Shakespeare sobre o Amor Soneto 7

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Soneto das Línguas do Ser




Em cada língua, um tom da consciência,

um modo do infinito se dizer;

no inglês, a mente em fria reverência,

no russo, o abismo aprende a renascer.



O italiano canta em transparência,

faz do divino um gesto de prazer;

o chinês respira a impermanência,

e o verbo volta ao nada, sem sofrer.



O português? É carne e transcendência,

onde razão e alma vêm beber;

é ponte entre o corpo e a existência,

eco de um Deus que tenta se entender.



Pois toda língua é um espelho do espírito —

e o homem fala pra lembrar o infinito.

"Um soneto verdadeiro soa no ar
como a voz de quem ama as rosas
antes mesmo de toca-las."

Soneto para Narraly


Narraly, não te escrevo por urgência
Nem por promessas fáceis de sentir
Te escrevo pela calma da presença
Que fez meu mundo, aos poucos, ir sorrir


Foi só um beijo e isso foi bastante
Um gesto simples, cheio de intenção
Depois, a noite quieta, elegante
Guardou no silêncio a admiração


Dormir ao lado e nada exigir
Foi jeito claro e sincero de querer
Respeito também sabe construir


Se algum dia teus passos me escolher
Estarei aqui, sem pressa de pedir
Com tempo, cuidado e vontade de te conhecer

Soneto da flor


Um dia eu amei tanto uma flor
Que tive que me afastar dela
Um dia eu fiquei tão triste
Que a dor, eu já não sentia mais


Uma noite eu lembrei da flor
Que era linda, mas não era minha
Que amar era perder
Que a flor precisava crescer


Um dia eu amei tanto uma flor
Que eu senti a dor
Que tive que me afastar dela


Que amar era carregar a dor
E não ela, a flor
Eu tive uma flor, amei ela

Soneto do primeiro dia


É hoje, meu primeiro dia.
O que carrego ?ansiedade? Alegria?
Vamos começar novamente?
O começo é o fim de algo.


E perder dói. Toda perda tem ganho?
Eu vou começar agora, não importa.
Começar é decidir, agir, ser livre.
Todo dia é um começo e um fim.


O fim do dia é o começo da noite.
Quem se vai, fica, pra sempre.
O começo da dor é o fim da alegria.


Eu escolhi começar novamente.
E cada dia é uma escolha nova.
Cada dia é recomeço, um novo dia.

💔 Um Soneto da Ausência Desvanecida
A respiração se prende, e agora a verdade é clara:
A fachada brilhante acabou, o amor terminou.
Encaro o silêncio que guarda o medo,
E descubro que não sou um amante arruinado e abandonado.
Pois neste espaço árido, devo atestar,
A crença fundamental que arrefece o fogo do espírito,
Aquilo que lamento, embora outrora uma busca sussurrada,
Nunca foi real, portanto o amor nunca existiu.

Foi uma troca de anseio, imperfeito e breve,
Uma dívida fantasma da qual o coração não pôde escapar;
A dor precede e permanece como principal,
E a solidão veste a forma exterior da paixão.
Assim, neste quarto vazio onde as sombras se encontram,
Amor e solidão são sinônimos, doce,
Pois amar é dar o que não se tem
a alguém que não o quer, gravar
Um vazio sobre outro vazio e chamar-lhe graça.

⁠Soneto de Oitenta e Um

Em Tóquio, ergueu-se o sonho em chamas vivas,
Zico guiando o manto à imensidão,
Com passes, gols, jogadas tão altivas,
Fez do Brasil o dono da emoção.

Leandro, Júnior, Adílio — obra-prima,
Andrade, Nunes, raça sem pudor,
Na terra do sol, brilhou nossa rima,
Calou o Liverpool com seu fervor.

Foi mais que um jogo: foi libertação,
A taça do mundo em nossa mão,
A glória eterna em rubro-negro tom.

E desde então, a história eternizou,
O mundo viu o quanto o Mengo é bom,
Oitenta e um: o ano que não passou.

Edson Luiz ELO
Rio de Janeiro, Dezembro de 1981

Soneto da Viagem Insólita


Parti sem mapa algum, sem direção,
levando apenas sonhos na bagagem;
o vento foi meu guia na paisagem
e o tempo, companheiro da canção.


Cruzei desertos feitos de ilusão,
subi montanhas feitas de coragem;
aprendi que a vida, em sua passagem,
é ponte entre o medo e a superação.


No estranho descobri o que eu buscava:
um mundo que em silêncio me ensinava
que o rumo nasce dentro do viajante.


E assim segui, sem pressa e sem destino,
pois cada passo, mesmo repentino,
faz do caminho o mestre mais constante.

Soneto do Querer Impossível


Às vezes, o impossível se faz mais denso,
quando o desejo insiste em florescer;
é como o vento preso no silêncio,
lutando contra a noite pra viver.


O sonho é chama tímida e intensa,
que arde mesmo quando falta o que ter;
pois na arte de querer, tudo compensa,
e até o não se dobra ao nosso ser.


Mas há mistérios que Deus guarda e vela,
horizontes que o tempo quer tecer;
e o coração, por mais que se revela,


só alcança aquilo que aprende a entender.
No impossível mora a força mais bela:
a fé que move o mundo sem se ver.

Soneto do Ineditismo Vivo


O mais gostoso da vida é o ineditismo,
o que nasce puro, sem ser prometido,
um clarão súbito entre o céu e o abismo,
que acende o peito e desperta o sentido.


É no instante novo, em pleno improviso,
que o coração rompe o seu próprio tecido;
pois cada gesto raro é também um aviso
de que o viver só cresce no não repetido.


Há quem tema o novo e abrace o já sabido,
mas nós buscamos o encanto escondido
naquilo que surge sem pedir permissão.


E assim seguimos: quem prova o inédito,
descobre que a vida, em seu íntimo estético,
revela o eterno no instante em criação.

Soneto - Refúgio da Inocência.


Enquanto o mundo ruge em desespero,
perdido em sua própria agonia fria,
aqui, num canto terno e verdadeiro,
duas crianças brincam em harmonia.


Alheias às dores que o tempo inteiro
consomem a paz que o homem desafia,
entre trens de madeira e o sol ligeiro,
a luz da tarde em ouro as envolvia.


E nessa cena simples, delicada,
a inocência repousa, soberana,
erguendo um gesto puro contra o mal.

1° Soneto: A Voz Interna


Visão Embaçada


Oh não... Estou caindo.
Gritando até rasgar o peito.
A minha visão sumindo,
Revela-me que não há outro jeito.


Tudo o que tenho feito
Não terá nenhum sentido.
Sei que só tenho vivido
Acreditando ser imperfeito.


Agora não há mais
Como voltar atrás
E escolher outro caminho
O meu futuro está longe demais
O meu presente, agora, tanto faz.
Estou me afogando sozinho.


Tsharllez Foucallt.

Soneto: Estrela 1°


Fio Cintilante


O seu colo é o meu porto
Que deito e durmo quando preciso.
A minha paz encontra-se no sorriso,
Que vejo em você e até fico absorto.


O sol no declive de sua vida
Não poderá igualar-se a ti,
Na maior explosão que ele expelir
Não chegará ao seu brilho, querida.


A sua coragem, força, proeza, dedicação...,
E a sua imagem com clareza e ação
Tem o poder de me impor contra o mundo.


Mesmo juntando todo o tempo num segundo,
Até tornar-se tudo num ato fecundo
Não haverá outra tão bela em perfeição.


Tsharllez Foucallt -Pierre Ferraz.

O Soneto da Hora


A hora passa,
A vida em massa,
O tempo voa,
A alma à toa.
O relógio bate,
O peito late,
No silêncio,
Do momento.
A sombra cresce,
O dia esquece,
De quem ficou.
Na escuridão,
Só o coração,
Que não parou.

O Soneto do Fim


A luz se apaga,
A sombra vaga,
O dia finda,
A alma ainda.
O tempo corre,
A vida morre,
No chão de pedra,
Onde o mal medra.
É o fim da lida,
Noite esquecida,
Sem mais alento.
Na escuridão,
O coração,
Vira só vento.

O Soneto da Noite


A noite chega,
A luz se nega,
O medo vem,
Não há ninguém.
O vento frio,
No som do rio,
Traz o temor,
De um velho horror.
A sombra invade,
Pela cidade,
Todo o clarão.
Só a memória,
Conta a história,
Na escuridão.

Soneto abusivo


Pare de frescura e leia logo esse poema!
Mas dessa vez, ao menos vê se lê direito!
Leia... Sem essa de querer procurar defeito!
E vê se dessa vez, ao menos se atente ao tema!


Sem melindre, ninguém tá nem ai pro seu problema,
te falo verdades pro seu bem... Não por desrespeito...
Eu te amo... Entenda que esse é meu jeito!
Faço tudo por você! A verdade lhe ferir é meu dilema.


Não venha com choramingos, choramingar choramigalhas!
Apesar de você ser assim: lerdinha... Cá estou eu...
Convivendo e perdoando suas inúmeras falhas!


Nunca faz nada direito, depois reclama do que colheu...
Então faça o que eu mando, sem usar desculpas canalhas!
E quem não gostou do texto... Certamente nele se reconheceu.

Soneto para Parintins


Minha terra é bonita
Outra terra igual não há,
É o melhor lugar do mundo
Pra viver e amar.


Se eu pudesse escolher
Um lugar para morar
Tenho toda a certeza
Que eu não iria te trocar.


No interior tenho o rio e a floresta
Criações, plantações, caça e pesca,
Na cidade tenho uma casa para morar.


O que mais posso precisar?
Só me falta uma palmeira
Pra cantar o sabiá.


Autor: Silvano Pontes.
Amazonas em poesias.

⁠SONETO DAS PESSOAS


Há quem carregue o sol no próprio olhar;
Mesmo vivendo dias de tormenta;
Há quem transforme o simples caminhar
Na mais bonita forma de ser lenta.


Pessoas são jardins em movimento,
Mistério que ninguém pode medir;
Algumas passam como leve vento,
Outras permanecem sem partir.


Por trás de cada rosto há uma história,
Uma batalha oculta e silenciosa,
Uma lágrima guardada na memória.


Por isso a bondade é sempre valiosa:
Quem espalha amor constrói sua vitória
Na alma de uma vida generosa.


Autor: Sandro Sansão da Silva Costa

SONETO DO CÉU EM TEUS OLHOS


Não te considero deusa ou fantasia,
Nem estrela distante a cintilar;
Vejo em ti a mais singela poesia
Que o destino permitiu encontrar.


Não és um sonho feito de perfeição,
Pois és humana em teu jeito de viver;
Mas teu carinho toca o coração
Como a aurora ao amanhecer.


Quando caminho ao teu lado, em paz serena,
O mundo perde o peso e o desengano;
A dor se afasta, a esperança acena.


E então compreendo, sem qualquer engano:
Não és deusa, nem rainha, nem pequena.


és só verdade que em mim se faz serena,
Presença viva que o destino ordena.


Autor: Sandro Sansão da Silva Costa