Sinto a tua Dor
Louvo agora as núpcias do sarcasmo. Torno a minha dor, um fruto fiel do cinismo, convertendo minha vilania em versos, episódios célebres das vidas alheias.
O sigilo do luto no coração é como uma hemorragia interna que ninguém percebe... Mas a dor que vem dela , esgota o seu proprietário e pode levar à destruição.
Teu amor foi como uma borboleta
Bateu asas e voou
Já meu amor permaneceu
Junto de minha dor.
Dói não te ter, não te pertencer
Dói pensar que pude te perder.
Sinto sua falta
Saber que não sentes a minha
Fez-me uma infeliz, sozinha.
Meus sentimentos sempre demonstrava
Eu, boba, jurava que você ligava
Mas me enganei
E ainda assim, te amei
a muitas formas de descrever minha dor e minha angustia,mas o simples ato de sentir me corroi e me faz pensar, no fato de sofrer somente por existir.
A dor interroga a vida e suas certezas porque coloca a humanidade frente ao seu processo de viver o “não prazer”. Embora a dor seja uma experiência da carne, ela atua na alma e pode, pelo processo de expurgo, operar mudanças no espírito.
Falar sobre a dor dói porque ela sempre estará acompanhada por uma história de tristeza ou machucados.
Em tempos de pandemia, isolamento social e medo, a dor é uma sensação metafísica cuja manifestação se torna coletiva na medida em que o medo é coletivo, o desencarne ocorre de modo coletivo e a luta pela vida é uma incógnita coletiva.
O tempo é de consciência coletiva para melhoramento e amparo do espírito. A dor que lateja é um aviso e convite para melhoramento. A lágrima que cai individualizada convida a chuva a mostrar o sal da Terra.
Quando me reerguer a dor terá me ensinado a ser muito mais forte. E essa força que vem da dor tira da gente qualquer medo.
A culpa, sobre algo que tenha feito, é, quase sempre, prova de empatia. Sem culpa, sem dor, sem consciência.
A dor é uma experiência de desequilíbrio ao mesmo tempo que uma manifestação do universo mostrando a fragilidade humana. Todas as pessoas chegam à vida, quando por meio de parto natural, por um ato de dor. A mãe que espreme seu filho, que abre seu útero, que dilata sua genitália, trás ao mundo uma nova esperança de humanidade. O parto, sem interferência farmacológica, é um ato de dor cujo amor se revela pelo desavio de suportá-la. O parto é um ato de fragilidade.
Compreenda a dor, aquela escondida no peito por anos provinda de experiências vividas, que se manifesta nas palavras. Só haverá dor, onde houver vida!
Nascemos por meio do gemido de dor de uma mulher sendo esse som o substrato do rebento. Entretanto, a de se compreender que a dor do parto é anúncio, com raras exceções, de felicidade e realização.
