Ser eu
eu estive tentando ser eu, mas já faz um tempo que me colocaram dentro de uma caixa fechada; eu não vejo a luz do sol brilhar...
–eu só queria voar
Não éramos pra ser. Eu soube disso desde o primeiro dia em que bati meus olhos nos seus. Sei que você também sentiu isso, mas por algo que eu não saberia explicar, queríamos. Queríamos muito tentar dar certo sem que nenhum de nós dois saíssemos machucados, mas foi inevitável. É como se nossos corações fossem dois imas nos puxando um para o outro, mas no tempo errado e da maneira mais cruel que existe. Dois imas lutando contra o tempo, dois corações lutando contra eu e você. A gente precisava ir embora e por amor eles queriam que a gente ficasse. Deve ser porque o amor é isso, né? Ele quer muito ser sentido agora mas o fato de só sentir não foi o bastante, era preciso ficar e por isso doeu, a gente não podia.
Mas isso não significa que não existiu amor, alias, isso foi o que mais existiu.
DA DESIMPORTÂNCIA DO SER
Eu vi um voo sem pássaro!
Partiu de uma ramagem inexistente
E não podia pousar.
Era um voo inocente,
Que se adentrou pelo mar.
Mas o lixo marinho impedia o descanso.
No lixo da terra, não caberia,
Pois havia muita gente,
Comendo do lixo da vida.
Eu vi um escravo sem senhor,
Extraindo o ferro da terra,
Para fazer seus grilhões!
Esmurrava pensamentos,
Atacava filosofias,
Suplicava por sofrimentos!
Senti o perfume de flores ausentes,
O vento da calmaria,
E o sol sem raiar o dia.
Eu vi um futuro sem mundo!
Foram tantos os erros dessa gente,
Que Deus se sentiu impotente.
Sérgio Antunes de Freitas
Fevereiro de 2022
E eu havia enchido de dores, me afogado em amor; sentia a falta de algo: eu mesma.
Quero ser eu, não mais uma cópia dos seus antigos amores.
Se eu fosse escolher o que eu queria ser , eu não seria eu
Eu seria a brisa do verão
O frio do inverno
A folha que cai
A flor que floresce
O sol que aquece
Eu seria o riso
O choro
O vento
O esquecimento
Eu controlaria o tempo
Mas..tudo tem seu momento
Eu queria ser tantas coisas que nem dá para contar
E nada me impede de sonhar
E nessa estrada sombria e fria eu continuo a caminhar , e eu mesmo vou me guiar
Não sou perfeito,
Não sou príncipe,
E não quero ser,
Quero ser Eu mesmo,
Se não gosta assim,
Me deixa seguir que te deixo seguir.
Mas por favor não queira me mudar.
Deixa que a vida se encarrega de fazer as mudanças necessárias.
Estou tão cansada de não poder ser eu, reprimir tudo o que sinto está ficando cada dia mais insuportável. Estou apenas protelando, adiando o que foi dito pela voz do destino.
Flávia Abib
Como ser eu mesmo se a sociedade é o oposto do meu ser? Sinto-me como uma estrela em meia a escuridão.
SEM TÍTULO
Ora, pronto.
Justo a mim, coube ser eu: um poema sem título!
"SEM TÍTULO!" - já está me retirando algum prêmio sem eu nunca ter ganhado um.
Ora, sem título. Sem título não dá direção! Sem título pode ser... qualquer coisa!
Qualquer coisa que não tenha título, domínio, vida, cor.
Sou sem.
Queria ter um título bonito como os outros poemas têm.
"Carrossel", e a tratativa seria sobre, o giro da morte. O lento e colorido toque
suave da vida em Paris que te mata em praça pública.
Quem sabe, "Pégaso", e recitaria sobre um romance onde seus cabelos escuros me
lembravam a constelação que meu avô me mostrava enquanto um cheiro doce de bolo
quente de cenoura com cobertura açucarada de um chocolate pretíssimo (como era
possível aquilo? tal como a constelação, e seus cabelos...) invadia nossos
narizes, meu e de meu avô, apontados pra Pégaso.
"Sol". E escreveria qualquer besteira quente, laranja, tropical, caribenha com
alguma decepção terrífica em alguma parte. "As águas eram tão claras que deu pra
ver que tudo era dor."
Em "Acetona", eu diria como meus pais removeram todos os meus sonhos de esmaltes
coloridos, e é por isso que você nunca vai me ver fora de uma paleta terracota.
Em "Plot Twist", declamaríamos que, no início, eu era quase uma crônica e fui morto por meus pais, armados de acetona, que me dissolveu em um poema lírico
tenebroso.
Mas quando você me coloca SEM TÍTULO, os olhos que me percorrerem jamais vão
ter lido sobre a ilusão de Paris, sabido qual constelação meu avô me ensinou,
qual era o bolo de minha avó, a cor dos seus cabelos, o que a clareza das águas
caribenhas revelavam, qual arma meus pais usaram pra me matar, e qualquer
reviravolta minimamente interessante sobre ser crônico-lírico.
Não tenho nada a te oferecer
A não ser eu
Eu que sou inquieto
Eu que sou quieto
Eu que busco e mexo
Mexo com a cabeça que insiste em ficar
Ficar naquele lugar
Estranho
Não tenho nada além do eu
O eu que gosto
O eu que está aqui
Procurando nos eus
Eus de todos e de ninguém
Algo que nos tire do eu
Eu que sei
Que falta muito
Sei o barulho que faz
O barulho que não faz
Só mais um Eu
Mas o eu meu só pode ser teu
Se o eu meu
Poder partilhar o seu eu
E ai fazer um nós
Ver é saber o que você vai aprender a por no ato de tentar ser o que você não sabe o que vai ser. Eu te vejo.
Era outro -
Ah se eu pudesse não ser eu ...
Acreditem ... era outro!
Pois quem este me deu
deu-me à vida jaz morto.
E se estas pedras falassem
se este chão tivesse boca
talvez todos soubessem
que a minha vida é tão pouca.
E o porquê de ser assim?!
Se eu fosse fariseu
matava em mim
este peso de ser eu ...
Nem eu sou o que sou
nem sou o que queria
desta angustia a que me dou
vou morrendo dia a dia.
Ao ler a grande literatura, eu me torno mil homens e, mesmo assim, continuo a ser eu mesmo.
