Sensibilidade Sentir

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Eu tenho que parar com essa mania de sentir falta e deixar eles que sintam a minha.

Mas para não sentir dor eu vou jurar ao último ouvido do meu universo o quanto você é descartável. O quanto sua molecagem não permitiu nenhuma admiração de minha parte.

Estranho é pensar que eu fui inútil por não ter conseguido fazer você sentir o mesmo por mim.

Quero não sentir nada. Quero descansar meu coração de saco cheio das minhas invenções e precisando se preparar para viver algo de verdade. Como será que é acordar e não esperar nada com o toque do celular, da campainha, do messenger, do e-mail, do ar, do chão? Como será que é sentir e gostar da vida pela sua calmaria e banalidade? Como será que é viver a banalidade sem achar que isso é banal?

Que volúpia não é sentir-se sinceramente abominável.

Eu quero o pensar-sentir hoje e, não, tê-lo apenas tido ontem ou ir tê-lo amanhã. Tenho certa pressa em sentir tudo.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Os sentimentos que você não consegue evitar, são os que você menos quer sentir. Não é?

Não tem nada que me deixa mais inteira do que sentir o medo de ser despedaçada.

Sentir saudades é absolutamente comum, mas entenda, o passado não volta mais. Olhe para frente.

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar

Irônico é a gente se sentir sozinho com mais de 6 bilhões de pessoas no mundo.

É preciso ter coragem para sentir medo.

Baby eu lamento, mas não tenho tempo de sentir as tuas dores, as minhas eu já não aguento.

Por um instante quis sentir falta de alguém, mas não consegui me lembrar de ninguém. Por outro instante quis inventar uma pessoa, mas eu era tão de verdade naquele momento que me faltou capacidade para ser enganada.

O sentir é um pensar extravagante.

O passado seria tolerável tão-somente para quem se sentir superior a ele, ao invés de ter de admirá-lo estupidamente, sob a noção da importância atual.

Posso de repente entender e não sentir.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crônica Facilidade repentina.

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É como mastigar bem devagar, sentir o gostinho incrível de tudo aquilo que te faz sofrer e, bem bonita, engolir sorrindo.

Eu e essa mania estúpida de sentir e não falar.

Que suave é o ar!
Como parece
Que tudo é bom na vida que há!
Assim meu coração pudesse
Sentir essa certeza já.
Mas não; ou seja a selva escura
Ou seja um Dante mais diverso,
A alma é literatura
E tudo acaba em nada e verso.