Shakespeare sobre o Amor Soneto 7

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A ciência pode demonstrar que determinada afirmação sobre a natureza é falsa sem demonstrar que toda experiência religiosa seja falsa; entre uma conclusão e outra existe um território que exige cautela.

A ciência pode informar o Direito sobre riscos biológicos, climáticos ou tecnológicos; o agnosticismo lembra que modelos científicos também possuem margens de incerteza.

Quando uma afirmação religiosa sobre o mundo físico pode ser testada, ela entra no território da ciência; quando não pode, sua avaliação exige outra linguagem epistemológica.

Toda semente contém, em silêncio, uma hipótese sobre o futuro.

Toda travessia começa quando o medo deixa de exercer soberania sobre o destino.

A razão não reina sobre o homem; muitas vezes apenas redige, em linguagem lógica, os decretos secretos de suas paixões.

A imaginação constrói pontes sobre abismos que a razão reconhece, mas que a vida cotidiana não pode esperar que permaneçam sem travessia.

Viver é agir sobre probabilidades enquanto a consciência sonha com certezas que a própria realidade não prometeu.

A aliança no dedo pode simbolizar a permanência, mas nenhum metal possui jurisdição sobre a impermanência do coração.

A ignorância confessada é intelectualmente mais nobre que uma certeza construída sobre evidências inexistentes.

A existência guarda forças que permanecem invisíveis enquanto apenas pensamos sobre a vida; certas verdades só aparecem quando finalmente nos arriscamos a vivê-las.

O ódio alimenta-se da própria chama que pretende lançar sobre o outro; somente quando renuncia ao incêndio encontra a possibilidade da paz.

A consciência não paira sobre as coisas como um espectador; ela se compromete com o mundo através da espessura concreta do corpo.

Antes de possuir uma teoria sobre o mundo, já estamos lançados dentro dele, respirando sua presença e suportando sua resistência.

O Direito procura a justiça entre os homens; a ciência procura evidências sobre o mundo. Confundi-los é tão perigoso quanto separá-los completamente.

O Estado laico não precisa ser ateu; precisa apenas não transformar uma hipótese sobre o absoluto em obrigação jurídica para todos.

Quanto maior o poder de uma afirmação sobre a vida alheia, maior deveria ser a exigência de evidência para sustentá-la.

O fanático tem uma vantagem sobre o filósofo: nunca precisa conviver com a angústia de não saber.

O caráter não se revela plenamente nas declarações que fazemos sobre nós mesmos, mas nas escolhas que permanecem quando desaparecem as conveniências que sustentavam nossas palavras.

A certeza sobre o que existe além de nós exige mais do que percepção: exige fundamentos capazes de resistir ao interrogatório da razão.