Simples
Muitos chamam de "paz" o simples fato de que a violência agora é administrada pelas instituições e não pelas mãos.
Minha conta é simples: uma única vida intensa vale mais do que mil anos de conversas vazias e sorrisos falsos. Se o paraíso é cheio de gente chata, prefiro que meu tempo acabe logo.
Ser atento ao ouvir alguém abrir o coração, admirar os mais simples atos de amor, elogiar sem segundas intenções e amar sem querer nada em troca, se é que é possível amar esperando algo. Dê valor ao que realmente merece sua atenção e o seu gastar de energia pois a vida é curta demais para terminar em palavras vazias.
... nenhum
vício torna-se menos
nocivo - sequer menos letal -
pelo simples fato de algunstramarem
reduzi-lo a uma inocente atividade
recreativa!
...uma relação de amor
nem sempre é fruto de simples
escolha - amor é percepção, é atração,
um resvalo de pele, o encanto
da diferença - afinal, somos desiguais,
embora, não em essência;
por vezes, amamos, mesmo
divergindo!
... sem as vitais
referências, pouco produzimos;
visto que uma simples referência
funcionará como um oportuno despertar,
uma antevisão de algo mais amplo e
produtivo que caberá a ti realizar...
Dito isto, abasteça teuespírito
de inspiradoras
referências!
Vencer não foi destino, foi decisão cotidiana, repeti atos simples até que virassem caráter, agora caminho com a certeza do que plantei.
A meditação sobre a cruz não é a simples lembrança de um patíbulo antigo, mas a revelação mais pungente da lógica divina, que o Amor, para ser completo, precisou do maior dos sacrifícios. Penso nas incontáveis glórias que adornavam a Divindade e na Sua voluntária renúncia a toda majestade, trocando o esplendor eterno pela fragilidade humana e, finalmente, pela dor do lenho ensanguentado, um ato de desprendimento tão radical que redefine o conceito de misericórdia. Não existe medida humana para calcular a profundidade desse abismo de Graça, é um amor que se fez ponte, custando a própria Vida, e que por isso exige, da minha alma resgatada, o tributo eterno.
De todas as fórmulas que tentei calcular para a felicidade, a mais simples era a única que funcionava: você. Minha razão silencia quando o meu coração te chama, e essa é a prova mais científica de que o nosso amor transcende qualquer lógica. Eu não quero mais desvendar enigmas, só quero me perder na certeza de que você me ama.
No fim, o que resta são rotinas que nos salvam do abismo. Rituais simples, um café, uma carta, um olhar, fazem ponte. Construo essas pontes com mãos gastas e coração atento. Elas não garantem paz eterna, mas oferecem travessia. E atravesso, sabendo que, por ora, já é suficiente.
O amor nasce simples como estrada de chão, cresce entre olhares contidos e promessas impossíveis, e sofre calado porque nem todo sentimento pode atravessar a cerca que separa o coração do destino.
O perdão que me salva é lento e sem lampejos. Ele se instala como casa simples, tijolo sobre tijolo. Não é espetáculo, nem notícia de jornal. É a rotina de admitir e soltar ao mesmo tempo. E aí a alma respira sem urgências.
As palavras que me consolam são simples e ásperas. Elas não prometem curas rápidas nem supostas verdades. Apenas nomeiam o que dói e pedem companhia. Quando as ouço, algo dentro acalma. E aprendo que companhia é forma de oração prática.
O abraço que me transforma é simples, sem afetação. Ele contém perdão e ausência de pressa. Sinto nele a possibilidade de recomeço. Alguns abraços valem bibliotecas inteiras. E por eles, continuo crente na bondade humana.
A poesia de um gesto simples salva reputações partidas. Um olhar demorado, um silêncio que não acusa. Pequenas misericórdias costuram roupas rasgadas. A bondade costuma ser costureira de almas. E eu aprendo a valorizar cada ponto bem dado.
A ternura que procuro é de origem doméstica. Não vem de placas nem diplomas, mas de mãos simples. Ela aparece em gestos que não pedem retorno. Quando recebo tal ternura, sou restaurado. E volto a acreditar em recomeços honestos.
Trago no peito a lembrança de um tempo simples, onde o riso corria solto e a vida cabia inteira na inocência de dois caminhos que ainda não conheciam despedidas. Éramos feitos de chão, de poeira e de afeto bruto, desses que não se explicam, apenas se vivem, como se o mundo fosse pequeno demais para nos separar. Mas o tempo, silencioso e inevitável, foi abrindo distâncias onde antes só havia presença, transformando parceria em memória. Hoje carrego comigo aquilo que ficou, não como peso, mas como parte de quem me tornei, marcado pelas ausências que ensinaram mais que qualquer permanência.
Porque existem laços que nascem lado a lado, mas o destino insiste em escrever em caminhos diferentes, deixando na alma a saudade do que poderia ter sido eterno.
- Tiago Scheimann
