo ao ser ganhado e conquistado deixa de ter valor para dar lugar a outro mimo mesmo que este seja o mesmo mimo.” O ninho suspirou e sorriu. Estava pronto para receber nova visita, novas penas que não se soltassem com facilidade.
Ela pousou em um destes ninhos e foi feliz, logo depois noutro e feliz foi novamente e noutro e noutro e noutro. O problema é que entre um e outro momento de felicidade dava-se o seu contrário. A infelicidade. Ora, dizia ela, sempre culpa destes ninhos.
Num destes momentos de insatisfação avistou o ninho no alto, no topo da imponente árvore e sentiu-se como sempre. Que ninho belo e interessante. Pensou logo que poderia dar umas rodopiadas por lá para ver como estava. Mas ele estava diferente. Mas era o mesmo, igual. Ficou intrigada.
Ela, num dia alisando as penas nas pedras para embeleza-las encontrou outra. Outra que contava garbosa como era seu ninho. Ela então se deu conta de que aquela conversa trazia saudades. Saudades do mesmo ninho, mas que agora aninhava outra.
Restou-lhe voar e encontrar outros ninhos, um aqui outro acola. Ou talvez o contrário pudesse se dar e esta história seria outra.
Amanheceu bonito, sereno, os passaros cantaram alto, as árvores dançaram sincronizadamente, o brilho do sol pareceu mais vivo, o vento abraçava, os ‘bom dia’ pareceram realmente saudosos, os olhares me pareceram sinceros, os sorrisos me encantaram… Era um dia normal, como todos os outros, o que hávia mudado era a minha forma de olhar o mundo.
Bastaria apenas um repelão e jogaria tudo para o chão, para o alto, longe do caos que causou teu olhar em mim. Mas é tão verdadeiro, o sentimento, envolvimento, encantamento, que nada me fará desfazer o laço, que ficou forte como aço...dentro.
Flávia Abib
É prudente se lembrarem de que quanto mais alto for o voo, maior pode ser a queda.
Sonhe! Mas sonhe alto...
Planeje-o com audácia, e
Tome uma atitude pra fazê-lo realidade.
E se não der certo? Tenha coragem e tente de novo!
Como Ser Feliz no Brasil
O Cristo, lá do alto, não abre mais os braços —
estão cansados.
Ele olha o Rio e chora.
Chora como quem já não tem mais lágrimas,
só sangue.
O sangue desce pelas vielas,
mistura-se à chuva,
escorre pelas escadarias do morro,
lava o rosto de uma cidade que esqueceu o que é piedade.
Uma menina grita —
o pai caiu no chão, o peito aberto, o olhar parado.
Ela chama, chama, mas ninguém vem.
E o Cristo, imóvel, observa,
com o olhar pesado de quem carrega todos os mortos
e os que ainda vão morrer.
O policial também caiu.
Não é herói, nem vilão —
é um corpo traído pelo Estado,
um corpo sem preparo, sem futuro,
usado como escudo na guerra dos que nunca sobem o morro.
E o povo grita.
Mas o grito se perde.
Sobe, se mistura ao vento quente,
vira eco, vira reza, vira desespero.
Do outro lado da tela, nas redes,
há quem sorria.
Blogueiros, políticos, comentaristas de sofá —
todos erguendo taças,
festejando o sangue que correu.
Dizem que não foi chacina,
foi faxina.
Mas não eram bandidos.
Eram pais.
Eram filhos.
Eram avós, mulheres, trabalhadores,
gente que sonhava com o mínimo —
sobreviver.
Gente que acreditava,
mesmo que por instinto,
que ainda existia um Brasil para lutar.
Mas o Brasil não olha para os morros,
não sobe as escadarias,
não investe nas escolas,
não abraça o povo.
O Brasil aponta.
Atira.
E depois comemora.
A dor, agora, não cabe mais no peito.
O choro se mistura à lama,
o sangue vira notícia,
e o corpo negro —
o corpo que sempre foi o primeiro a cair —
vira espetáculo.
Dá ibope.
Vira estatística.
Vira silêncio.
E o Cristo, lá do alto,
já não parece uma estátua.
Parece um lamento.
Um lamento feito de pedra,
de fé cansada,
de humanidade morta.
O Brasil sangra no peito d’Ele.
E cada gota que cai
é um pedido de perdão
que ninguém ouve.
Porque aqui,
a caneta que deveria salvar,
assina a sentença.
E o Estado, que devia proteger,
mata.
Mata em nome da ordem,
mata em nome da paz,
mata porque aprendeu a matar
antes de aprender a cuidar.
E assim, o sangue desce o morro,
invade os rios,
chega ao mar,
e deságua no coração do país —
um coração cansado,
que pulsa em silêncio,
tentando, ainda assim,
ser feliz no Brasil.
Quando falo, repito e até falo alto é porque me importo.
O meu silêncio é mais preocupante, significa desinteresse.
Meu alto valor interior não depende do que o outro pode me fazer..
mais sim do que eu retribuo, meu caráter é só um,..
sendo assim, posso perder exteriormente, mais minha força interior só aumenta...
Há pessoas que permitem que outros manipulem sua vida, e só percebem tarde demais o alto preço de entregar o controle a quem nunca mereceu.
Pode ser que daqui há 1 ano olhemos esse poema por outra perspectiva.
Sol alto, céu aberto,
azul tão limpo que parece recém-lavado pelo vento.
As nuvens passam preguiçosas,
como se estivessem apenas visitando o dia.
Na areia clara, quente de luz,
uma mulher ergue o rosto
como quem conversa em silêncio com o horizonte.
O chapéu de palha desenha círculos de sombra,
protege — mas não esconde —
a tranquilidade que mora no seu gesto.
As mãos seguram a aba
como quem segura o próprio instante.
Óculos escuros guardam o mistério do olhar,
mas o rosto revela serenidade,
uma pausa rara
entre o barulho do mundo e o som do mar.
O biquíni branco reflete o sol
como espuma que decidiu virar pele.
O vento brinca com os fios do cabelo,
e o tempo, por um momento,
parece esquecer de passar.
Lá atrás, no alto da colina,
uma igreja observa tudo em silêncio —
antiga, paciente,
como se conhecesse histórias de outras marés
e de outros verões.
O mar se move devagar,
respirando ondas na beira da areia,
enquanto pequenas figuras caminham ao longe,
distantes, quase parte da paisagem.
Mas ali, naquele ponto exato de luz,
existe um instante inteiro:
uma mulher,
o vento,
o sal no ar,
e a certeza simples
de que o mundo às vezes
se resume
a estar viva
sob um céu azul. 🌊☀️
Autoral: Martinha S. Dias
A solidão é um povoado de uma pessoa só, onde o silêncio ecoa mais alto que o vento nas copas dos ervais.
Nós mulheres pagamos um alto preço quando abrimos mão de acompanhar 100% o crescimento dos filhos para trabalhar fora. E também pagamos quando decidimos ficar em casa e abandonar a carreira profissional. Uma vida de desafios e renúncias, porém não cabe julgamentos de valores pois cada uma delas, e somente à elas cabe o peso da responsabilidade, o peso da condição e o peso do amor que carregam em seu peito. G.M.
