Seja Legal com seus Irmaos
Se os presídios se tornaram poderosas incubadoras de facções, talvez a prisão domiciliar seja só um jeito torto de afastar criminosos da pós-graduação.
Talvez um dos maiores riscos da Preguiça de Pensar seja nos apaixonarmos pelos que fingem que o fazem.
Num mundo onde quase tudo pode ser dito, mas quase nada escutado — talvez o bom ou mau-humor seja nocivo aos Donos da Verdade que não conseguem se despir da Toga do Moralismo.
Onde se fala muito e ouve-se muito pouco — o ruído é constante, e o humor se torna muito perigoso.
Talvez o bom ou o mau-humor sejam nocivos apenas aos donos da verdade, esses que vestem a toga do moralismo como se fosse um escudo contra qualquer desconforto.
Não suportam o riso porque o riso desarma, não suportam a ironia porque ela revela, e não suportam o espelho que o humor, em sua essência, quase sempre oferece.
Enquanto o mundo se divide entre os que falam e os que reagem, o ouvir continua sendo o ato mais revolucionário — e o rir de si mesmo, o mais Libertador.
Pois, para os que não conseguem rir de si próprio, as palavras perdem o dom de tocar para alimentar o vício de ferir.
Embora a morte que deixa quase todos impactados seja só a morte física — muitos depressivos vivem à exaustão, de tanto morrer a prestação.
Embora a morte que deixa quase todos impactados seja só a morte física — muitas pessoas depressivas vivem à exaustão…
De tanto morrer a prestação.
Vitimando corpos que seguem em movimento enquanto o espírito já se despede em parcelas invisíveis, abatidos por uma dor que o mundo insiste em não querer contabilizar.
A depressão é, talvez, a forma mais lenta, silenciosa e medonha de luto: o indivíduo se despede de si mesmo gradualmente, sem flores, sem velório, sem alardes…
E o mais triste é que, ao contrário da morte física, essa não desperta o mínimo de compaixão — desperta julgamentos.
Às vezes, é muito mais fácil ver só fraqueza e frescura onde só há cansaço mental, e desleixo onde só há desespero, do que praticar a empatia.
Talvez um dia, quando entendermos que o sofrimento do outro também tem voz, ouçamos os que morrem devagar, antes que seja tarde demais.
Bendito seja Deus, que teve o cuidado de escolher o 28.º dia de outubro — ou nada — para me favorecer com a graça de confiar-me àquele que veio para laurear meus dias e, por vezes, salvar-me até de mim mesmo: o Homem da minha vida!
A ti rogo toda sorte de bênçãos, em nome de Deus Pai, de Deus Filho e do Espírito Santo.
Sei bem que tu sabes, mas a minha eterna gratidão pela tua existência — e a certeza da finitude da vida — obrigam-me a repetir: te amo, filhão!
Feliz aniversário!
Ao meu filho amado, Alessandro Teodoro Jr.!
Talvez a mais sutil das violências seja a de tantos cidadãos de bem — que consomem sem se importar de onde vem...
Vivem do jeitinho que lhes convém e só enxergam culpa nos Bandidos Assumidos e no Estado.
Enquanto boa parte da sociedade se embriaga com o Espetáculo do Confronto — Helicópteros, Caveirão, Operações, Manchetes e Discursos Inflamados — a verdadeira violência continua onde sempre esteve: no cotidiano do cidadão comum que normalizou o Jeitinho, a Indiferença e a Conveniência.
E a minha indignação é tão grande, mas tão grande que já não quero só escrever; agora meus dedos querem gritar.
Mas o grito, se não for lúcido, vira só mais um ruído — e tudo que eu não quero é apagar fogo com gasolina.
Não dá para insistir em colocar a violência somente na conta do Braço Armado do Estado ou na dos Bandidos Assumidos — enquanto estes últimos, por vezes, sobrevivem às nossas próprias falhas.
A pergunta que não ousamos fazer é: E se não consumíssemos os produtos deles?
Se a indiferença e o jeitinho deixassem de alimentá-la, talvez a violência perdesse parte de sua força silenciosa.
E, no fim, talvez tudo que eu precise fazer seja deixar cair o pincel — para que a consciência de cada um pinte o quadro que o mundo precisa.
Talvez o jeitinho mais charmoso de escapar das insídias da polarização seja instigar os próprios neurônios.
E, quem sabe, instigando-os, consigamos tirar para dançar os apaixonados por ela — sem precisar dançar no mesmo ritmo, pisando em pés ideológicos.
O difícil é provocar alguém a pensar com a própria cabeça quando o aluguel já foi pago pelos discursos prontos, pelas frases feitas, bordões ou slogans.
O conforto das frases feitas é tentador e embala muita mente cansada.
Pensar dá trabalho...
Repetir, nem tanto.
É muito mais fácil vestir um discurso à pronta entrega do que costurar uma ideia.
Mas o exemplo ainda tem o poder de constranger a preguiça mental que a polarização — reinventada — promove.
