Sinto falta do meu Passado
O tempo...
ele cura dores, mágoas e algumas feridas.
Eu digo algumas... porque tem feridas meu amigo,
que ferem a alma. E não cicatrizam.
Sou filho do Nordeste, tenho orgulho do meu torrão, terra de homem valente que tira o sustento das mãos.
Terra de mulher guerreira que traz lata d'água na cabeça criando o menino de pés no chão.
Sou filho de Pernambuco, terra dos engenhos, do melado do mel da cana, da ciranda de Lia, do cantador Santana, de Capiba, Chacrinha e Lampião... Sim, sou da terra cantada nos baiões de Gonzagão.
Seja qual for o caminho, meu objetivo e te fazer sorrir. Pois teu sorriso faz meu olho refletir o brilho do teu!
Alguns comentários ao meu respeito não vão mudar nada na minha vida. Pouca gente realmente me conhece.
Nem lamento. Tenho tanta coisa boa pra viver. Quem quiser me acompanhe.
DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO
Saber que uma pessoa que amamos está morrendo...não há DOR pior! Imaginar que a convivência está chegando ao fim... Essa experiência causa uma dor DEVASTADORA na vida. Uma dor que ultrapassa o psicológico e se transforma em dor física.
É como se existisse um BURACO no coração. Como se arrancasse algo de dentro de nós, sem anestesia. A sensação é essa!
É... Diante da morte não há nada que possamos fazer a não ser rezar.
E assim é a VIDA...
Alguns dias que meu pai não está mais entre nós. Subiu.
Perder papai de vista tem me ensinado o valor do tempo. Há pressas. Do amor correspondido, do beijo dado, do abraço demorado. Do sorriso aberto, do olhar inudado de ternura. De ser paz tocando cuidadosamente o curativo dos medos. De esvaziar-me de orgulho e egoísmo bobos.
De bem amar.
Tá, todo dia é uma recuperação. Todo dia é um alinhamento de ação e pensamento. Não nego que sou contraditória e vulnerável, aviso que não sei tudo. Não sei nada. Talvez isso seja minha maior verdade. E rezo.
Rezo pela luz.
Realmente 2020 não está sendo fácil. Não quero compreender. Estou vivendo. Agradeço.
Deus tem seus propósitos e aceito.
Amo muito você papai Jarcy Andrade, amo infinitamente.
Esse é meu papai. Foi um homem simples, generoso, amoroso, batalhador, trabalhador, protetor.
Papai passou fome, passou frio, passou...
Papai tinha medo, foi herói. Foi amigo.
Papai contava histórias, falava alto. Papai era de olhar no olho, era direto. Homem sem delongas.
Papai dizia que o melhor dessa vida é o amor que a gente espalha por aí. Papai dizia também que era feliz, o que precisava ele tinha. Uma família. A família era seu alimento, sua casa.
Papai acreditava em Deus. Em Nossa Senhora. Papai nunca perdeu a fé.
Papai meu sino de ouro, meu suspiro de saudade. Papai subiu. Foi brilhar noutra constelação
Seu Jarcy, pra sempre meu papai.
Meu mais carinhoso abraço de boa noite, de alma para alma, a cada amigo real, cada amigo virtual e também àqueles generosamente decidiram acompanhar-me como leitores ainda que sem o vínculo de perfil a perfil.
Que sintam a presença amorosa dos amigos espirituais, os quais velam por nós em nome do Pai Criador. Feliz e abençoada seja nossa semana! Que seja de paz, de alegria, saúde, amor, esperança e trabalho construtivo no bem!
Jamais esqueçam que mesmo a delicada e fugaz luz do vagalume ilumina a escuridão, por isso, semeiem o bem por onde passarem, pois isso será luz distribuída por suas mãos.
Grande beijo!
Se eu conheço a história da minha mãe? Se eu conheço a história do meu pai?
E eu te pergunto, e daí?
Cada um tem sua história...somos ÚNICOS!
Eu tenho a minha, você tem a sua...ser feliz é o que importa.
Não gostar é seu direito, respeitar é seu dever!
Para onde quer que eu olhe, vejo o que meu coração enxerga.
Só o que ele enxerga...é por isso que antes de ver de verdade só é preciso uma coisa... AMAR!
A porta da Igreja De São Gonçalo está fechada.
Não poderei adorar o Meu Jesus tão cedo. Lá terei de esperar e desesperar.
Toca o sino. São 12h30.
Há silêncio no adro da Igreja.
Onde estão as crianças?
Vejo um cão a chafurdar na terra. Mais ninguém.
Alguns carros apressados cujos condutores conversam amenamente.
É Domingo. O dia do Senhor – 17 de Julho de 2022 – Festa do Santíssimo Sacramento na Igreja de São Gonçalo, no Funchal.
Por detrás de mim, mulheres chorosas com coroas-de-Henrique visitam os seus entes queridos que dormem em paz na “Quinta dos Calados”, a quinta que ninguém gosta de lá pernoitar e os que lá habitam jamais poderão sair com o seu próprio pé.
À minha frente, contemplo o azul do mar no horizonte.
Escrevo a lápis com apoio de uma capa de elásticos semidura que contém os meus currículos. Levo-os sempre comigo na esperança de obter um emprego anunciado numa simples vitrine.
Nunca obtive qualquer resposta dos mesmos…certamente, irão para o recetáculo de lixo mais próximo…quem diria?! Depositado numa vasilha onde se reúnem coisas provenientes de diferentes origens. Ali, estou eu, sepultada, profissionalmente e academicamente.
Mais uma badalada. São 13h.
Silêncio sepulcral.
Despeço-me do tempo com um até breve.
