Ser Capaz de ser Feliz
O que é a vida?
O que vem a ser a vida?
A vida é um arame
Quase sempre farpado
Mantendo a gente de um lado
da outra parte do mesmo chão
é preciso ter Arte pra entender
Que a vida é uma vela
Quase sempre acesa
Que exibe
Bela, fraca e efêmera chama
Se atentarmos, veremos nela
Algumas lágrimas que rolam
Enquanto o calor à consome
e o tempo lhe apaga o nome
A vida é um poema
Quase sempre lido
Porém, quase sempre compreendido
Somente por quem escreveu
Cada um escreve o seu
e publica em seu próprio envoltório
A vela se apaga
Se parte o arame inglório
Misturam-se as palavras
do transitório poema
Escrevê-lo
É nossa pena.
O Castor constrói a barragem
A abelha faz colméia
A aranha teia
O ser humano, castelos de areia
Mas esse tal de ser humano é complicado
Quando abandona os castelos de lado
os pobres animas bem sabem:
contra esse ser desvairado
Nãe existe outro animal que tenha escudo
Um dia o cara vem e acaba tudo.
Existem coisas tão belas
tão raras, tão delicadas
Que chega a ser indizível
Aquilo que sentimos
quando a gente sente
Tem coisas que a gente sente
que é melhor não dizer
Pois nem tudo que é belo
é divisível
Pra ser incompreendido somente
é melhor então, guardar pra gente
Aguardar que amadureçam
Nos corações endurecidos
Ou então guardamos somente aqui
Onde sabemos
Que nunca serão esquecidos.
A cada vez que eu penso
Em deixar de ser quem eu sou
Imagino então outros três
A viver o que eu vivo
e fazer o que eu faço
Um deles não fala, nunca tem vez
O outro não pensa, tampouco se abala
e o terceiro tem nariz de palhaço
Acho que na verdade
Eu já sou os três
Em um concentrado
Ou um quarto
Que é sempre deixado de lado
Portanto
Se ninguém se importa com o que sinto
tanto faz
Vou deixar de lado o Mundo
e transmutar-me
em um quinto homem
daqueles que somem
naquelas horas em que o procuram
Aqueles que dele precisam
Vou tornar-me somente
O Mudo e esquecido
Homem invisível
Um nariz de palhaço flutuante
e seguir adiante
Nesta vida
Que dizem ser uma festa
Onde me oferecem aquilo que resta
Quando alguém me convida
Eu sonho em um dia
Ser e poder ser quem eu sou
E não apenas este
Que o Mundo me obriga a ser
Por menos que eu queira
Me obrigam a interpretar
e não me permitem viver
Eu tenho hora pra sorrir
e não posso conversar com qualquer um
Eu tenho hora pra dormir
Eu tenho hora pra falar
Eu não posso
Não me permitem amar a quem me odeia
E eu sou obrigado a amar
Quem me despreza
Eu tenho hora pra passar fome
Mesmo que eu nunca reclame da comida
Eu sou obrigado a viver esta vida
todo dia
Eu tenho que vestir o que eles mandam
Eu tenho que gostar do que eles gostam
Eu tenho que sonhar o que eles querem
Se eu gostar
Preciso gostar em segredo
Não posso apontar nenhum dedo
e dizer
Que era esta que eu queria
E não há nada que eu possa fazer
Além de sonhar escondido
Com um dia, que eu sei
Não vai haver.
Talvez às vezes você pense
Ser um nada, que não tem nada
Um nada que não conquistou nada
Talvez você pense de vez em quando
Que a sua vida não vale nada
Eu conheci algumas pessoas
Que trocaram tudo por nada
Por pensar que não tinham nada
E querem desfazer a troca
Pois descobriram
Ter entrado num buraco de minhoca
Mas o tempo
Toca o barco sempre em frente
Cada decisão errada
Será sempre anotada
No livro da sua vida
Que tem espaços demarcados
Pra escreverem
A entrada e a saida
E cada decisão equivocada
Ali
cada letra é lida
Pode acontecer
De algum nada
Valer muito mais que nada
E o seu arrependimento
Não valer nada
Suas palavras ditas ao vento
serão levadas
E a vida não vai responder
Nada.
Pode acontecer de um dia
Eu me tornar um fugitivo
Um homem procurado
Um complicado ser
Esquecido, odiado e abandonado
Porém, nesse dia
Eu ainda serei um homem
Mesmo que procurado vivo ou morto
Um ser humano desprezível e torto
mas vivo
Com toda certeza
Um dia todos nós seremos
Uma lembrança, uma simples fotografia
No colo de uma criaça curiosa
A perguntar quem fomos nós
E talvez o seu interlocutor
Não saiba ao menos responder
Seremos uma lembrança morta
Mas tudo isso não importa
Hoje ainda é outro dia
Hoje ainda é o dia de hoje
Não permita que ele fuja
Sem deixar nele sua marca
Pode ser que amanhã
O Sol não surja para nós
Não deixe nunca seu momento de lado
Os dias que se passaram
Sem que percebêssemos
Hoje, sem dúvida
Em nossos corações
São os mais intensamente procurados.
Quase sempre que saio de casa
Quase nunca levo a chave
Pode ser que em algum caminho
Eu encontre a nave que me leve
E nela esteja a chave de lá
Vou vivendo de alma leve
Até que ela se livre de mim
E que se lavre nos boletins da vida
Que a minha chegou ao fim
Pode ser, quem sabe
Que a vida se agrave
Até que o tempo escave em meu rosto
Muitas marcas dessa passagem
A cada vez que vou pra rua
Peço à chuva que lave-me a alma
E dê-me calma
E ponha lama eu meu caminho
Pra eu pisar
E que de preferência
Eu esteja descalço
Como eu fazia
Nos velhos tempos
de alegria e felicidade
Em que eu corria pelas ruas tortas
E as enxergava todas retas
A chuva e o tempo lavaram-me os olhos
Agora eu sei que é torto
Aquilo que é torto
E por isso nunca levo as chaves
Pois pode ser que não haja volta
E eu nunca mais precise
Abrir outra porta
De vez em quando, meditando
Eu suponho ser um pássaro
Ou um inseto voador qualquer
E saio por ai voando
Imaginando um Mundo melhor
Das paisagens que Deus me permite ver
Prefiro as da natureza
As manhãs orvalhadas e a vegetação
A imagem da Lua espelhada no Mar
Não há nada mais divertido
do que ver a branca luz refletida
dançando lentamente
Entre as coisas criadas por gente
Eu prefiro, indubitavelmente
A Imagem da Mona Lisa
A Poesia de Vicente de Carvalho
O brilho de limpeza muito pura
dos assoalhos simples e humildes
Mas nada se compara
Aos insetos caminhando sobre galhos
Procurando atalhos que os leve
ao bico de alguma ave
Ao fundo de tudo isso
O som suave da gaita e do violão
Os sorrisos dos meus filhos
Aline e Raul, Marina e Murilo
e o do meu irmão mais velho
A vida correndo sobre os trilhos
e voltando a mim mesmo,
em questão de minutos
Assim eu começo meu dia
Muito antes do nascer do Sol
Muito obrigado, Meu Deus!
Faça agora, enquanto é tempo
Quando escurecer, poderá ser tarde
A vida continua, mas não é contínua
Fale agora, enquanto há tempo
Este Mundo pode parecer concreto
Mas não existe certeza de nada
O escuro manto da noite existe
Escondido, sob o fino véu da madrugada
Hoje há Mundo, há luz, há vida, há tempo
O tempo é um novelo de lã
a cada momento mais desenrolado
Pode ser que amanhã
Não haja nada.
Amor, pra quê amar?
O que vem a ser isso?
É se doar, havendo ou não
Compromisso.
É sentir-se feliz
com qualquer gesto.
Nem sempre ter o que quis
e ser feliz com o que vem.
Amor não liga pra ouro
ou algo assim
É algo que dura até o fim
Mesmo que o fim venha antes
se for amor de verdade
Você há de amar distante
Mesmo havendo a liberdade
de não mais amar
O amor é algo
Que excede a própria vontade
Amar é saber onde é o Mar
e não ir lá
Sem um amor pra te acompanhar
Amar é ter um calo que dói
Suportar a dor e ir trabalhar
Amar é sentir
Saudade de quem viu de manhã
E sentir-se feliz ao rever
Amar
É sentir medo de perder
E jamais fazer segredo
desse amor
Amar é gostar
de alguém que existe
Mesmo que esse amor
às vezes seja meio triste
Se for amor, o amor insiste
Amor era algo escrito
Antes que a gente nascesse
Amor é como a flor do deserto
Que resiste
sem haver nada por perto
E cresce e vive, não desiste
e ninguém vê
Mas sendo amor
Existe, mesmo sem haver porquê.
edsonricardopaiva
Nem tudo precisa ser
da maneira que a gente quer
Pode haver coisa melhor
Se a gente der uma chance à vida
Talvez ela até nos surpreenda
Nem sempre a razão
está perto de mim
Pode sim, chover no deserto
A gente só não pode
desertar da vida
Apenas porque ela
Não cumpriu a nossa vontade
O destino nunca entra em nossa casa
e põe a verdade sobre a mesa
A melhor coisa que há na vida
É de manhã sair de casa
E quando voltar cansado
deixar a tristeza de lado
tirar do bolso
a pouca verdade que restou
E reconhecer-lhe a qualidade
Por saber
Que aquela sim, é a que vale
Pois foi você que a conquistou.
Às vezes tudo que eu queria
era apenas não ser eu
e nem ter esta vida que Deus me deu
e nem ser do jeito que fui feito
ser qualquer outra pessoa
e portanto, ser perfeito e gente boa
pois todos defeitos do mundo
existem apenas em mim
mas se eu não fosse eu
seria eu, de qualquer jeito
este ser humano ridículo e imperfeito
por melhor que fosse feito
então, talvez as coisas sejam assim
e tudo que posso dizer ao mundo
e que, se algo der errado
podem pôr a culpa em mim.
Se tens algo a realizar
não pense muito
vá e faça
é claro que tudo
deveria ser pensado
pesado, analisado,
medido e pesquisado
mas pense depressa
a análise, muitas vezes
rouba a graça
da realização
se fizer
sem prestar muita atenção
haverá muito mais chances
de te aproximares
daquilo que tens em mente
como a imagem da perfeição
sim, existem coisas perfeitas
feitas pura e simplesmente
de seguir a intuição
a maioria dos voos
que não resultaram
num pouso suave
foram realizados
por quem passou anos e anos
medindo e pesando e analisando
a nave.
Me disseram que na vida
Nada é eterno
Mas o que vem a ser Eterno
A paz lá no Céu
Ou o fogo no inferno
A vida da alma
A ausência da calma
A paz que se ausenta
ou será que eterna é a ambição
Que o fogo do inferno
Alimenta?
Eu queria voar todo dia
ao seu redor,
quando acordasse
Porém Deus não deu-me asas
poderia ser pior
Talvez minhas asas se cansassem
antes que meus olhos te vissem
Eu queria voltar pra casa todo dia
e te encontrar
Mas Deus não me deu uma casa
poderia ser pior
Talvez eu voltasse pra casa
e você tivesse se cansado
de me esperar
Eu queria saber escrever
poesia todo dia pra você
Mas Deus não me deu talento
pra satisfazer tua exigência
mas mesmo assim ainda tento
Juntando palavras
que ouço do vento
e o pouco de inteligência
que Deus me deu
Poderia ser melhor
Poderia acontecer
de o vento me trazer
o beijo misterioso
que trouxesse o alívio
de me levar para um lugar
aonde não existisse
qualquer lembrança
de você
Após um dia tão comprido
desperdiçando precioso tempo
que poderia ser melhor vivido
em tão curta vida
navegando sem certeza
se a faina diária
foi fielmente cumprida
apesar de ter mastigado
e engolido em seco
palavras invariavelmente
imperativas
proferidas por gente
normalmente desabrida
Eu queria só saber
quando haverá de chegar
a parte florida
desta vida escurecida
onde a gente vive
e sonha em caminhar
por uma estrada
que seja ao menos
levemente
colorida
Mas a cada vez
que olho o horizonte
parece mais próxima
a chegada
de uma estrada deserta
que me leva ao nada
e o final parece ser
o mesmo ponto de partida
aonde inicio-se
esta enlouquecida caminhada
talvez
as parcas flores
que eu não veja
sejam somente aquelas
que às vezes
as pessoas mandam
quando chega
o fim da vida
Espinhosa
Estrada florida
Homens são homens
não passam disso:
Homens
Querem ser deuses
Alguns se aproximam
Quando a condição
Sublimam
Mesmo assim
No fim
Não passam de homens
Comem
Dormem
sonham
conquistam
desistem
e morrem
como homens
às vezes
nem isso conseguem;
Morrer como homens
Viver como homens
e vão comendo
comida de homem
sonho de homem
conquista de homem
Ciência de homem
carências inerentes
à sua reles posição
de gente
Quando meninos
imaginam-se divinos
vivendo na Terra
o tempo e o vento
os consomem
um dia suas histórias
conquistas e glórias
de todas as memórias
somem
Negros, brancos
fortes, fracos
pés grandes
fracas vontades
pomos de Adão
herois ou não
às vezes acerta
na maior parte do tempo
Erra
outros organismos
bem menores que eles
presentes na terra
invariavelmente
os consomem
e todas as suas
conquistas de homem
Somem
Se Deus me permitisse
e prometesse ser atendido
eu lhE dirigiria hoje
um único pedido:
Pediria somente que somasse
os dias que ainda me restam
E dividisse ou doasse
Entre as pessoas que ainda precisam
ver prolongados seus dias
Neste mundo
E que depois me recolhesse
Agora, neste segundo
A outro lugar, aonde eu sentisse
Necessária a minha presença
Pois eu ando
tão cansado desta vida
Cansei-me
e meu cansaço ultrapassa
as ilusões desmedidas.
escondidas sob imensas
cortinas de fumaça
Te peço hoje, Meu Pai
Escute teu filho
e se eu merecer
Por favor
Faça.
Assim como as pedras
Não podem ser chamadas
de cidade
Minhas palavras eu sei
Que não dizem nada
Meus pés não fazem a estrada
Minha alma
há muito desenganada
já sabe que asas
Não significam liberdade
Palavras no alto da montanha
Ecoam
Há muito eu estou lá
gritando à toa
Saber escrever
Em linha reta
Não faz, nunca fez
e nem fará jamais
de mim um poeta
Silêncio e nem dinheiro
trazem paz
A luz do Sol
não faz o dia
Tentar achar a paz perdida
Não traz mais
Harmonia
em minha vida.
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