Silêncio

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​Perdido entre o silêncio dos ossos secos e o eco de almas vazias, busco no norte o caminho do vento para, enfim, ter o ímpeto de navegar contra a correnteza que tenta me levar de mim mesmo.

Meu silêncio é transbordamento, não vazio. É o resultado de sentir tanto que nenhuma palavra parece suficiente para traduzir.

O silêncio da noite tem uma voz que só os insones conseguem traduzir, uma frequência de rádio que transmite apenas as notícias do que perdemos pelo caminho. É nessa hora que a escrita se torna o único radar capaz de localizar algum sentido no meio desse nevoeiro existencial.

O silêncio é o útero onde as melhores palavras são gestadas, mas é também o túmulo onde enterramos as coisas que nunca tivemos coragem de dizer. Eu vivo nesse intervalo entre o nascimento e o enterro, tentando parir frases que sobrevivam à minha própria morte.

A consciência não permite descanso completo, porque mesmo no silêncio ela continua ativa, revisando, questionando, reconstruindo, como se existir fosse um trabalho que nunca termina.

A justiça na terra não desce do céu como um raio de luz, ela germina em silêncio, como semente lançada em solo firme, cultivada pelas mãos daqueles que se recusam a ser cúmplices da opressão silenciosa. Cada palavra dita em defesa da verdade é mais do que um gesto humano, é como uma centelha de luz que insiste em brilhar mesmo nas sombras, erguendo, pouco a pouco, um lugar onde a dignidade não é apenas lembrada, mas vivida. Há uma voz mansa que sussurra no íntimo, convidando à retidão mesmo quando ninguém vê, lembrando que a verdadeira justiça começa no invisível, nos gestos pequenos e nas escolhas solitárias. Não espere por um julgamento final para ser justo, faça do seu próprio caminho um testemunho vivo, onde cada atitude carrega o peso de algo maior do que si mesmo, como se, em cada decisão, o eterno tocasse o instante.


- Tiago Scheimann

A dor me ensinou a falar uma língua que não se aprende em livros, uma língua feita de silêncio, de lágrimas contidas e de gritos que nunca encontraram eco e ainda assim, eu me tornei fluente nela.

Aprendi que Deus, às vezes, responde no silêncio, porque há verdades que só um coração quebrado consegue compreender.

O silêncio que hoje habita em mim já foi um grito desesperado que ninguém quis ouvir.

Há um silêncio dentro de mim que não é ausência, mas excesso de tudo que nunca pôde ser dito.

Há um tipo de silêncio que não é ausência de som, mas o peso exato de tudo o que deixamos de dizer para não desabar o teto sobre as nossas cabeças, é preciso aprender a morar nesse vazio sem medo de que as paredes comecem a gritar o nosso nome.

​Por trás de cada olhar frio ou de cada silêncio absoluto, existe uma batalha invisível que o mundo não viu acontecer.

​O silêncio mais pesado não é a falta de palavras, mas sim o de um coração que se cansou de pedir ajuda e decidiu endurecer.

Não é falta de força. É excesso de peso carregado em silêncio. São histórias que ninguém viu, guerras que ninguém nomeou, e ainda assim me cobram como se nada tivesse acontecido.

Nem todo silêncio é paz. Às vezes ele é o som mais alto que eu não consegui dar. É o acúmulo de tudo que ficou preso. É o eco de sentimentos sem saída. E o que não foi dito acaba vivendo, pesado, dentro de mim.

Tornei-me especialista em esconder tempestades. Aprendi a transformar caos em silêncio e dor em um sorriso suficientemente discreto. Talvez por isso tantos me vejam inteiro. Mal sabem o quanto já naufragou por dentro aquilo que aparenta firmeza.

Aprendi a sobreviver em terrenos áridos, onde o afeto era escasso e o silêncio, regra. Hoje, mesmo diante do amor, a leveza ainda me causa estranhamento, como se meu corpo tivesse desaprendido o descanso.

Existe uma parte de mim que ainda conversa em silêncio com tudo aquilo que perdi.

Existe um ponto da dor em que as palavras deixam de servir, e tudo o que resta é o silêncio contemplando as próprias ruínas.

Há em mim um homem que sofre em silêncio, observa com profundidade, recorda com saudade e reza com esperança. Talvez seja por isso que minhas palavras nasçam das cicatrizes: porque algumas dores só encontram descanso quando se tornam literatura.


- Tiago Scheimann