Shakespeare sobre o Amor Soneto 7

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AMOR IMPRÓPRIO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Dilataste o teu flanco e formaste o deserto,
mas não vias o quanto avançavas tão fundo,
garimpavas um mundo pra ninguém te achar
e agora te perdes aos teus próprios olhos...
Conquistaste o vazio e do mesmo estás cheia,
diluíste o melhor das verdades mais férteis,
o teu chão está seco e rachou aos teus pés
onde a veia do sonho sangrou sobre o nada...
Teu amor ao espelho se quebrou por dentro,
tua fé no teu ego falhou ante a vida,
no desvão da ferida sulcada em teu eu...
Teu opróbrio é teu próprio desvão de caráter;
esse teu fanatismo por quem julgas ser
e não és a não ser que não sejas real...

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POR COISAS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Tanto amor escondido em silêncios perenes,
tanta paz postergada por brios insanos,
quanto passo espremido em assombros da estrada,
quanta cor jamais vista por olhos sombrios...
Tanto bem desprezado por bens ostensivos,
tanta luz apagada por medo do claro,
quanto céu não vivido no inferno da raiva,
quanta fé sem razão nas razões raptadas...
Tanto nada no fim dos que possuem tudo,
quanto tudo por nada que se justifique,
tanta morte causada pra tão pouca vida...
Tanta vida sem vida pra pagar a sorte,
quanta coisa por coisas tão somente coisas,
tanto sonho de quanto e quanto tanto em vão...

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POEMA DE AMORES

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Toda forma de amor tem seus contornos;
tudo cabe ao seu campo, justo espaço,
nada foge ao compasso do seu tom,
se não for por arbítrio natural...
Teu amor não é sempre o de quem amas;
há de haver desencontros de sentidos,
desmentidos de algumas emoções
cujos truques nos pegam de surpresa...
Pode ser que os amores ganhem vezes
onde as vozes destoam entre si,
porque mi pode achar o próprio sol...
Cada forma de amar tem sua fôrma,
mas os nossos farelos podem mais
do que sermos iguais pra sermos um...

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AMOR NO GELO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Serei sempre a presença disponível,
que desmente as ausências visuais,
a que mais se anuncia enquanto espera
em silêncio, recato e solidão...
Gritaria o teu nome a vida inteira,
como fiz tantas vezes, evoquei
a tu´alma dispersa, vaga e fria
como a lei que dispensa o coração...
Mas prefiro deixar que sintas falta,
que demonstres um laivo de saudade,
uma pauta composta por teu ser...
Direi sim, meu afeto é mais que brio,
minha história te conta pros meus dias
e pro fio do amor que não desligo...

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ENGENHOS DE AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Entendi que acabou, sei ouvir o silêncio,
auscultar a distância do teu coração,
dos teus olhos, teu corpo, desse nunca mais
e daquela emoção que forjavas tão bem...
Não entendo, entretanto, por que tudo aquilo,
por que tantas palavras, tantos desempenhos,
os engenhos de amor que jamais te obriguei
com chantagens, pedidos, truques afetivos...
Fui apenas quem sou e fingiste aceitar,
foram anos e anos de quem nunca foste,
mas querias provar a ti mesma que sim...
Mesmo assim tua faixa foi boa leitura
pros meus olhos, meu sonho, minha boa fé,
minha velha procura de alguém improvável...

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ILUSÃO?

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Tenho a ilusão de um tempo em que o amor e a integridade não sejam hipocrisia, e ninguém precise confessar que não presta, para ser verdadeiro, admirado e ganhar bônus para continuar não prestando.

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AQUELE AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Nunca mais repeti aquele amor
que me dava mais forças pra viver,
um torpor que acendia o corpo inteiro
e fazia sonhar com tudo eterno...
Fui feliz; de sentir que até doía;
de querer duvidar por precaução,
mas a minha emoção gritava forte
pra deixar a loucura ser maior...
Um amor que me deu raiz e chuva,
chão e sol pra florir e vingar fruto,
fez da uva o meu vinho precioso...
Foi a minha ilusão bem verdadeira,
minha beira de abismo rumo ao céu
que só pude alcançar naquele amor...

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AQUELE AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Nunca mais repeti aquele amor
que me dava mais forças pra viver,
um torpor que acendia o corpo inteiro
e fazia sonhar com tudo eterno...
Fui feliz; de sentir que até doía;
de querer duvidar por precaução,
mas a minha emoção gritava forte
pra deixar a loucura ser maior...
Um amor que me deu raiz e chuva,
chão e sol pra florir e vingar fruto,
fez da uva o meu vinho precioso...
Foi a minha ilusão bem verdadeira,
minha beira de abismo rumo ao céu
que só pude alcançar naquele amor...

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AMOR DE MARMITA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Desisti desse amor que se come por dentro;
não faz mal, não faz bem, apenas tanto faz;
tem a paz doentia de manter silêncio,
pois não tem mais remédio; só se remedia...
Um amor que se leva requentado a esmo,
remendando a paixão que perdeu seu tecido,
virou cinza e mornura que o vento digere
sob o tempo perdido em esforços baldios...
Se não largo esse osso, não sei explicar;
mas me canso do mar que não tem horizonte
ou do céu, que no fundo, é meu fundo do poço...
Já não quero comer esse amor de marmita,
como quem se conforma, não tem outro jeito,
come feito quem come sem fome ou sabor...

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O TEMPO DO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Aproxima-se a passos largos, o tempo em que não haverá rótulos ou nominatas para relações afetivas, sejam elas quais forem. Gays, trans, héteros, bis e outras afirmações de gênero serão coisas do passado. Coisas, mesmo. E do passado, realmente.
Nesse tempo, será simplesmente uma questão de amor. Nascerá o império do amor sem logomarca. Da liberdade responsável, porém sem dogmas, do ser humano que gosta do ser humano. Que ama o ser humano... faz amor com o ser humano.

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AMOR PROIBIDO

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Sei que nunca entendeste o gostar despojado,
minha fila de olhares e gestos contidos,
a canção do silêncio que vai nas palavras
entre tons comedidos pra conter deslizes...
Nunca tive projetos de me projetar
nessas águas que avisam sobre seu perigo,
fecho tudo comigo e sei me dar sem troco
e me sinto feliz, apesar de não ser...
Sempre fui esse fruto que não colherás,
mas respeito a recusa, quase te agradeço,
quero a paz de te amar sem temer o pior...
Só me deixes fingir que te sinto querer,
que não vais me morder, mas teu olhar me lambe
sem o risco formal de machucar o mundo...

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FANATISMO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

A distância do próximo se alarga,
pelo amor de matéria duvidosa;
pela carga de raiva dos opostos
ou da rosa dos ventos adversos...
Ninguém ama e respeita os diferentes;
preconceito é bandeira dos covardes;
rangem dentes os donos da verdade
mal forjada nos templos da mentira...
Quem confunde moral com moralismo,
tem a fé como ferro de ferir,
já morreu de mesmismo sem vacina...
Se lhes cabe algum céu é o céu da boca
duma noite sem lua e sequer céu;
fanatismo já é o próprio inferno...

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Amor à vida

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Levo a cabo,
acabo
o que começo.
Sempre luto
pra que o luto
não perdure.
Minha testa
só atesta
o que sou.
Eu contesto
com texto,
preguiça
de viver.
Tenho tudo
que tudo
me reserva,
porque nada
nada
em mar de rosas.
Sei que sei
bem menos
do que penso
que sei que sei,
tenho medo
é do medo
de saber.
E tenho a paz
como pás
pra enterrar
o mau humor.
Meu amor
pela vida
cata espinhos.
Mas logo rio
do rio
de lágrimas
que choro.
Trago a flor
à flor
de cada poro.

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AMOR À PARTE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Fui à última instância de crer nos teus olhos
e de crer nos meus olhos como tua crença,
minha imensa esperança num afeto extremo
sem a mancha do medo nem da precaução...
Quis viver algo à parte, uma lenda sem fraude,
um amor com poder sobre todos os mais,
pela paz da não jura e do não compromisso
nem do certificado de laço exclusivo...
Inventei uma troca de silêncios férteis
entre jogos de olhares que diziam tanto
ao encanto exclusivo de gestos secretos...
Só queria te amar sem trair convenções
ou ferir corações com raízes no meu
que não tem o direito de roubar o chão...

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AMOR DE FESTIM

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Eram tão exaltados
o teu amor de festim,
a tua louvação,
que hoje não nego:
conquistaste meu ego;
não o meu coração.

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AMOR

Demétrio Sena, Magé – RJ.

O amor não é
um bem de compra,
troca e reclame...
jamais me ame “também”...
ou simplesmente
me ame...

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ARQUIVO MORTO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Um amor que não sei com quem usar,
porque já me cansou essa procura,
feito cura que agora me adoece
de sem dor e sem dar o que acumulo...
Quero alguém que meus olhos possam ver
dentro e fora, por todas as vertentes;
desde os dentes a todos os sentidos,
para ter uma história bem escrita...
Tenho amor nos meus poros, nos meus eixos,
na minh´alma e na caixa do meu peito,
neste jeito que até me desabona...
Mas não tenho a quem ter e ter certeza
de que valem as penas de uma troca;
cada riso e tristeza de uma vida...

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AMOR ENGANOSO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Houve quem me fizesse descrer nesse amor
que se jura e confessa com fogo nos olhos,
vem na flor dos sentidos e grita no corpo
feito alma de fora; coração exposto...
Alguém veio e desfez o paraíso em mim,
trouxe o fruto enganoso e me fez devorar,
pra no fim da ilusão me diluir no caos
desta paz fria e triste que secou meu chão...
Tive quem atestasse que tudo é mentira,
mesmo quando é verdade que o lábio supõe
aos ouvidos carentes da certeza incerta...
Foste o sonho que veio pra me despertar
e saber que o amor só foi pena cumprida;
minha vida está livre desse desengano...

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CIDADÃO DO MUNDO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Ser humilde, mas nunca ser ovelha;
ter amor sem perder o próprio brio;
concordar, discordar sem me trair,
sem cair nas amarras dos mandantes...
Tenho lado, partido, às vezes crença,
mas me livro, descarto e digo basta,
quando menos se pensa em meu poder
de pensar e sentir por conta própria...
Quero ser o que sou, mas no caminho,
posso estar, trocar pele, até conceitos,
deixar ninho e voltar se assim quiser...
Sei rasgar os padrões e os uniformes;
desmentir os informes, as cartilhas
da direita, da esquerda e do volver...

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LIRA FUGAZ

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Dei amor sem amar; isso teve o seu preço;
entreguei um vazio que forjou essência;
tive tua fé cega num guia de gesso,
pela funda ilusão de vencer a carência...

O que fui para ti foi um caso de urgência;
fui ficando, e depois, me tornei endereço;
me deixei dominar ou cedi à dormência
e meu fundo sem alma se deixou do avesso...

Dei assim, sem doar, o melhor dos empenhos;
os carinhos e beijos foram meus engenhos
de levar uma vida que julguei a dois...

Mesmo assim fui sincero na minha mentira,
na canção passageira da qual foste lira,
mas mostrou, desde antes, não haver depois...

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