Shakespeare sobre o Amor Soneto 7
O amor nasce simples como estrada de chão, cresce entre olhares contidos e promessas impossíveis, e sofre calado porque nem todo sentimento pode atravessar a cerca que separa o coração do destino.
O amor que me cura não exige perfeição. Ele pede apenas coragem para chegar com as mãos vazias. Acolhe os termos e as condições sem contrato. E na simplicidade do gesto, tudo se transforma. Porque amor que exige pouco é o que mais dá.
Guardo um amor que perdeu o destinatário. Como não teve onde pousar, virou peso, virou verso e, por fim, virou parte de mim.
O amor, quando chega para alguém como eu, não entra pela porta da frente com flores, mas infiltra-se como a umidade nas paredes, gelando os ossos antes de se tornar parte da estrutura. É uma dor bonita, um jeito de sofrer acompanhado por alguém que também tem medo do escuro.
O amor é um exercício de vulnerabilidade que eu já não pratico com tanta frequência, por medo de que o que sobrou de mim não suporte mais uma decepção. Fechei as janelas do peito, não por ódio, mas para proteger as últimas velas que ainda insistem em não apagar.
O amor verdadeiro é aquele que permanece quando a beleza se vai e a saúde se despede, deixando apenas dois espíritos cansados se apoiando um no outro. É a caridade do olhar que não julga a falha, mas acolhe o que restou de humanidade no outro.
O amor é um hóspede barulhento que bagunça toda a casa da nossa alma e depois vai embora sem ajudar na limpeza, deixando apenas o cheiro de um perfume que odiamos lembrar. Mas, no fundo, a gente sabe que a casa vazia e limpa é muito mais triste do que o caos que ele causou.
A espera pelo primeiro amor não foi apenas tempo, foi vida doada. Foi a paciência de quem cultiva uma flor em solo estéril, acreditando que o amor, por si só, teria o poder de fazer brotar a reciprocidade.
Um amor transcende o outro. No final, a dor de não ser correspondido revela a nossa própria capacidade de amar além da lógica, de esperar além do limite e de sobreviver ao próprio naufrágio.
O amor-próprio não é um estado de espírito ensolarado, é um trabalho de mineração em solo rochoso, onde você retira os entulhos do que os outros disseram sobre você até encontrar aquela pequena pepita de verdade que diz: você ainda é digno de ser amado, apesar das rachaduras.
Eu acredito muito em um amor que vai além do formato do relacionamento. Para mim, o verdadeiro amor deve ser incondicional e livre de dependência, muito parecido com o carinho puro que sentimos por um filho. Mesmo que uma relação mude ou chegue ao fim, o que importa é guardar o respeito, o perdão e a gratidão por tudo o que foi vivido. Amar assim exige muita evolução e fé em Deus, pois significa escolher olhar para o outro sempre com carinho, independentemente dos erros ou do destino de cada um.
Sou grata por tudo, por todo o amor e por todo o cuidado. Que o Senhor me direcione no caminho certo, com novas escolhas e atitudes. Ajude-me a me tornar uma pessoa melhor, principalmente a orar do jeito certo, a reagir do jeito certo, e que me dê muita sabedoria. Quando tudo estiver errado, corrija-me, ensine-me o jeito certo. Quando eu estiver aflita, acalme o meu coração, porque o Senhor me conhece desde o ventre da minha mãe e sabe tudo de que preciso, mesmo sem eu precisar dizer. Quando algo que desejo não sair como esperado, que Tu, Deus, não me deixes desanimar diante das dificuldades.
O amor tem razão incomparável, mas não use os óculos para enxergar o seu significado, pois o olho nu pode enxergar a sua prática.
"O amor deixaria de ser um mistério para se tornar a única equação matemática onde um mais um resulta em um inteiro indivisível."
