Sinto falta do meu Passado
A Visão de Sofia
Era ela.
Sofia…
Surgiu como uma aparição entre os sinos e os cascos.
A carruagem era dourada, mas ela… ela flutuava.
Seus olhos não pousaram sobre mim —
estavam além do mundo.
Ela voava, sim. Eu juro.
Saltou da carruagem como quem desfaz a matéria.
Não tocava o chão.
Era um anjo?
Era uma ave?
Era a Espanha inteira me chamando ao trono?
…Ou apenas o amor que nunca tive, me despindo de toda razão?
Eu gritei seu nome. Mas minha voz era vento.
Os cavalos corriam.
Os criados riam.
E ela — Sofia! — atravessava o ar como uma promessa que nunca se cumpre.
Ela me viu?
Ela sabia?
Ou fui apenas mais um vulto aos seus pés de nuvem?
…Meus pés, sim, ainda estavam na lama.
Mas a alma… a alma já era pássaro.
Escrever, hoje em dia, é um ato de resistência contra a insanidade coletiva que nos domestica, que nos embrutece, que nos impede de perceber a dor do outro. Vivemos num mundo de intolerância, de verdades absolutas, onde quem duvida morre. Na escrita, há uma brecha. Uma fresta de lucidez. Um instante de verdade.
Ali, diante da página, o poeta — como um semideus — nos apresenta a beleza honesta da dor. Ele nos representa como somos: seres humanos. Falhos, imperfeitos, mas humanos. E durante o tempo da leitura, sem nenhuma distração, sem nenhum pensamento alheio, nos conectamos com quem somos. Com nossa essência. E ao perceber isso, algo se transforma.
Porque há uma catarse que acontece. Às vezes sutil, às vezes brutal. Mas acontece. Saímos da leitura mexidos, acordados. Descobrimos a força incrível que é ser humano. O poder que temos em mãos. A capacidade de sonhar — mesmo com tudo em ruínas.
A pergunta é: o que vamos fazer com isso? Vamos tentar mudar o mundo, ou voltar à realidade mórbida, fingindo que nada foi dito? A poesia nos entrega uma verdade. E a verdade, uma vez vista, não pode mais ser ignorada.
Eu sou burro, dizem.
Não aprendi a ser hipócrita.
Não sei sorrir com o fígado doendo,
nem elogiar quem me envergonha.
Nasci torto pra esse mundo liso,
onde a esperteza é se calar,
e a virtude é caber na média.
Não sei me vender.
Não sei bajular.
Não sei.
Só sei ser inteiro.
E isso, hoje, é burrice.
Vejo os que vencem —
sabem o tom, a pose, o disfarce.
Sabem dizer sim sem concordar.
Sabem pedir desculpas sem culpa,
elogiar sem respeito,
defender sem acreditar.
Eu não.
Eu sangro na frente de todos,
falo o que penso,
perco amigos,
perco oportunidades,
perco o conforto.
Mas durmo.
Durmo sabendo quem sou.
E isso, talvez, seja o que ainda me mantém
vivo — mesmo fora do rebanho.
Eu sou burro, dizem. Não sei me posicionar, não sei me calar na hora certa, não aprendi a jogar o jogo. Nunca entendi o valor de um elogio falso, nem a importância de um aperto de mão estratégico. Não sei fingir respeito, não sei sorrir com o fígado amargo. Nunca aprendi a ser hipócrita — e isso me custa.
Enquanto outros sobem, eu permaneço. Enquanto fazem alianças por interesse, eu perco oportunidades por lealdade. Enquanto moldam a voz ao que o outro quer ouvir, eu falo o que penso, mesmo que doa, mesmo que afaste. Eu não me adaptei. Não consegui. Há quem chame isso de orgulho, de teimosia, de burrice mesmo. Eu só sei que não consigo ser outro pra agradar. Só sei ser eu — e isso, hoje, é visto como falha.
Não é que eu goste da solidão. Nem que me orgulhe da minha margem. É que a conta que me pedem pra pagar pra caber no mundo — ela custa minha alma. E isso, não. Prefiro perder, prefiro errar, prefiro andar só. Mas durmo. Durmo sem vergonha. Durmo em paz com o homem que carrego dentro. E isso, talvez, ainda seja o que me salva de virar o que todos esperam.
Nada me inspira mais do que a raiva. Não essa raiva histérica, superficial, que grita sem saber por quê. Falo da raiva que nasce do abuso, da injustiça cotidiana, do silêncio imposto aos que ainda têm alma. A raiva que surge quando vejo gente boa sendo engolida por um sistema que premia a mentira, que endeusa o disfarce, que trata a hipocrisia como virtude social.
A indignação me dá vida. Me acorda. Me empurra pra escrita. Não sou movido a paz interior, nem a frases de autoajuda. O que me move é o desconforto. O que me guia é a vergonha de ver o mundo como está e fingir que está tudo bem. Eu não me adapto, não consigo. E não quero.
Escrever, pra mim, não é florescer: é rasgar. É reagir. É cuspir de volta o que me enfiaram goela abaixo. Minha arte não é gentil — é necessária. É a forma que encontrei de não enlouquecer. Porque se eu me calar, se eu aceitar, se eu sorrir junto, aí sim estarei perdido. A raiva me lembra que estou vivo. A indignação me prova que ainda sinto. E enquanto isso durar, ninguém vai me domesticar.
Entre Salomão e Nietzsche, a Senda do Poeta
Ser poeta não é ser um sábio, embora o poeta caminhe com os olhos cheios de mundo.
Ser poeta é, talvez, saber desviar dos abismos do saber.
Salomão provou de tudo: da carne e do vinho, da justiça e da insônia. Escreveu provérbios como quem grava cicatrizes em pedra. No fim, chamou tudo de vaidade. Mas errou — não porque ousou saborear o mundo, mas porque se esqueceu de manter acesa a lâmpada interior. A sabedoria sem direção vira labirinto. E o poeta não pode se dar ao luxo de se perder.
Nietzsche, por sua vez, levou a lucidez até os ossos. Arrancou o véu de todos os ídolos, inclusive o de Deus. Mas pagou um preço alto: foi vencido por aquilo que desejava superar. Ficou só, dentro da própria mente — uma caverna onde ressoavam apenas os gritos do seu gênio cansado.
Eu não quero ser como Salomão, que confundiu sabedoria com impunidade divina.
E também não quero ser Nietzsche, que confundiu liberdade com exílio da alma.
Quero escrever versos que me mantenham de pé.
Quero uma poesia que não apodreça, que não me transforme num profeta vencido pela própria visão.
Quero a palavra como caminho — não como cova.
Porque a verdadeira maturidade não está em saber tudo, mas em saber o que deixar de lado.
E a verdadeira poesia não nasce do delírio nem da vaidade — mas do silêncio que vem depois de ver demais.
O Alter Ego e o Labirinto
Na literatura, o alter ego do autor raramente é um só.
Ele se desdobra, se infiltra em múltiplos personagens, e por vezes se oculta no que não é dito, no que se evita.
Em Labirinto Emocional, meu primeiro romance, publicado em 2005, meu alter ego se dividiu em dois homens: Valter e Paulo.
Valter é jornalista, alcoólatra, devastado por uma perda que o tempo não cura — um filho perdido na Europa, tragado pelos rastros da guerra.
Ele carrega o peso da memória e do fracasso, mas também da lucidez crua de quem já viu o mundo pelo avesso.
É um homem que já foi centro, mas hoje gira em torno de um vazio.
Paulo é músico da noite, filho da boemia carioca.
Conhece Valter em Copacabana, num tempo em que os bares tinham alma e a amizade era vício raro.
Paulo vê em Valter um espelho trincado — e, talvez por isso, não foge dele.
Eles criam uma amizade intensa, marcada por silêncios, desconfianças e lealdades tortas.
Enquanto Valter afunda nas suas crises, entre surtos e lapsos, Paulo se aproxima de Rute, a filha única de Valter — a mais bela, a mais viva — e casa-se com ela.
Não há escândalo. Há destino.
Paulo se torna o cuidador de Valter, quase um herdeiro não nomeado.
É ele quem permanece quando o mundo se vai.
Talvez o alter ego não esteja só em Valter. Nem só em Paulo.
Está no abismo entre os dois.
Na fronteira tênue entre decadência e continuidade.
Na pergunta silenciosa: quem somos quando os outros começam a cuidar do que um dia foi nosso?
Labirinto Emocional é isso.
Não é apenas um romance sobre amizade, amor, decadência e lucidez.
É um romance sobre o artista diante do espelho:
partido entre o que viveu e o que ainda insiste em escrever.
Aquele que renova as nossas forças nunca nos abandona, ele está conosco em todos os momentos por vezes até no silêncio, mas sem perder o controle da nossa vida, aquele que está nos mais altos dos tronos e acima de todos não dorme.
Pergunto-me como pode nos seres humanos temos a capacidade de sermos tão limitados quanto ao que nossos olhos podem ver, ao ponto de não enxerga a beleza Além da perspectiva natural, nossa busca por perfeição estética releva o quanto superficiais somos uns com outros, onde qualidades admiráveis que são invisíveis aos olhos é descartado em prol ao que ser ver por fora do conteúdo existente no visível.
O Natal a época que aquece o comércio, movimenta as pessoas, une as famílias, comove os corações. é impossível passar despercebido,embora não seja a data exata do Nascimento de Jesus Em nossa cultura, o Natal é relevante demais para ser ignorado. Não basta simplesmente agir como se esse dia, por não ser a data mais provável do nascimento de Jesus, possa ser desprezado completamente. Mas Para captamos o verdadeiro significado do “espírito do Natal”, precisamos apenas deixar cair à última sílaba, e ela se torna o ‘Espírito de Cristo. Aprender que não devemos esperar uma data no ano para Atos de compaixão e solidariedade, aprender que a capacidade de se colocar no lugar do outro e pensar: “e se fosse comigo? antes de ser realizamos qualquer atitude deve ser uma busca constante.
Aos meus amigos e familiares e pessoas que me seguem desejo boas festas e que o amor de Cristo nos guie e nos inspire, não apenas hoje, mas em todos os dias de nossas vidas.
Existe uma beleza dos relacionamentos que parecem mais distantes da geração atual, que reside na decisão consciente de alguém em permanecer ao seu lado, mesmo quando têm a liberdade de explorar outras opções e caminhos na vida, pois nesse mundo contemporâneo onde somos constantemente apresentados a uma ampla gama de opções e oportunidades, quem opta por permanecer fiel a um caminho ou a uma pessoa, demonstrar coragem e maturidade ao assumir responsabilidades que dão significado às nossas escolhas
Ao celebrar mais um ano de vida, é como se estivéssemos adicionando um novo capítulo ao livro da nossa jornada. Cada página virada nos traz experiências, desafios e conquistas que moldam quem somos. Embora tenhamos o livre arbítrio para escrever nossa própria história, é importante lembrar que Deus também está disposto a nos usar como instrumentos em Suas mãos para criar algo magnífico. Devemos ter fé para permitir que Ele seja o autor principal de nossa história, guiando-nos em direção ao que é melhor para nós.
O processo de autorrealização envolve uma autoavaliação de si-mesmo sem deixar que influências externas e comparações com outros interfiram naquilo que temos como essência única que nos tornam diferentes, é uma busca interna e pessoal para atingir a felicidade e a plenitude.
Neste dia de luz e alegria, uma homenagem com amor e poesia, A mãe que nos guia, com doçura e valentia, És a estrela que brilha, nossa eterna melodia.
No teu colo, encontramos abrigo, Nas tuas palavras, sabedoria e abrigo, Mãe, és o sol que aquece nosso abrigo, Com ternura e força, enfrentas cada perigo.
Teu amor é um laço que nunca se desfaz, És a razão de nosso sorriso e paz, Mãe, és a flor que desabrocha na primavera, Feliz Dia das Mães
Às vezes, conexões são como pontes invisíveis que nos permitem atravessar para o desconhecido, nos guiando por caminhos não mapeados, onde a atração e a amizade são as luzes que iluminam a jornada, revelando assim um outro terreno a ser explorado mas que ainda, está cheio de incertezas e perigos.
...e nesse momento, percebi que nem sempre as emoções deve guiar nossas escolhas. Às vezes, é preciso ouvir a voz da experiência e da cautela, para que as decisões sejam mais sábias e menos impulsivas.
A vida é como uma viagem de trem que nos leva a um destino inevitável,
as vezes, ficamos tão focados nas estações que esquecemos de apreciar a paisagem mas devemos lembrar que a viagem é tão importante quanto o destino final, então aproveite cada momento, mesmo nas paradas mais simples, pois são as paradas ao longo do caminho que nos moldam e nos ensinam.
Às vezes,galhos se entrelaçam com os de outra árvore. E nesse encontro, há uma dança delicada entre sombra e sol.Mas acontece que, há uma necessidade de podar esses galhos entrelaçados para que ambos possam crescer livremente na necessidade de preservar a própria vitalidade.
Isso não é sobre Árvores......
Devemos aceitar que o tempo é tanto nosso amigo quanto nosso inimigo. Viver cada momento com paixão e gratidão nos transforma em heróis, desafiando o tempo. Assim, criamos uma história que ficará marcada, e talvez, ao observar essa dança, o próprio tempo sorria e nos deixe um vestígio de nossa jornada.
