Segundo Minuto Hora dia Semana ano Eternidade

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Hora de jogar fora o que não valeu, mas também de trancar as lições em um pote fechado para se olhar de vez em quando, de modo que você não corra o risco de repetir de ano novamente. De dizer adeus aos pensamentos que não valem um sorriso, pois só o que é bonito merece ser guardado. De jogar fora as chaves que te prendiam naquele cômodo tão apertado chamado passado e se soltar... há uma vida linda ali fora que só espera você estar inteiro para dar a partida e (re)começar.

Chega uma hora na vida que você precisa abandonar tudo, e ir embora, mesmo que o teu coração esteja sangrando. Mais como fugir de um mundo que eu mesma criei? Um mundo inventado que só existe na minha cabeça; já tive grandes momentos aqui, chorei, decepcionei, essas são coisas que vão estar pra sempre em um grande espaço do meu coração, mas tem dias que eu penso em fugir, fugir pra nunca mais ninguém me achar, quero me perder em um lugar só meu. Conheci pessoas que são muito especiais e que valem mais do que o meu mundo real! E são só por eles que eu ainda estou aqui. Mas não quero mais fazer parte desse mundo, eu não quero sentir que a saudade tomou conta de mim por completa, cansei de ouvir um PARA SEMPRE.

Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Eu me sinto culpado quando não vos obedeço. Sou feliz na hora errada. Infeliz quando todos dançam.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.

Sempre chega a hora da solidão
Sempre chega a hora de arrumar o armário
Sempre chega a hora do poeta a plêiade
Sempre chega a hora em que o camelo tem sede

O tempo passa e engraxa a gastura do sapato
Na pressa a gente não nota que a Lua muda de formato
Pessoas passam por mim pra pegar o metrô
Confundo a vida ser um longa-metragem
O diretor segue seu destino de cortar as cenas
E o velho vai ficando fraco esvaziando os frascos
E já não vai mais ao cinema

Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você

Penso quando você partiu
Assim... sem olhar pra trás
Como um navio que vai ao longe
E já nem se lembra do cais
Os carros na minha frente vão indo
E eu nunca sei pra onde
Será que é lá que você se esconde?

Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você

A idade aponta na falha dos cabelos
Outro mês aponta na folha do calendário
As senhoras vão trocando o vestuário
As meninas viram a página do diário

O tempo faz tudo valer a pena
E nem o erro é desperdício
Tudo cresce e o início
Deixa de ser início
E vai chegando ao meio
Aí começo a pensar que nada tem fim...

A Grande Manchete

Aproxima-se a hora da manchete.
O PETRÓLEO ACABOU.
Acabaram as alucinações
os crimes, os romances
as guerras do petróleo.
O mundo fica livre
do pesadelo institucionalizado.

Atiradores ao lixo
motores de combustão interna
e lataria colorida,
o Museu da Sucata exibe
o derradeiro carro carrasco.
Tem etiqueta de remorso:
“Cansei a humanidade”.

Ruas voltam a existir
para o homem
e as alegrias de estar-junto.
A poluição perdeu
seu aliado fidelíssimo.
A pressa acabou.

Acabou, pessoal! o congestionamento,
o palavrão,
a neurose coletiva.
A morte violenta entre ferragens
com seu véu de óleo
e chamas
acabou.

Milhões de arvores meninas irrompem do asfalto
e da consciência
em carnaval de sol.
Dão sombras grátis
ao papo dos amigos,
à doçura do ócio no intervalo
do batente,
do amor antes aprisionado sob o capô
ou esmigalhado pelas rodas,
â vida de mil formas naturais.
Pessoas, animais,
confraternizam: Milagre!

Dura 5 (?) minutos a festa
da natureza com a cidade.
Irrompem
formas eletrônicas implacáveis,
engenhos teleguiados catapúlticos
de máximo poder ofensivo
e reconquistam o espaço
em que a vida bailava.

Recomeça o problema de viver
na cidade-problema?

De que valeu cantar
o fim da gasolina de alta octanagem?

Enquanto não vem a formidável manchete
vamos curtindo
outras manchetinhas a varejo.
Vamos curtindo
a visão do caos e do extermínio
na rua, na foto,
no sono atormentado:
Mas 400 carros por dia nas pistas
que encolhem, encolhem, são apenas
enfumaçadas fita de rangidos.
Mais loucura, mais palavrão e mais desastre.

E lemos Ralph Nader:
a cada 10 minutos
morre uma pessoa em acidente
de carro; a cada 15 segundos
sai alguém ferido
na pátria industrial dos automóveis.
Vamos imitá-la?
Vamos vencê-la em desafio
de quem mata mais e morre mais?
Ou vamos ficar apenas
engarrafados sem garrafa
no ar poluído e constelado
de placa, de sinais
que assinalam o grande entupimento?
Perguntas estas são mensagem
também ela espremida na garrafa
que bóia no alto-mar de ondas surdas
e cegas
à espera do futuro que as responda.

Nunca me conformei com o fim de nada. Por mais que eu sentisse que era a hora.

Aprendi a hora certa de dizer adeus, e também a hora certa de dizer “eu te amo”. Sei que as pessoas não são perfeitas, e por isso tenho os melhores amigos do mundo. Fiz o que era certo na hora errada, e apesar ter quebrado a cara muitas vezes e ter me enganado com as pessoas, continuei cheia de sonhos e ilusões, porque, no fundo, eu sabia, que no fim tudo daria certo, e realmente deu... porque hoje estou muito feliz!

Tem hora que é imprescindível chutar o balde. Tem hora que é fundamental deixar a verdade nua e crua vir à tona. E você passa a achar que não tem vocação pra ser legal o tempo inteiro. E é verdade. Ninguém tem. É cansativo. Desgastante. Já somos legais à beça por tentar. Tem gente que nem isso.

É tanta coisa boa acontecendo, tanta gente boa se aproximando que tá na hora de acordar. Enxergar. Receber.

Até mesmo belezas podem ser pouco atraentes. Se você pega uma beleza na luz errada na hora certa, esqueça.

"Não desperdiça seu tempo
Querendo ser flor antes da hora.
Cumpre o ritual de existir,
Compreendendo-se em cada etapa".

Tu não tens poder sobre o tempo que vive, nem sobre a hora de tua morte. Tu só tens poder sobre o que tu podes viver exatamente agora.

Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.

"Eu tenho a impressão que a hora que eu chorar, vai ser o choro mais triste do mundo."

Mas chega uma hora na vida que a gente tem que parar de ser boa com os outros e ser boa primeiramente com a gente. Fiquei amarga? Não mesmo. Agora eu sou prática. Vacilou? A porta está aberta, meu bem. Sem dó nem piedade. Me desculpem, então, os que larguei á deriva. Salve-se quem puder!

Você deve apontar todos os seus problemas de beleza e os seus defeitos na hora, em vez de arriscar que não notem essas coisas...
Se gostarem realmente de você por você mesmo, vão estar dispostos a usar a imaginação para pensar como você é sem os seus problemas de beleza temporários.

Andy Warhol
WARHOL, A., The Philosophy of Andy Warhol: (From A to B and Back Again), 1975

Eu sei perceber quando estou incomodando alguém, e é nessa hora que eu faço questão de continuar no local.

Agora está na hora de recompor a minha vida.