So aquilo que Nao nos Pertence e que nos Completa
O que se concede permanece enquanto não é provado.
O que se sustenta só existe depois de testado.
Assim, a elevação antecede a medida,
mas a medida decide se houve elevação.
O tempo não corrige o lugar —
apenas confirma se ele estava vazio.
Só se reconhece e critica a acomodação dos que não lutam por bens, cargos e fama. No entanto, existem muitas outras acomodações, quase todas mais graves, e das quais geralmente são portadores os mais fartos, influentes e famosos. Há aqueles que se acomodam com a distância dos filhos, a mesquinhês, a falta de privacidade, a solidão, a pobreza de caráter... Muitos se acomodam com a obesidade, a falta de conhecimento, a insensibilidade, a arrogância, e uma profunda carência de humanidade. Mais grave ainda, tantos outros se acomodam com a violência que os cerca, julgando que ela não os atinge. Acomodam-se também com o incômodo sentimento de querer mais e mais aquilo que já possuem com fartura. No fim das contas, não existem pessoas não acomodadas, e sim, uma imensa variação de acomodações que se acomodam em criticar as acomodações mais previsíveis, talvez as menos nocivas.
Só cumprir o que a lei manda não faz de mim um ser social. Falta considerar o que a ética pede. Sem ela sou meio cidadão, meio bandido.
Cheguei à fase em que só quero comigo gente que saiba sofrer sem sofrer. Quero espécimes que não morram nos tempos de sonhar... E que além disto, não tenham vício de chegar somente nos pontos de arremate, assim que o resto já foi feito.
Não quero, enfim, aquela espécie de gente que dorme na hora de viver, porque hoje, busco a certeza de conviver com pessoas... jamais com sombras, vultos, muito menos fantasmas ou zumbis... Aqueles que já cumpriram seus dias de nem se sabe o quê.
Posso resumir meu querer ao desejo de me sentir no mundo... e o mundo, meus caros, é um lugar de gente viva... Não de quem esqueceu de se decompor, pois na verdade vive morto.
O que tirou sua paz ontem,
não pode tirar sua paz hoje,
pois o ontem é passado
e o hoje só depende de você.
Minha solidão não tem nada haver com presença ou ausência de pessoas. Detesto quem me rouba a solidão sem, em troca, oferecer verdadeira companhia.
Texto de Friedrich Nietzsche
A solidão, no pensamento que atravessa essa frase, não é carência, mas território interior. Ela não nasce da ausência de pessoas, e sim da ausência de sentido. Estar só, nesse horizonte, é estar em contato consigo mesmo; estar acompanhado, sem verdadeira presença, pode ser uma forma mais profunda de abandono. Nietzsche aponta para uma solidão qualitativa, não quantitativa.
Quando ele afirma que detesta quem lhe rouba a solidão, revela que a solidão é um bem precioso, quase sagrado. Trata-se do espaço onde o indivíduo pensa sem concessões, cria sem aplausos e se confronta com suas próprias alturas e abismos. Roubar a solidão é invadir esse espaço com superficialidade, ruído e expectativas vazias. É ocupar o tempo e o corpo sem tocar a alma.
A “verdadeira companhia” não se mede pela proximidade física nem pela frequência da convivência, mas pela capacidade de presença real. É aquela que não distrai do essencial, mas aprofunda; que não exige máscaras, mas permite silêncio; que não dilui a individualidade, mas a respeita. Poucos são capazes dessa companhia, porque ela exige maturidade interior e coragem de permanecer diante do outro sem se esconder.
Nesse sentido, a solidão nietzschiana não é isolamento social, mas fidelidade a si mesmo. É a condição necessária para o surgimento do pensamento autêntico e da vida criadora. O espírito que busca elevar-se precisa, em certos momentos, afastar-se da multidão não por desprezo, mas por necessidade de escuta interior. Quem não suporta a própria solidão dificilmente suportará a profundidade do outro.
A crítica de Nietzsche, portanto, não é contra as pessoas, mas contra as relações vazias. Ele denuncia a convivência que preenche o espaço, mas esvazia o sentido; que fala muito, mas não comunica; que ocupa, mas não acompanha. Essas presenças são mais solitárias do que o silêncio.
Por fim, o texto nos convida a rever nossa relação com o estar só e com o estar junto. Talvez a verdadeira questão não seja evitar a solidão, mas aprender a habitá-la. E, a partir dela, escolher companhias que não nos afastem de nós mesmos, mas que caminhem ao nosso lado sem nos roubar o que temos de mais íntimo: a integridade do nosso ser.
"Ela só tem interesse, não sente saudade.
Ela ama a mentira, odeia a verdade.
Ela sente desejo, mas passa vontade.
Ela deseja meu aconchego, mas agora é tarde.
Ela fantasia nossa união, mas é tudo miragem.
Ela me instiga com a beleza do teu corpo, bela paisagem.
Ela desafia a perfeição, uma beldade.
Ela me olha com os olhos repletos de maldade.
Ela sabe ser má de verdade.
Ela se foi, roubou-me a calma e me deixou, a saudade..."
Quando você evita a verdade para não doer, só prolonga a dor. A verdade imediata machuca, mas cura. A mentira confortável acalma, mas deteriora. O conforto enganoso é o mais perigoso.
A vida não recompensa intenções — recompensa atitudes. A intenção é interna; o mundo só vê o que você faz. Quem vive de intenção vive de boas desculpas. Quem age constrói.
A virada do ano é só um lembrete que o tempo e a vida não param. Não é sobre uma página em branco, mas sobre a continuidade de um livro que estamos escrevendo enquanto o chão se move sob nossos pés.
A verdade é que a vida não espera a gente se sentir seguro ou 'pronto' para acontecer. Ela simplesmente vem.
No fim das contas, a verdadeira coragem não está em desejar que tudo seja perfeito, mas em se manter firme enquanto tudo muda.
Seguimos não porque o calendário mudou, mas porque carregamos vida, sonhos e projetos que são maiores que qualquer data. Parar nunca foi uma opção.
Ser otimista não é só um jeito de ver a vida. O Otimismo traz as energias que ajudam o universo a conspirar a nosso favor.
Ser pai de verdade
Ser pai não é só dar nome
Ou comida e abrigo
É ser exemplo de força
Buscar ser o grande amigo
É ensinar que o melhor trilho
Não é de ouro nem de brilho
Mas o que foge do perigo.
É viver na luta diária
Mesmo com medo ou cansaço
Ofertar sempre bom conselho
Mostrar a força do abraço
Pro momento mais secreto
Ser pontual e discreto
Desfazer nó e criar laço.
É mostrar o que é mesmo o certo
Apoiando-lhe na dor
É ouvir mais do que falar
Com a escuta do amor
É ser a grande presença
É permanecer na crença
Que o filho tem muito valor.
Pai de verdade é imagem
Não somente no retrato,
É aquele que está perto
No dia a dia e de fato
Mostrando que o agora
Acontece sem demora
Se constrói com cada ato.
Por isso neste seu dia
Receba o nosso carinho
Pois seu exemplo e coragem
Faz cair todo espinho
E sua missão sagrada
Faz da sua jornada
Ser farol neste caminho.
