Shakespeare sobre o Amor Soneto 7

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Até que ponto aquilo que o Estado considera verdadeiro pode ser convertido em poder jurídico sobre os indivíduos?

Quando uma convicção sobre a verdade deixa de ser conhecimento e passa a funcionar como instrumento de poder?

Até que ponto aquilo que julgamos saber pode legitimar o poder de decidir sobre aquilo em que os outros devem acreditar?

Uma lei pode obrigar o corpo; jamais deveria reivindicar propriedade sobre a alma.

Toda certeza absoluta sobre o desconhecido deveria começar com uma pergunta.

O Estado que pretende conhecer a verdade última sobre o homem corre o risco de esquecer que também é formado por homens.

A dúvida não destrói a razão; impede que a razão se transforme em autoridade sobre aquilo que desconhece.

A tolerância começa quando o poder reconhece que não possui jurisdição legítima sobre a consciência simplesmente porque possui força sobre o corpo.

As emoções não são inimigas da razão; elas também contêm avaliações sobre aquilo que consideramos importante e podem influenciar a compreensão jurídica da pessoa.

Talvez a questão mais importante sobre aquilo que não identificamos no céu não seja o que está lá, mas quem possui o direito de decidir o que podemos saber sobre isso.

A soberania envolve também o poder de decidir sobre situações excepcionais.

A fragmentação moral moderna dificulta o acordo sobre fins comuns.

As pessoas compreendem suas escolhas também através das histórias que contam sobre suas próprias vidas.

Culturas mudam também através de transformações nas ideias sobre o que é digno de respeito.

Nossas identidades são parcialmente construídas pelas histórias que contamos sobre nós mesmos.

Enquanto os homens disputam interpretações sobre o mundo, a natureza continua produzindo seus efeitos indiferente às nossas narrativas.

Cada indivíduo contém, em sua singularidade, uma espécie de processo completo sobre a condição humana.

A maior forma de liberdade talvez seja não permitir que terceiros detenham jurisdição sobre nossa consciência.

Conhecer é ampliar o território da consciência sobre aquilo que antes permanecia sem explicação.

Nenhuma teoria sobre o homem deveria ignorar o homem concreto que existe por trás da abstração.