Se um dia Tiver que Escolher
Bendito seja Deus, que teve o cuidado de escolher o 28.º dia de outubro — ou nada — para me favorecer com a graça de confiar-me àquele que veio para laurear meus dias e, por vezes, salvar-me até de mim mesmo: o Homem da minha vida!
A ti rogo toda sorte de bênçãos, em nome de Deus Pai, de Deus Filho e do Espírito Santo.
Sei bem que tu sabes, mas a minha eterna gratidão pela tua existência — e a certeza da finitude da vida — obrigam-me a repetir: te amo, filhão!
Feliz aniversário!
Ao meu filho amado, Alessandro Teodoro Jr.!
A pressa em escolher um lado é tão grande que a maioria já consegue arrotar opinião sobre conteúdo que nem sequer consumiu.
Vivemos um tempo em que reagir vale mais do que compreender.
A velocidade com que julgamentos são formados supera, com folga, o tempo necessário para escutar, refletir ou até mesmo duvidar.
Opinar virou quase um reflexo involuntário — não porque temos algo sólido a dizer, mas porque o silêncio passou a ser confundido com ausência de posicionamento, e isso, para muitos, parece inaceitável.
O problema não está em ter opiniões, mas na superficialidade com que elas nascem.
Quando não há contato real com o conteúdo, o que se expressa não é pensamento, é apenas eco.
Eco de manchetes, de recortes, de narrativas prontas que dispensam esforço e recompensam a pressa.
E assim, pouco a pouco, vamos terceirizando a própria capacidade de pensar.
Há uma falsa sensação de pertencimento em escolher rapidamente um lado.
Como se isso garantisse identidade, como se fosse suficiente para nos situar no mundo.
Mas o preço disso é alto demais: abrimos mão da complexidade, ignoramos nuances e transformamos qualquer assunto em uma disputa rasa, onde o objetivo não é entender, mas vencer.
Talvez o verdadeiro ato de coragem, hoje, seja justamente o contrário.
Seja admitir que ainda não sabemos o suficiente.
Seja escutar antes de falar, consumir antes de julgar, refletir antes de reagir.
Porque pensar dá trabalho — e, em tempos de imediatismo, tudo que exige tempo parece quase um ato de resistência.
No fim, não é sobre escolher um lado rápido demais.
É sobre não se perder de si mesmo no processo.
Se pudéssemos escolher a nossa hora Derradeira, seria muito difícil prever onde haveria mais Baderna:
se na terra ou no céu.
Na terra, porque a despedida quase sempre revela o quanto somos apegados àquilo que julgávamos possuir.
Haveria lágrimas, discursos, abraços demorados, promessas feitas tarde demais e uma pequena multidão tentando negociar com a morte aquilo que nunca esteve sob nosso controle.
Alguns chorariam a nossa ausência; outros, talvez, chorariam a própria incapacidade de nos acompanhar.
No céu, porém, a confusão poderia ser ainda maior — ao menos para aqueles que passaram a vida imaginando que Deus deveria seguir os seus critérios de merecimento.
Uns chegariam esperando reconhecimento, outros, uma fila preferencial, outros ainda, um lugar reservado por causa das orações que fizeram, das igrejas que frequentaram, das regras que cumpriram ou das pessoas que julgaram.
Mas há uma ironia bastante desconcertante na teologia da graça: diante de Deus, ninguém chega carregando currículo suficiente para exigir o paraíso.
A morte tem esse estranho poder de desmontar nossas pretensões.
Ela nos despe dos títulos, das posses, das certezas e até das versões cuidadosamente construídas que fizemos de nós mesmos.
No fim, resta apenas aquilo que sempre fomos diante do Criador: criaturas necessitadas de muita misericórdia.
Talvez por isso o céu seja justamente o lugar onde a nossa baderna termina.
Não porque sejamos finalmente premiados por termos sido impecáveis, mas porque descobrimos, tarde ou cedo, que a salvação nunca foi uma medalha para os melhores.
É graça para os que reconhecem que precisam dela.
E talvez seja essa a maior provocação: se pudéssemos escolher a nossa hora derradeira, talvez escolhêssemos o momento em que estivéssemos mais preparados para morrer.
Deus, entretanto, parece interessado em algo muito mais profundo: que estejamos preparados para viver.
Porque o problema nunca foi simplesmente saber quando iremos partir.
É saber, enquanto ainda estamos aqui, o que estamos fazendo com o tempo que nos foi dado.
No último instante, ninguém terá como reorganizar a própria vida.
Não haverá tempo para fabricar humildade, ensaiar arrependimento ou improvisar fé.
A Eternidade não será uma extensão das nossas desculpas.
Por isso, talvez a sabedoria esteja em viver hoje como quem já entendeu que a hora derradeira não é um acontecimento que podemos agendar.
E que, quando ela chegar, a grande questão não será quanto tempo conseguimos permanecer na Terra, mas o que fizemos com a oportunidade de amar, perdoar, servir e caminhar na direção de Deus.
A morte pode até provocar a última baderna.
Mas a graça é aquilo que, no fim, põe tudo em ordem.
Possuir recursos e escolher ignorar a miséria do próximo não é apenas falta de empatia, é a prova de um caráter que se corrompeu pela própria indiferença.
"Quando fragilizados,
evitemos escolher decidir
para onde seguir e o que
dizer, pois a mente enevoada
nos predispõe mais a
erros, ciladas e desistir."
Escolher ficar hoje em dia é quase um ato revolucionário digno de documentário que ninguém pediu, mas todo mundo deveria assistir. Porque enquanto o mundo grita “próximo!”, eu estou ali, sentada emocionalmente no mesmo lugar, olhando pra mesma criatura com as mesmas manias irritantes de sempre e pensando, curiosamente em paz, é… ainda é aqui.
Não porque é perfeito, longe disso. Se fosse perfeito, eu desconfiava. Coisa perfeita demais ou é filtro ou é golpe. Mas é porque eu já conheço os defeitos, já sei onde pisa errado, já decorei até os silêncios inconvenientes. E tem algo estranhamente confortável nisso. É tipo aquele sofá velho que já afundou no formato do meu corpo. Não é bonito, não impressiona visita, mas me entende profundamente.
Porque começar do zero parece lindo até você lembrar que o zero vem com manual de instruções oculto. A pessoa nova pode vir embalada em promessas e boas intenções, mas também traz defeitos inéditos, surpresas desagradáveis e aquele clássico momento em que você pensa, meu Deus, troquei seis por meia dúzia gourmet. Pelo menos aqui, o caos já é conhecido, quase íntimo, quase doméstico.
E não, isso não é sobre se contentar com pouco. É sobre entender que muito não é ausência de problema, é presença de disposição. Relação não é porcelana de vitrine que quebra na primeira queda e vira tragédia grega. Relação é concreto. Pesado, bruto, às vezes feio, mas resistente. Racha, sim. E vai rachar mesmo. Só que também dá pra reforçar, remendar, reconstruir. Dá trabalho? Dá. Mas desde quando o que vale a pena vem pronto e fácil?
A grande ironia é que o mundo vende intensidade como se fosse amor. Aquela coisa de arrepiar, de acelerar, de perder o fôlego. Mas isso até café forte resolve, minha filha. Amor mesmo é quando o café esfria, o dia pesa, a paciência acaba, e ainda assim você olha pra pessoa e pensa, tá, vamos continuar. Não porque não existe opção melhor no mercado, mas porque existe escolha.
E escolher, convenhamos, é muito mais difícil do que sentir. Sentir é automático, impulsivo, quase irresponsável. Escolher é consciente, é teimoso, é um pequeno pacto diário que ninguém vê. Não tem aplauso, não tem plateia, não tem trilha sonora. Só tem dois seres humanos imperfeitos tentando não desistir no primeiro sinal de desconforto.
No fim, o extraordinário nunca foi o começo cheio de fogos de artifício. Isso aí é marketing emocional. O extraordinário é quando os fogos acabam, a fumaça baixa, a realidade aparece sem maquiagem e, mesmo assim, eu fico. Fico porque quero, porque escolho, porque entendi que construir é mais raro do que substituir.
E olha… num mundo que troca tudo o tempo inteiro, ser alguém que permanece já é quase um luxo. Um luxo silencioso, discreto, que não viraliza, mas sustenta histórias inteiras. E talvez, só talvez, seja exatamente isso que ainda salva alguma coisa nesse caos bonito que a gente insiste em chamar de amor.
"No fim, não se trata de parar de ser bom, mas de escolher melhor a quem você faz bem. Que seu coração continue generoso, mas que sua sabedoria seja ainda maior. Você merece estar rodeado de pessoas que, quando você precisar, esteja lá, sem precisar pedir, sem precisar cobrar, sem precisar esperar."
Que, seja qual for a missão que Deus lhe confiar, nunca lhe faltem sabedoria para escolher o caminho, força para vencer os desafios e fé para continuar, mesmo quando os passos se tornarem difíceis.
Que Ele ilumine seus dias, acalme seu coração e lhe conceda a serenidade necessária para compreender cada etapa da caminhada. Que, nos momentos de incerteza, você encontre n’Ele a direção; nos dias de cansaço, o renovo; e, diante dos desafios, a coragem para seguir.
Que Deus lhe capacite a cumprir sua missão com amor, propósito e sabedoria, fazendo de cada passo uma expressão da Sua vontade e de cada conquista um reflexo da Sua graça. ✨🤍✨
" 'Escolher-se' e ser escolhido são situações tão distintas quanto o dia e a noite. Mesmo assim há quem não perceba isso!"
Frase Minha 0295, Criada no Ano 2008
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Se eu ficar velho (e estiver vivo) quero - eu mesmo - escolher qual é ou qual foi a 'melhor idade' para mim. Pode ser? Hum!"
0791 | Criado por Mim | Em 2014
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Uma das vantagens em ser 'Podre de Rico' é que você pode escolher continuar rico ou não. O outro não pode!"
0804 | Criado por Mim | Em 2015
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
0295 "São situações tão diferentes que só a Desfaçatez não deixa perceber... 'Escolher-se' e Ser Escolhido são tão distintas quanto o dia e a noite"
1971 📜 "Se fosse para escolher, entre substantivo e adjetivo, eu pediria licença para ser verbo. Enquanto aqueles indicam 'apenas' situação, condição, verbo indica ação. Quero ser verbo!"
0772 📜 "O genial Tom estava 'mais ou menos' certo ao escolher o título" 'Triste é Viver na Solidão', para uma das composições dele!"
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Depende, digo eu. Se eu estiver por perto, é só alegria viver na solidão... Comigo, HeHeHe"
3102 📜 Largar o Brasil e escolher o Paraguai tem a ver com 'Acampar à Porta dos Quartéis'? Tem? Alguém sabe?
