So aquilo que Nao nos Pertence e que nos Completa
Nunca desejei o ter só por tê-lo, nem o poder para podê-lo, como minhas metas de vida.
Quis ser só eu mesmo, simples, sem subterfúgios ou vãs ambições mundanas, mas até isso me quiseram negar.
PÁSCOA SEM PASSAGEM
Foi Páscoa.
Só dei por ela e pela aragem,
Na singeleza do nome passagem,
Só mesmo, sem mais,
Neste mundo dos mortais.
O sol, estava tão triste,
O vento, sem ação,
E se a memória resiste
Caía uma melancolia
Na cruz erguida,
Ferida, do meu coração.
Páscoa, para mim,
Não é doce nem salgada,
É assim
Como quase tudo do nada
Em desprender de vícios
E estrupícios
Na minha fé amansada.
Que interessa Páscoa
Se na passagem
Da mensagem,
O mundo vive em clausura
Mesmo sem grades,
Nestas minhas saudades
De uma Páscoa pura?
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-04-2023)
QUE SOSSEGO
Era só a minha avó.
E em tardes de calmaria
Debaixo da velha ramada
Das folhas do morangueiro
O corriqueiro,
Americano,
Ela, aos botões, dizia:
- Que sossego! Bendito ano!
Ela não sabia
Que eu estava
Com ela,
Mirando-a de uma janela
Pequenita que havia
Logo atrás dela.
E eu ouvia tudo naquela viagem
Feita miragem
Que minha avó fazia,
De consciência apurada,
Sem precisar de andar
Ou sola dos chinelos gastar
Em qualquer estrada...
Foi ela que me ensinou,
Aqui onde vou,
Que para sonhar,
Só basta estar!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 29-05-2023)
PRAIA DA NOSTALGIA
Só te vejo agora pelas tecnologias
Que me mostram marés cheias
E outras tantas coisas vazias
Num vazio tão triste de ideias.
Corpos pequeninos na praia distante,
Que já foi só nossa nas noites frias
De gente comigo, na areia escaldante.
Que saudades quando nela eu indo
Na cíclica maré da baixa-mar,
Tanta areia havia para levantar
Milhões de castelos para albergar
Os amantes dos amores proibidos.
Agora, após longos anos idos,
Ainda te amo, mas de forma estranha,
Praia de areia do mar dos meus sentidos,
Eras a menina dos olhos meus,
Quando a tua beleza era tão tamanha
Que até um dia foste pintada por Deus.
(Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever)
OUTONO SEM CASA
Toda a vida eu sonhei
Construir uma casinha
Como só eu sei,
Numa bela arvorezinha
E fazer dela o meu trono
No agora vindo outono.
Que ilusão esta a minha,
Ó sonho louco e fugaz!
Nem árvore nem arvorezinha
Ou casa ou minha casinha,
Utopias que a vida traz.
Na montanha, tudo ardeu,
Tudo queimou e até eu
Como pássaro que fica sem asa,
Como cão que fica sem dono,
Ficarei sem aquela casa
Que quis construir neste outono.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 24-09-2023)
A psicologia vomitada pelos ditos inteligentes, só veio atrasar o estudo da psicologia pelos tolos - esse, bem mais adiantado.
E me pediu mil vezes,
Molde meu coração
Só para ti
E com amor, adorne no fim
E eu serei tua enquanto ainda estiver aqui.
Mas infelizmente
O cara aqui, quebrou a santa
Há cacos até nas lembranças
Há lágrimas até nas palavras
E não posso voltar a ver luz
Porque pisei na mina, GAME OVER.
- É só aquele pé direito que hoje vai torto, mas eu creio que amanhã estará tudo bem, pois a vida ensinou-me a ser ambidestro.
Que a gente se mova no mundo de forma automática, fazendo o que precisa ser feito sem drama, sem sofrimento, sem esforço, sem necessidade de motivação, de perfeição, de racionalização, apenas fazendo o que precisa ser feito, da melhor forma possível, porque sabemos que condiz com quem somos como indivíduos.
Escrita para viver.
Só Observando
Devagar eu vou vagando
E de longe observando
Sinto falta vou-me embora
Cada um tem sua hora
Vem o sol com seu calor
Chuva traz o meu amor
Quero mais felicidade
Para enganar essa idade
Acha graça faz de bobo
Vive a vida pega o troco
Na paz eu vou vivendo
Cada dia aprendendo
Devagar eu vou vagando
E de longe observando
O indivíduo é um espetáculo ensaiado só esperando a cortina abrir. A depressão é uma cortina que não abre. E atrás da cortina o espetáculo da vida não acontece.
