Ser Capaz de ser Feliz

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Dentro de mim há muitos Eus,
Eles lutam igual aos gladiadores
De Roma em busca da tua atenção!

Na vida precisamos lutar por aquilo que acreditamos, dar o melhor de nós e por aqueles que amamos. Desistir Jamais!

A vida é uma eterna semeadura!
Se a colheita está ruim, hora de
mudar seus atos,

não espere por bons frutos se não
arar a terra.

Cuide da terra para seus filhos
poder semear em terra fértil.

A verdadeira colheita está na
renúncia dos frutos !

⁠Uma coincidência depois da outra nos trouxe até aqui.

⁠Estou amarrado há muito tempo, então não sei mais como me libertar.

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Maria Julia Paes de Silva
Livro: Qual o tempo do cuidado? Edições Loyola, 2004. P. 49

Nota: A autoria do pensamento tem vindo a ser erroneamente atribuída a Fernando Pessoa.

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Os Três Mal-Amados

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto
João Cabral de Melo Neto - Obra Completa

Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

João Cabral de Melo Neto
Poesia completa. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2020.

A vida não se resolve com palavras.

Bola de futebol... é um utensílio semivivo,
de reações próprias como bicho,
e que, como bicho, é mister
(mais que bicho, como mulher)
usar com malícia e atenção
dando aos pés astúcias de mãos.

O pior é perder a capacidade de tomar suas próprias decisões, de não ser capaz de fazer qualquer coisa sem precisar de ajuda.

uma vez pra sempre

É, eu encontrei, eu dei a sorte e encontrei ao ser encontrado por ela
Tão excelente personalidade de mulher
Tão digna, tão linda
Por dentro e por fora, a excelência feminina

Ela sim, a mais conspícua de 10.000
Mais excelente que muito ouro junto

Mais valiosa do que os corais

Mais excelente que o alicerce do mais poderoso castelo
Mais sábia que mil governantes
E a gente se conhece tanto, há tanto

E cada encontro é como tudo o que precisávamos

Então temos, um momento único e extremamente particular
Como se voássemos juntos nas asas de nossa perfeita ternura e amor
Mas, nosso tempo que pena, é tão curto, tão curto

Que não falamos uma palavra, como já sabemos de tudo (um do outro)
E só dá tempo de uma única expressão de afeto

Um olhar profundo, um abraço
Ou um beijo profundo
Mas só precisamos nesse caso, dar a mão e ir juntos pra casa

Sem preocupação e sem qualquer ansiedade

Não somos pecadores, somos das cenas dos nossos corações, os atores

Tocar nas tuas mãos acalenta o coração do homem que sou
Oh mais que delícias, vivo pelo teu amor
Eu me apaixono só de um primeiro olhar e em cada olhar me desfaleço
De amor

Oh toda a ternura que aplaca o calor!

(edson cerqueira felix)

Tudo em volta induz à loucura, ao infantilismo, à exasperação imaginativa. Contra isso o estudo não basta. Tomem consciência da infecção moral e lutem, lutem, lutem pelo seu equilíbrio, pela sua maturidade, pela sua lucidez. Tenham a normalidade, a sanidade, a centralidade da psique como um ideal. Prometam a vocês mesmos ser personalidades fortes, bem estruturadas, serenas no meio da tempestade, prontas a vencer todos os obstáculos com a ajuda de Deus e de mais ninguém. Prometam SER e não apenas pedir, obter, sentir, desfrutar.

Feliz a alma vulgar e rude que crê, e nem sempre sabe que a dúvida existe no mundo!

Apenas quem terminou a sua vida sem sofrimento pode considerar-se feliz.

O homem não é feliz enquanto o seu estorço indeterminado não fixar a si mesmo os seus limites.

Feliz o homem que deixa um bom nome.

Você nunca consegue o suficiente daquilo que você não precisa para torná-lo feliz.

Quem é o mais feliz dos homens? Aquele que valoriza os méritos dos outros, e do prazer deles tira alegria, até como se fossem dele próprio.