Seus Olhos Verde Mar

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A multidão: esse enorme pedaço de monstruosidade que, considerada a partir dos seus elementos, parece feita de homens e das criaturas sensatas de Deus; mas, considerada como um todo, forma uma enorme besta e uma monstruosidade mais horrível do que Hidra.

Julga-se um homem tanto por seus inimigos quanto por seus amigos.

Os costumes daquele que não fala convencem-nos mais do que os seus raciocínios.

Uma boa frase cria a sua verdade. É por isso que os políticos escolhem meticulosamente os seus slogans para criarem a deles.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Pensar, Bertrand, 1992

O homem é impaciente nos seus desejos.

O casamento que se faz entre os homens e nós deveria fazer-se entre os seus pensamentos e os nossos; era essa a intenção dos deuses; ela não foi concretizada e aí está a origem da imperfeição das leis.

É devassa essa mulher
que seus sonhos expõe
quando abre a vidraça?

Insegurança Nacional

A sub-secretária inclina-se para a frente e desenha um X
e os seus brincos balançam como espadas de Damocles.

Como uma colorida borboleta é invisível contra o chão
Assim o demónio funde-se com o jornal aberto

Um capacete desgastado por ninguém ganhou poder
A mãe tartaruga foge voando por debaixo da água.

No Brasil, a insinuação do fascismo, da violência com as armas, jamais poderão resolver os problemas dos pobres e sofredores.

A arte fala e ninguém quer ouvi-la.

Onde não há caminho, não há espaço para a liberdade.

Não tenha medo daqueles problemas que causa-lhe angustia. Sobretudo aqueles que estão dentro de si gerando o desespero e a falta de esperança. Mantenha a sua fé na misericórdia de Deus, porque a mesma pode devolver a beleza da sua vida e fazendo florir um novo caminho.

Liberdade não tem nome. Mas, quando é alcançada essa tem um nome.

Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te, sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso.
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura.
Nesta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.

E, quando socorreste um miserável,
Eu que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudável.

«Ela aí vem!» disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, - talvez não o suspeites!-
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.

Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça.
Uma turba ruidosa, negra, espessa,
Voltava das exéquias dum monarca.

Adorável! Tu muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado;
Avultava, num largo arborizado,
Uma estátua de rei num pedestal.

Despertam-me um desejo absurdo de sofrer

⁠A política é para os políticos; a arte é para os artistas, a poesia é para os poetas, mas a ética é para todos.

A arte é uma ideia que nos move

A vida é um mistério e só será entendida através da arte.

O artista pinta a si mesmo, pinta a sua própria alma.

Pintar uma obra de arte é um pintar-se a si mesmo.