Seja bem Vinda Amiga
Sei muito bem quando a hipocrisia se oculta em gestos e discursos para me levar à degeneração do íntimo, comprar minha consciência, meu silêncio e cumplicidade. Aprendi a saber onde mora uma sacanagem polida e quando se põe a minha frente um canalha bem educado.
Nesta ou naquela carreira, será bem sucedido quem não for pressionado nem exposto antes da hora. Quem puder trocar de vocação quantas vezes quiser, durante a infância, sem ficar marcado pelos adultos como criança que não tem personalidade.
AOS FÚTEIS E CAMUFLADOS
Há muitas estampas que seduzem. Expõem o selo das virtudes que tornam bem amadas pessoas não merecedoras. Pessoas estas, que têm um zelo notório pelos traços da mais profunda versão de seriedade.
São inúmeras as expressões cujos painéis propagam as mais admiráveis virtudes do ser humano. Sobre tais expressões há sempre um pano de fundo admirável que põe o céu a favor dessas maquetes. Desses desempenhos pela propagação das imagens que se tornam produtos comercializáveis.
Nestes tempos de futilidade, onde reina o imediatismo na busca do prestígio, a fama e o possuir a qualquer preço, medram pessoas que vivem das capas. Prometem vinhos, fumos de fina sociedade, sem que suas essências possam cumprir. Seus encartes não correspondem aos rótulos.
No entanto, para quem sabe olhar mais fundo, essa publicidade não convence. Tudo isso cai por terra, quando surge alguém “letrado” o suficiente para ler o mapa de um olhar que dissimula e forja...
E creiam: Para os fúteis e camuflados, esses bons entendedores do olhar e da alma humana podem ser os futuros salvadores de suas essências desperdiçadas. Se eu for um deles – os fúteis e camuflados –, quero conhecer um “salvador”.
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Varrermos diariamente a folhagem que cai das árvores é bem melhor do que sermos grelhados pelo excesso do efeito estufa e respirarmos a poeira intensa da desertificação de nossos quintais pavimentados.
RIO DE JANEIRO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Bem humorado.
Sou brasileiro.
Podia chorar,
mas Rio
de Janeiro.
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quando me visto bem,
é pra me despir com elegância
perante os olhos de alguém...
BEM OU MAL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já briguei contra o mundo e não deu certo;
fui pregar no deserto e foi a esmo;
provoquei multidões mas deu em nada,
minha voz foi partida em mil silêncios...
Descobri que os vilões não são os outros,
afinal me reprimo além do justo,
pois me veto, me susto, e podo as asas
de voar para fora do meu limbo...
Só depois de me amar tal qual mereço
cobrarei o meu preço ao vasto espelho
da magia do cosmo; do infinito...
Ser feliz é o reflexo do interno;
todo céu, todo inferno que se tem
são do bem ou do mal que nos fazemos...
BEM VIVER
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ao sair, feche a porta.
Mas deixe braços abertos,
para o caso de voltar.
CIÊNCIA E FÉ
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Falar bem é ciência.
Discernir o que está
do que é.
calar e ter paciência
na hora certa...
é fé.
BEM VIVIDO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Nada mais do que a vida condizente ao pulso;
que o teatro restrito aos limites do pano;
ser humano em essência, fachada e contexto,
sob todo esse nada que revolve o ser...
Quero apenas meu tempo, nem um passo a mais,
meu espaço, meu dom, minha justa energia,
cada dia cravado entre as horas que tem
para o mundo ser mundo e seguir sua rota...
Sem espaço e pretexto com que rompa o vento,
livramento que adie o que será no fim
ou me livre do livro; a precisão da história...
Quando eu for só me digam que seja bem-ido;
sou alguém bem vivido e não será direito
ser um rio que tenta não seguir pro mar...
ONIPRESENÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se você não está de bem com a vida, não adianta ir pro Caribe ou pras Ilhas Cayman, pois a vida está por toda parte.
VIDAS DE UMA VIDA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Uma vida bem fértil; de muitos fazeres;
muitas quedas, viradas e voltas aos pontos;
dores quentes, prazeres, verdades e sonhos
que não foram verdades, ou às vezes sim...
Tive tantas paixões, que me fogem à conta;
fui alguém de alma tonta e fui sóbrio pra ser,
porque vi que viver exigiu recondutas
nos momentos limite; nas beiras de abismos...
Nesta hora me aninho pra chocar lembranças
que não geram filhotes, mas me servem vinho
de saudades bem doces, mesmo quando amargas...
Vejo a morte bonita, com véu e grinalda,
mas ainda pretendo me atrasar pro ato
e me cato sem pressa de me concluir...
FUMAÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Outro dia de olhar e não poder;
ter bem próximo à mão e não pegar;
conhecer os caminhos a seguir
e não ir; não achar a sua placa...
Seu calor no colar do meu suor,
mas a pele à deriva em plena praia,
uma vaia simpática e sem voz
ata os nós do meu sonho de você...
Outra vez adiando a minha vez
para quando já sei que assim será;
pra contar até dez outras dez vezes...
Mais uns dedos de prosa e muitos dedos
de segredos do fogo entre a fumaça
que disfarça os sinais e me sufoca...
NÓS, LAÇOS E NÓS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Bem sei que tenho minhas variações de humor. No entanto, são variações de pessoa para pessoa, porque lido com diferentes personalidades ou naturezas humanas. Se gosto muito de algumas e de outras nem tanto, ou se detesto aquelas e sou indiferente a estas, é natural que revele, a depender da pessoa, um indivíduo diferente. Que outra pessoa desconhece.
Se neste contexto sou assim, minha natureza muda, individualmente. Para o mesmo indivíduo, tenho sempre a mesma temperatura; o mesmo grau de humor. Sorriso ou cara feia; empatia ou apatia; proximidade ou distanciamento; limite ou intimidade. Sou previsível para quem me conhece. Alegre ou triste, assoberbado ou vago, preocupado ou não, manterei cumplicidade ou sigilo; serei formal ou desinibido, avexado ou sem pudor como fui ontem, hoje ou no ano retrasado, conforme a relação interpessoal.
De vez em quando me distancio de alguém bem próximo, depois de relutar muito, internamente. Sei que deixo interrogação, mas isso ocorre quando me sinto na iminência de mudar a natureza da relação: estabelecer novos critérios, diminuir a cumplicidade ou burocratizar os laços. Transformar quem ponho acima de qualquer cuidado, cerimônia, suspeita ou intenção, numa pessoa impessoal, por suas variações de humor que me deixam inseguro e apreensivo sobre como deverei me comportar no dia seguinte. Muitas vezes, até na hora seguinte.
A desbotar os laços mais estreitos, os afetos mais íntimos e pessoais, prefiro apagá-los totalmente. Não tenho nenhuma disposição para tanto, nem é de minha natureza operar um processo de abatimento nos valores afetivos, até que sejam negociáveis conforme a conveniência de quem já não pode acompanhar o meu jeito fixo, definido e previsível de ser.
A CONSTRUÇÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Uma casa bonita e bem cuidada;
sem poeira, destons ou quadros tortos;
o telhado, a sacada, os móveis finos,
tudo expõe o bom gosto que a demarca...
Tem um quê de nobreza em seu conforto;
na leveza dos passos sobre o piso;
é um porto seguro pra quem sai
com aviso de hora pra voltar...
Mas a casa bonita e bem cuidada
sempre foi um castelo impessoal;
uma casa marcada pelo assombro...
Um escombro de luxo e solidão,
onde amar não combina com seu brilho;
pois só é construção; jamais foi lar...
BEM AVENTURANÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Bem aventurados os bem aventurados de fato e por natureza, pois eles nunca precisarão compensar desventuras com bem aventuranças de consolação litúrgica.
TROCA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
O que se dá sem querer nada em troca é dinheiro, bem de consumo, presente... no entanto, quando nos damos em forma de carinho, atenção, preocupação e presença, é até possível não cobrarmos... mas é hipocrisia dizermos que não esperamos algum afeto em troca.
SENTIMENTO CANINO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Nosso amor pelo semelhante bem que podia se assemelhar ao amor dos cães por seus donos, que não são semelhantes. O amor dos cães pelo ser humano é incondicional. Eles não admiram nossa esperteza ou inteligência. Não nos idolatram pelo talento, a beleza, muito menos pela posição que ocupamos. Tão apenas nos amam, e não importa se estamos na penúria, para nos seguirem até o fim do mundo e dos nossos dias.
Amor de cão é desses que duram até que a morte ou a nossa crueldade nos separe, pois ele jamais nos deixará, e sempre há de ser grato ao menor carinho. Ao mais breve afago em seus pelos. Ao mais leve roçar de nariz e fuça. Nossos olhos de afeto e o falsete na voz... cães adoram nossos falsetes, pois mostram que estamos bem e de bem com eles. É a nossa expressão explícita, inequívoca e timbrada de chamego.
É neste contexto que sempre deplorei o amor humano... sonho constantemente que, num futuro talvez distante, alcançaremos a graça de realmente viver em um mundo cão... desfrutar de uma vida cadela.
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