Seja Direto

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⁠Talvez acreditar que mais ninguém esteja Ferido — seja só outra forma medonha de Ferir.


Porque a dor, quando não ouvida, vira eco.


E quando presumimos que o mundo está inteiro, deixamos de perceber os cacos que alguém tenta segurar com as próprias mãos.


A verdade é que ninguém sai ileso da travessia — enquanto uns sangram por dentro, outros tentam esconder os cortes com sorrisos.


Estamos quase todos lutando com dores, dificuldades e problemas…


Ainda que diferentes.


Mas ignorar o sofrimento alheio é como esbarrar em uma ferida aberta fingindo ser só o vento.


Empatia não é diagnóstico — é presença.


É a coragem de admitir que talvez o outro também esteja lutando uma guerra que não machuca e apavora somente você.


E que às vezes, só de reconhecer a batalha, já deixamos de ser um potencial inimigo sem perceber.


Se não soubermos enxergar a dor do outro, a nossa também ficará sem testemunha.


E nada fere ainda mais do que sofrer sozinho num mundo que insiste em parecer inteiro.


A vulnerabilidade compartilhada e o reconhecimento mútuo do sofrimento são, talvez, os caminhos mais curtos para nos sentirmos menos frágeis em um mundo tão quebrado.


Em meio a tantas dores, dificuldades e problemas, quem presume não tê-los — ou imagina que o resto do mundo segue ileso — acaba sendo, sem perceber, a parte mais perigosa deles.

⁠Aos que brigaram em defesa de políticos-influencers, talvez ainda seja cedo — cedo demais — para fazer as pazes.




Não porque o rancor seja nobre, mas, porque, ainda não reconhecemos a dimensão do estrago causado pelas paixões emprestadas.


O cheiro medonho de enxofre da polarização já volta a subir, reinventando-se com a mesma esperteza de sempre, à espera de corações inflamáveis, mentes exaustas e sequestráveis.


E no ano que se avizinha, quando o espetáculo reabrir suas cortinas, eles vão precisar muito mais da nossa chama do que da nossa lucidez.


Pois, paixão, quando sequestrada, vira munição nas mãos dos que nunca lutaram realmente por nós.


Talvez defender uma ideia — um posicionamento — sem paixão, seja a arte mais rara e mais corajosa do debate.


Porque, é sim, muito fácil incendiar-se; difícil é manter o fogo no tamanho certo.


É fácil berrar certezas; difícil é defendê-las sem ferir.


Mas há uma escolha ainda muito mais sombria:
Desumanizar quem pensa diferente.


Nada inviabiliza o debate com mais perfeição do que transformar pessoas em inimigos, divergências em crimes e opiniões contrárias em afrontas pessoais.


Quando fazemos isso, deixamos de debater com gente — e passamos a lutar contra caricaturas que nós mesmos pintamos.


No fim, talvez a verdadeira paz não seja aquela feita entre lados irreconciliáveis,
Mas a paz que fazemos conosco:
a de não entregar nossa humanidade ao primeiro que exigir fervor,
a de não perder a lucidez para quem vive de paixões alheias,
a de não permitir que o debate morra pela ausência de coragem
ou pelo excesso de convicções.


Porque não há independência mais urgente e necessária do que a da mente que se recusa a ser incendiada — ou sequestrada e desumanizada — em favor ou desfavor de qualquer bandeira que pintem por aí.

⁠É muito Feno para tão pouco sal...


Talvez seja melhor temperar com uma boa pá de cal.


Haja sal para a quantidade assustadora de Feno necessário...


Quando a desproporção chega a esse ponto, já não se trata mais de tempero, mas de engano.


Talvez seja mesmo melhor recorrer a uma pá de cal, não para enterrar expectativas, mas para sepultar de vez as ilusões que insistimos em alimentar.


Porque certas mesas, por mais que pareçam fartas, só servem palha; e certos banquetes, por mais barulho que façam, não sustentam ninguém.


No fim, a verdadeira sabedoria está em abandonar o que só ocupa espaço e buscar o que, ainda que pouco, de fato, nos alimente.

⁠⁠Talvez a conversão mais urgente e necessária seja parar de usar o nome de Deus para se esconder, aparecer e se promover.


Porque, quando a fé vira biombo, a devoção perde o brilho — e o sagrado perde o silêncio que o protege.


Há os que invocam Deus como quem veste uma fantasia: para parecer maior, mais puro e muito mais certo do que realmente é.


Mas Deus não é disfarce.


Não é medalha para pendurar no peito de quem busca aplausos.


Nem é escudo para fugir de críticas, nem trampolim para saltos de vaidade.


Usar o nome d’Ele como vitrine é profanar o altar que deveria moldar o coração.


E talvez seja por isso que tantas palavras ditas em Seu Santo nome soam tão ocas: porque não nasceram do arrependimento, mas da autopromoção.


A fé verdadeira não chama atenção — chama responsabilidade.


Não ergue palcos — ergue consciência.


Nem vende imagem — transforma caráter.


E O Caminho, a Verdade e a Vida — deve estar muito "Entristecido" com a romantização dos atalhos, das mentiras e das mortes — descaradamente defendida, e até praticada — por inescrupulosos que insistem em usar seu Santo Nome.


Talvez a dor mais silenciosa do Sagrado seja ver Sua mensagem, feita para libertar, transformada em arma para manipular.


Ver mãos que deveriam curar, apontarem dedos.


Vozes que deveriam consolar, retroalimentar discurso de ódio.


Ver corações que deveriam ser moldados pela misericórdia — se tornarem instrumentos de Ambição, Vaidade e Poder.


Enquanto isso,
O Caminho segue ignorado por quem prefere atalhos;
A Verdade, torcida por quem lucra com mentiras;
E a Vida, reduzida por quem abraça a morte — de reputações, de esperanças, de dignidades…


Sequestrar a mente humana não é tão difícil, mas o sagrado não se deixa sequestrar.


O Cristo não vira cúmplice só porque O invocam em vão.


E a fé continua sendo o que sempre foi:
um convite para viver o que se prega,
não um salvo-conduto para quem apenas prega o que não vive.


Toda e qualquer forma de manipulação é ruim, mas nenhuma é tão execrável quanto a que se apodera da fé religiosa.

⁠Talvez um dos fenômenos globais mais proeminentes — e perigosos — da atualidade seja a reinvenção da velha arte de dividir.


A polarização se atualizou, ganhou verniz tecnológico, novas linguagens e plataformas, só para redescobrir, com atraso, mais do que trágico, o preço da humanidade.


E a lógica do “nós contra eles” nunca foi gratuita.


Para que ela se sustente, é preciso mais do que slogans e inimigos fabricados: exige mentes disponíveis.


Algumas são alugadas por conveniência, outras vendidas por desespero, ambição ou fé cega.


No mercado das manipulações, o contrato é raramente lido, mas quase sempre cobrado.


O aluguel se paga com verdades fabricadas, recortadas e maquiadas até parecerem legítimas.


A compra, essa, exige a medonha moeda corrente: poder, visibilidade, likes, pertencimento, proteção, cargos ou silêncio cúmplice.


E quanto mais cara a consciência, mais sofisticada a narrativa que a embala.


Não é tão difícil sequestrar uma mente humana.


Basta oferecer uma certeza confortável, um culpado conveniente e a ilusão de pertencimento.


Difícil mesmo — quase impossível — é alugar a cabeça da maioria de um povo sem antes comprar algumas.


São essas poucas cabeças vendidas que legitimam o coro, afinam o discurso e tornam a manipulação socialmente aceitável.


Os inquilinos da manipulação certamente não movimentam somente as moedas simbólicas.


Narrativas também têm lastro.


Quando a mentira se sustenta por tempo demais, alguém está financiando sua permanência — seja com dinheiro, seja com influência, seja com o sacrifício deliberado da verdade.


E, no fim, quando tudo parece ruído, polarização e caos espontâneo, resta a constatação mais incômoda: não se trata somente de mentes enganadas.


Trata-se de consciências negociadas.


Porque enquanto alguns alugam suas cabeças por ignorância transitória, outros as vendem com escritura registrada.


E alguém — invariavelmente — está se vendendo.


Há, porém, uma dobra ainda muito mais sutil nesse tecido: muitas verdades fabricadas deixam de ser só mentiras bem contadas para se tornarem verdades funcionais, dependendo de quem as defenda.


Não é o fato que as sustenta, mas o lugar de onde são proclamadas.


Quando a narrativa vem amparada por carisma, poder, fé ou pertencimento, ela dispensa provas.


A autoridade simbólica substitui a realidade, e a repetição apaixonada ocupa o espaço onde antes morava a dúvida.


A mentira, então, não precisa convencer — basta circular.


Mas o mundo apaixonado não percebe isso porque a paixão suspende o pensamento crítico.


Troca-se a pergunta pelo aplauso, a escuta pela defesa, a busca da verdade pela necessidade de vencer.


A verdade deixa de ser algo a ser descoberto para ser algo sob proteção — mesmo quando é frágil, contraditória ou vazia.


Há conforto nessa entrega.


Pensar exige risco.


E pode custar o grupo, a identidade, o rótulo, o abrigo emocional.


A paixão, ao contrário, oferece chão firme, ainda que falso, e a tranquilidade de não precisar rever nada.


Por isso, verdades fabricadas prosperam melhor em tempos de devoção do que em tempos de reflexão.


Elas não exigem coerência, exigem lealdade.


Não mendigam compreensão, mas repetição.


E talvez o mais perturbador não seja que muitos não percebam esse mecanismo — mas que alguns percebam… e ainda assim, escolham permanecer apaixonados, defendendo com fervor aquilo que jamais ousaram examinar.


A polarização é trevosa!

⁠Talvez seja muito mais fácil lidar com o barulho de quaisquer doenças permitidas por Deus do que com o barulho apressado das suas propagações.


Lidar com o peso silencioso de um diagnóstico permitido por Deus é tão pavoroso quanto lidar com o estrondo apressado dos que o espalham.


Uma enfermidade jamais alcançaria um filho de Deus sem a autorização d'Ele, mas o “disse me disse” — é escolha humana.


E a dor, esta, quando chega, costuma pedir recolhimento, tempo e respeito.


Ela ensina a alma a caminhar devagar, a ouvir o próprio coração e a buscar sentido onde o ruído não alcança.


Já o barulho da divulgação precipitada não cura, não consola e não edifica — apenas expõe, rotula, espalha o caos e multiplica feridas.


Há sofrimentos que são sagrados demais para virar assunto, estatística ou opinião.


Deus, em Sua permissão, conhece a medida exata do fardo que cada um pode carregar; as pessoas, em sua pressa, conhecem raramente a medida do silêncio necessário.


Entre o diagnóstico e a esperança, existe um santuário de silêncios onde só cabem a misericórdia, a oração e o cuidado.


Talvez o verdadeiro amor não esteja em falar rápido, mas em calar na hora certa.


Porque há dores que Deus confia ao coração… e há barulhos que o mundo faz sem jamais ter sido autorizado a fazê-lo.


Em que pese a fome apressada de informações, interesse e curiosidade coexistem, mas gritantemente se diferem.


Enquanto a curiosidade chega metendo os pés na porta, o interesse se oferece para trabalhar o caos nos cômodos que se apresentam.


Que nenhum diagnóstico se confunda com sentença, nem a informação com a exposição!
Amém!

⁠Talvez o mais trágico não seja os humanos terem que provar para as máquinas, o tempo todo, que não são uma delas.


O drama maior parece estar na naturalidade com que passamos a imitá-las — e, pior, na pressa com que nos deixamos confundir com elas.


A máquina não sente cansaço moral, não hesita diante do outro, não se constrange com a própria indiferença.


Quando o humano começa a responder sem escuta, decidir sem empatia e repetir padrões sem reflexão, não é a tecnologia que o desumaniza: é a abdicação silenciosa daquilo que o tornava distinto.


Há um perigo sutil em trocar o tempo do cuidado pelo tempo da eficiência, a dúvida honesta pela resposta pronta, o encontro pelo desempenho.


Nesse processo, já não é a máquina que nos exige provas de humanidade; somos nós que, pouco a pouco, deixamos de exigi-las de nós mesmos.


No fim, talvez a pergunta mais urgente e necessária não seja “como convencer as máquinas de que somos humanos?”, mas “em que momento nos tornamos tão confortáveis em agir como se não fôssemos?”.

⁠⁠Talvez a sensação de descobrir ter sido manipulado com a ajuda da IA seja a mesma de descobrir ter sido assaltado com réplica de arma.




Mas a diferença entre os que são assaltados com réplica de arma e os que são manipulados com a ajuda da IA é que os primeiros não idolatram seus agressores.




Se algum dia os Asseclas Apaixonados despertarem e perceberem que foram manipulados pelos políticos-influencers com recursos terceirizados, talvez troquem a paixão pela revolta…




Talvez a maior violência nem seja a da arma — verdadeira ou réplica —, mas a da consciência ferida quando percebe que entregou a própria confiança a quem jamais mereceu.




Ser assaltado com uma réplica de arma é experimentar o medo real diante de um perigo fabricado.




O coração dispara, o corpo obedece, a vida parece ficar por um fio — ainda que o gatilho jamais pudesse cumprir a ameaça.




A dor vem depois, quando se descobre que tudo foi sustentado por uma encenação.




Mas, ao menos ali, a vítima reconhece o agressor como tal e qual.




Já quando a manipulação acontece com a ajuda da Inteligência Artificial, o enredo é muito mais sutil.




Não há correria, não há gritos, não há mãos ao alto.




Há algoritmos, narrativas calculadas, recortes convenientes da realidade.




Há “políticos-influencers” que terceirizam argumentos, fabricam proximidades e simulam verdades com a precisão de quem sabe exatamente onde tocar para provocar aplausos — ou indignação.




A diferença mais perturbadora talvez esteja nisso: quem é assaltado dificilmente defende o agressor.




Mas quem é manipulado, muitas vezes, transforma o manipulador em mito.




E confunde-se quase tudo…
Dependência com lealdade.
Repetição com convicção.
Engajamento com consciência.
Autoritarismo com autoridade.
Arrogância com bravura…
E até Discurso de Ódio com Liberdade de Expressão.




Os asseclas apaixonados não percebem que, ao terceirizarem o próprio juízo, tornam-se extensão da estratégia de quem os conduz.




E toda paixão cega tem prazo de validade: dura até o dia em que a realidade rompe o encanto.




Se esse despertar vier, pode ser doloroso.




Descobrir-se usado é como acordar no meio de um teatro vazio, percebendo que a plateia era figurante e o roteiro nunca foi seu.




Nesse instante, a paixão pode, sim, virar revolta.




Mas talvez haja um caminho mais nobre que a revolta: o da responsabilidade.




Não apenas contra quem manipulou, mas consigo mesmo — pela pressa em acreditar, pela comodidade de não questionar, pelo conforto de pertencer.




Porque, no fim, nenhuma tecnologia é mais poderosa do que a disposição humana em não pensar.




E nenhuma libertação é mais revolucionária do que reaprender a pensar por conta própria.

⁠Não me é concebível que o Dia de Luta por Direitos das Mulheres seja edulcorado para virar
Dias de Glórias
— nem Política nem Comercial.


Quando uma data nascida da dor e na dor, da resistência e da coragem coletiva é transformada em vitrine de marketing ou palanque de conveniências, algo essencial se perde no meio do caminho.


A Memória das Mulheres que enfrentaram jornadas desumanas, violência, silenciamento e invisibilidade não foi construída para decorar discursos, mas para provocar mudanças reais na estrutura da sociedade.


Há um certo conforto em celebrar conquistas com flores, campanhas publicitárias e hashtags bem elaboradas.


O problema é quando essa estética da homenagem passa a substituir o compromisso com a transformação.


A luta, então, vira cerimônia; a denúncia vira slogan; e a história vira produto.


Direitos não nasceram de gentilezas institucionais nem de estratégias de branding.


Foram arrancados à força da persistência de Mulheres que se recusaram a aceitar o lugar que lhes foi imposto.


Cada avanço carrega o peso de muitas que pagaram caro demais para que hoje se fale ou se sonhe em igualdade.


Por isso, quando o dia que deveria ser de memória crítica se transforma apenas em ocasião para discursos oportunos e promoções temáticas, corremos o risco de anestesiar aquilo que ainda precisa incomodar.


Porque enquanto houver violência, desigualdade e silenciamento, essa data não pode ser apenas comemorativa — ela precisa continuar sendo inquietante.


O verdadeiro respeito a essa luta não está na doçura das homenagens, mas na honestidade de reconhecer que ainda há muito a ser enfrentado.


Afinal, datas históricas não existem para nos confortar; existem para nos lembrar de que a história ainda está sendo escrita — e de que a Responsabilidade por ela também é nossa.


Feliz Dia de Lutas — Feliz Futuro de Glórias, Mulheres!

⁠Talvez o nosso único Defeito Perdoável para o outro seja o Silêncio que fazemos para Poupá-lo.


Mas há algo de muito grave nessa empatia espinhosa: sacrificar a nossa Paz para poupar o próximo pode ser nosso Maior defeito.


Pois, há silêncios que parecem generosos…


Eles vestem a roupa da empatia, caminham com passos cuidadosos e nos convencem de que calar é uma forma de proteger — proteger o outro de uma verdade dura, de uma crítica necessária, de uma ferida que nossas palavras poderiam abrir.


Mas existe uma espinha escondida nessa delicadeza.


Quando o silêncio deixa de ser escolha e passa a ser renúncia, ele começa a cobrar um preço alto demais.


Porque, enquanto poupamos o outro de um incômodo passageiro, vamos acumulando em nós aquilo que nunca teve o direito de existir.


E o que não encontra voz quase sempre encontra peso.


A empatia, quando exagera na dose, pode se transformar numa espécie de sacrifício íntimo: abrimos mão da nossa paz para preservar a tranquilidade alheia.


E, nesse gesto que parece tão nobre, às vezes cometemos uma injustiça silenciosa — contra nós mesmos.


Poupar o outro jamais deveria custar a nossa serenidade.


Porque há verdades que não ferem por serem ditas, mas por serem enterradas.


E há relações que não se fortalecem com silêncios, mas com a coragem delicada de dizer aquilo que precisa existir entre duas consciências que se respeitam.


Talvez, no fim das contas, o silêncio só seja realmente um Defeito Perdoável quando não se transforma no lugar onde abandonamos a nossa própria paz.

⁠Talvez Culpar a Vítima seja a maneira mais Covarde que a Indignação Seletiva encontra para
passar pano
para a Injusta Agressão.


Porque é mais fácil distorcer a dor do outro do que encarar a própria omissão.


Mais confortável questionar a roupa, o horário, o comportamento — qualquer detalhe periférico — do que admitir que o problema mora, de fato, na mentalidade que Naturaliza o Desrespeito e Romantiza o Controle.


O Machismo Estrutural, muitas vezes, não grita — ele sussurra.


Ele se esconde em comentários “inofensivos”, em julgamentos disfarçados de conselho, em críticas que nunca recaem sobre quem agride, mas sempre sobre quem sofre.


É uma lógica bastante perversa: transforma a vítima em ré e absolve o agressor com a cumplicidade silenciosa de quem prefere não se indispor.


E assim, a indignação deixa de ser justiça e vira conveniência.


Escolhe lados não pela ética, mas pela identificação, pela ideologia, pelo conforto de não confrontar aquilo que exige mudança interna.


É seletiva porque não é sobre o que aconteceu — é sobre com quem aconteceu.


Mas toda vez que se culpa a vítima, reforça-se impreterivelmente o ciclo.


Toda vez que se relativiza a agressão, legitima-se sua repetição.


E toda vez que se silencia diante disso, constrói-se um ambiente onde o medo fala mais alto que a dignidade.


Romper com isso exige muito mais do que discursos à pronta entrega — exige coragem.


Coragem de reconhecer privilégios, de rever crenças e de se posicionar com firmeza mesmo quando é desconfortável.


Porque justiça de verdade não escolhe conveniência.


E respeito não admite exceções.


No fim, a pergunta que fica não é sobre o que a Vítima poderia ter feito diferente — mas sobre o que nós, enquanto sociedade, ainda insistimos em não mudar.

⁠É muito estranho parte do povo viver na — e da — internet ignorando que o ruído seja a maior moeda de troca da espetacularização que retroalimenta os algoritmos.


Como se o excesso de vozes, opiniões e julgamentos não fosse, na verdade, o combustível de uma engrenagem invisível que transforma qualquer acontecimento em palco e qualquer pessoa em personagem.


Nesse ambiente, o silêncio perdeu valor, a pausa virou fraqueza e a reflexão parece um luxo dispensável.


A pressa em reagir substituiu o cuidado em compreender.


E quanto mais barulho se faz, mais visibilidade se conquista — não necessariamente pela relevância, mas pela intensidade.


É um jogo onde vencer significa aparecer, ainda que à custa da verdade, da empatia ou da responsabilidade.


O curioso — e talvez o mais inquietante — é perceber que muitos participam dessa dinâmica acreditando estar fora dela.


Criticam o espetáculo enquanto alimentam seus bastidores.


Compartilham indignações que, no fundo, servem mais ao alcance do que à mudança.


Viver na internet, hoje, exige mais do que presença: exige consciência.


Porque nem todo espaço precisa ser ocupado, nem toda opinião precisa ser dita, nem todo acontecimento precisa ser transformado em vitrine.


Talvez o maior gesto de resistência, nesse cenário, seja aprender a diminuir o volume.


Escolher o que ecoar, o que silenciar e, principalmente, o que merece, de fato, ser sentido antes de ser exposto.


No fim, a pergunta que fica não é sobre o que estamos consumindo — mas sobre o que estamos ajudando a amplificar.

⁠Talvez uma das principais comprovações de que a realidade humana seja muito dura seja a aceitação da nossa própria robotização.


Porque, no fundo, ninguém se transforma em máquina por acaso.


Não é apenas a tecnologia que nos molda — é o cansaço de sentir demais, pensar demais, carregar demais.


A automatização da vida não nasce do fascínio pelo artificial, mas da exaustão diante do real.


Ser previsível, repetir padrões, reagir como se tudo já estivesse programado… tudo isso oferece um tipo de alívio bastante silencioso.


Não é felicidade — é anestesia.


É mais fácil seguir um roteiro invisível do que encarar o peso de escolher, errar e se responsabilizar.


Tudo que honestamente quase ninguém quer, é Liberdade.


A liberdade, quando levada a sério, assusta muito mais do que qualquer algoritmo.


E assim, pouco a pouco, vamos terceirizando até a própria consciência.


Deixamos que tendências decidam gostos, que opiniões prontas substituam pensamentos, que notificações ditem o ritmo do dia.


A vida deixa de ser vivida e passa a ser apenas respondida.


Não há pausa, só reação.


O mais inquietante não é o avanço das máquinas — é o quanto nos tornamos compatíveis com elas.


Já não estranhamos agir sem refletir, consumir sem questionar, concordar sem compreender...


A robotização deixa de ser ameaça e passa a ser conforto.


Mas há um preço.


Sempre há.


Ao abrir mão da complexidade humana, também abrimos mão da profundidade.


Perdemos a capacidade de nos surpreender, de nos contradizer, de crescer a partir do desconforto.


Tornamo-nos eficientes, mas rasos.


Conectados, mas distantes.


Informados, mas pouco conscientes e muito vazios.


Talvez a realidade seja muito dura mesmo.


Talvez seja difícil demais sustentar a lucidez cobrada lá fora o tempo todo.


Mas aceitar a própria robotização não é solução — é desistência disfarçada de adaptação.


E, no meio de tanta fuga, a pergunta que insiste em permanecer é tão simples quanto incômoda:


em que momento sobreviver deixou de significar, também, sentir?

Que a nossa semana seja inteira. Inteira de amor, de dedicação, de respeito ao próximo, de energias positivas, de sonhos e de tantas outras virtudes. Que o inteiro nos preencha intensamente.

Seja a pausa que a vida tanto necessita.

A vida é aquilo que desejamos que ela seja. Portanto, que ela seja simplesmente maravilhosa.

Lutar para que tudo seja perfeitamente alinhado a um denominador comum é deixar de lado as inconstantes, as dúvidas, as incertezas e acima de tudo o orgulho. Conseguir atingir esses objetivos dependerá de uma série de circunstâncias que estão acima da nossa vontade e da nossa jurisdição.Lutar para que tudo seja perfeitamente alinhado a um denominador comum é deixar de lado as inconstantes, as dúvidas, as incertezas e acima de tudo o orgulho. Conseguir atingir esses objetivos dependerá de uma série de circunstâncias que estão acima da nossa vontade e da nossa jurisdição.

Seja livre. A liberdade tem o poder de nos levar ao mais alto nível de felicidade plena.

Mundo novo é aquela semente que plantamos, regamos e cuidamos para que seu nascimento seja próspero.

Travessia

Seja do jeito que for
Colha do jeito que for para colher,
Nos cantos da vida por onde eu caminhar
Mesmo que eu pise nos espinhos que eu encontrar,
Das flores eu hei de lembrar.
Meus pés ardem de tanto caminhar,
As lágrimas vertem rasgando o trajeto
Fazendo-me esquecer da dor.
Lembrar-me-ei dos amores que não tive
Dos amores que quis muito e por medo ignorei-os
Mesmo assim deixei-me amar tanto que doía.
Meus medos e sonhos se misturaram
Com as nuvens que passavam devagar
Como poeira das terras desertas.
Investi contra meu caminho para que ele acordasse
Levando-me para onde eu esquecesse o medo
No trajeto das minhas escolhas
Onde estava meu sonho adormecido.