Sobreviver
O dia amanhece mas minha mente permanece no escuro. Não consigo acompanhar a vida e as experiências diárias. Parece que a vida segue um ritmo diferente do meu. Algumas vezes, ou na maioria das vezes, parece que eu sou um zumbi, alguém sem vida mas em pé. É desta forma que eu me sinto, perdendo a vida, apenas passando por ela, não vivendo, talvez sobrevivendo.
Estou começando a desacreditar de tudo, nada mais me convence, tudo me parece meros contos da carochinha. Nada parece real, ao mesmo tempo que a “realidade” me fere, me assusta, me consome. Algumas vezes não consigo diferenciar a realidade das invenções da minha mente.
Me pergunto até quando? Tenho pressa, tenho ânsia, tenho sede, tenho horror e ao mesmo tempo tenho desejo. Talvez esteja fora de mim. Por muitas vezes eu me odeio, me sinto enojada de mim mesma.
A GENTE SE ACOSTUMA
A gente se acostuma
E não vivemos
Gastamos uma a uma
Sobrevivendo como nemos
A gente se acostuma
E se perdemos
Com culpa nenhuma
Por esse fim aguardaremos
A gente se acostuma
E desistimos de viver
Carregando esse trauma
Apenas com a intenção de sobreviver
Hoje estou me permitindo escrever sobre este cansaço indivisível, sobre minha falta de tempo, sobre a desordem que se instaurou em minha vida. Por trás disso tudo, o mais perigoso espreita: a grande traição que estou cometendo, todo dia, comigo mesmo. Porque escrevendo assim, para sobreviver, não escrevo o que me mantém vivo – outras coisas que não estas.
Nota: Trecho da crônica Querem acabar comigo, publicada no jornal O Estado de S. Paulo em 29 de abril de 1987.
...MaisPassei 45 anos lutando incansavelmente para atingir metas, objetivos, o q dependia de mim eu fiz. Mas estou entendendo q não tem mais nada q eu possa fazer, a seja significativo ou q vá mudar algo. Hj, minhas forças se resumem em sobreviver, cumprir as rotinas do trabalho pq preciso me sustentar, cuidar medianamente da alimentação pra não ficar doente, ir à academia pq estar acima do peso pra mim é um sofrimento extremo. Cuidar do meu cachorro e da casa, é isso q me resta. Não tenho forças nem vontade de fazer além. Cansei. Pq eu lutei mundo, e minha vida é só isso e ponto. Aceitei e vou seguindo um dia de cada vez. Não sou covarde, eu apenas cansei de tanta luta. Vida q segue, do jeito q ela quiser seguir. Eu cansei.
Medo não é sinal de fraqueza ou covardia. Medo é instinto de sobrevivência. Toda ser humano possui.
No lugar de criticar ou brigar, ensine a criança a superar. Busque saber os motivos do seu medo. Ajude-a a vencê-lo encorajando-a com suas habilidades e potencial.
Assim ela crescerá uma criança valente e principalmente confiará em você para ajudá-la a superar as suas dificuldades!
Somos frágeis, mas diferente dos outros animais temos uma capacidade ímpar de sobrevivência: a de amar.
Nunca me treinaram para carregar um fardo tão pesado, nem me disseram que eu andaria descalço por valas repletas de cacos de vidro. Não fazia a menor ideia de que as feridas da alma eram as últimas a cicatrizar, pois são tão profundas, onde remédio nenhum alcança.
Não sei se felizmente ou infelizmente, mas tive de aprender tudo isso sozinha, lágrima por lágrima, a cada murmúrio. Confesso já ter pensando em desistir milhões de vezes e ainda penso, é inevitável, ao olhar para onde quero chegar e ver tantos obstáculos na linha do horizonte é cansativo, ver que não estou nem na metade do caminho, me sinto fraca e impotente, isso faz qualquer um desistir de continuar.
É doloroso, pois a vida nunca prometeu ser fácil, ainda sim, mesmo querendo desistir eu continuo, um passo por vez, alguns pensamentos que surgem na minha mente não são meus, por isso não preciso aceitá-los, principalmente aqueles que dizem que eu não sou capaz, por isso eu continuo, não sou uma desertora, por que eu sei que desistir é perder a guerra antes de entrar no campo de batalha.
Cérebro
Embaixo do meu chapéu existe um mundo
Cheio de certezas e incertezas
Existe amores e desamores
Alegrias e tristezas
...
Embaixo do meu chapéu
Trago minhas virtudes e vontades,
Meus anseios e adversidades,
Trago um mundo sem vaidade
Que não sei descrever de verdade
Mas que na verdade sei que existe...
...
É meu mundo e nele vivo
É o infinito que posso alcançar
Porque no mundo em que sobrevivo
Só tendo o próprio mundo para sonhar.
O jeito que eu me tornei, e as atitudes que eu tomo hoje, acho que no fundo são um pedido de ajuda mesmo. Porque eu não aguento, de verdade, viver nesse mundo. Eu só sobrevivo da forma que dá. Da forma que eu mesmo encontrei. E eu vou tentar me apoiar nela até o dia em que eu partir.
