Se quer ser Amado Ame
Autenticidade
Cansei de ser julgada pela minha autenticidade
na essência poética
Aos bravos e recolhidos seguidores dos meus perfis,
não serei performática para agradar
As suas escolhas pelo obscurantismo não me interessam
Deixem de se preocupar com a minha escrita insólita
busquem pelo fanatismo adulador e fantasioso das aparências
que combinam com suas visões
A minha poesia é ácida que até dói
Diante do atual mundo tresloucado
nunca praticarei uma escrita espúria
Sempre estarei no limiar da minha mais profunda essência
convicta das rasas interpretações
As dimensões que ocupamos são antagônicas.
Imagino como seria hoje julgado Manuel Bandeira
Que do seu íntimo preconizou
“Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem-comportado...”
... “Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”
Libertação do ser
Quando o véu se esgarça,
e o mundo perde suas cores emprestadas,
a liberdade não é um rio,
mas o oceano que não pede licença
para ser vasto, profundo, salgado.
Não há mais rédeas,
nem mapas desenhados por mãos alheias.
As regras, outrora prisões,
agora são cinzas ao vento,
e os valores, sombras desbotadas,
refletem apenas o vazio que habita
o cerne de tudo.
É aqui, no abismo sem fundo,
que o ser se revela:
niilista, agnóstica,
desnuda de certezas e dogmas.
Não há mais o ter que,
apenas o poder ser.
E ser é existir sem véus,
sem máscaras,
sem a necessidade de pertencer
a qualquer coisa que não si mesma.
A liberdade chega como um silêncio,
um eco que não responde,
um horizonte que não promete.
E no meio desse vazio,
o ser se encontra,
não como um ponto fixo,
mas como uma dança contínua,
uma chama que arde sem motivo,
sem destino,
apenas porque existe.
E assim, no caos da existência,
no deserto sem deuses ou sentidos,
o ser se faz inteiro,
não pelo que tem,
mas pelo que é:
livre,
desamarrada,
e infinitamente sua.
A vergonha de ser feliz
Por que você julgou que eu fosse morrer?
Tenho a certeza que era essa a sua maior vontade
Minha verdade?
Estão nos anos que vivi quase morta
de arrependimento e sofrimento
suportando a infelicidade
pela falta do meu próprio eu
da minha autonomia e estabilidade
trocados por um ambiente hostil
Fugi para ter de volta o meu mundo
Continuei por algum tempo a sofrer
sabendo da sua insanidade
revolta, ódio e até onde iria a sua intolerância
E eu te digo, você trabalhou como rato de esgoto
mas, víboras se alimentam de ratos
Como disse o poeta Gonzaguinha
"viver é não ter a vergonha de ser feliz"
Eu sei, você não conseguiu a sua vingança
mas encontrou a bonança
sem a vergonha de ser feliz
Sabe por que o poeta disso isso
sobre a vergonha de ser feliz?
É que a felicidade está no amor que sentimos
e quando não existe amor de verdade
sabemos que a felicidade é passageira
são momentos no arrepio das ilusões
apoio para as frustrações
Sem consciência e em apuros
usa-se e abusa-se incondicionalmente
por um tempinho feliz
Mas, quando consciente
sabe da "incompletude" que tem
e aquilo que completa é incompleto também
É isso que nos causa vergonha
e para suprir a danada
grita-se aos quatro ventos
que não tem a vergonha de ser feliz
por já estar desolado
com a felicidade que tem ao lado
E digo ainda,
não vou morrer por causa da sua felicidade
pelo contrário
ela suscitou a minha independência de responsividade
libertada das suas agruras
e tenho vergonha de dizer
pela falta de carência interior
o quanto sou completamente feliz.
Metamorfose por completude
Querer ser é humano
Ser per se stante
Não, é perjúrio introspecto
Professa com imprudência
valores internalizados
avivados de senso comum
Sem moral e com medo
ceifa a consciência
alivia a vergonha, silencia
Apartado de si e sem ser
não persuade
debalde luta pela plenitude
Certo da incompletude
metamorfoseia-se algures
abasta-se com qualquer ser
Minha culpa
De quem é a culpa? Deve ser minha
Sou apenas uma parte do núcleo do átomo
Que valor tem a minha estima?
Ensinei aos meus descendentes
civilismo, conduta ilibada
Para quê?
Para viverem e presenciarem
terrorismo e corrupção
comandados pelos marafões no poder
Mas, a culpa deve mesmo ser minha
desiludida com tamanha podridão
escorreguei na casca da banana
que o mandrião mandou ao chão
Tamanha foi a minha desilusão
que derramei tantas lágrimas
e enchi a barragem em Mariana
e ela se rompeu
Aniquilei com o rio tão doce
cheguei ao mar tão salgado
detonei a região
As minhas lágrimas secaram
vai ter seca, faltará energia
afundarei com a economia
e a miséria reinará
e toda culpa é minha.
Respire um pouco, deixe de ser verbo por alguns instantes e seja substantivo. Tome posição, se refaça, não aja, observe. O tempo trará consigo o adjetivo que te faltas.
As lágrimas do poeta escrevem o seu ser.
Elas fazem do menino o homem ancião.
Criam momentos que se imortalizarão.
E vestem de azul os negros olhos de minha escuridão.
"Eu já quis ser tanta coisa, mas ser eu mesma foi a melhor opção. A melhor versão de nós é aquela que se diverte com as imperfeições".
"O presente leva-nos para o futuro,
Onde os sonhos podem ser realidade.
O passado vem ao encontro do presente
E, desperta, dentro da gente,
Uma infinita saudade..."
(Maria do Socorro Domingos)
"Estou pretérita com o comportamento de pessoas que apresentavam ser algo que não era... agora bebê, a máscara caiu e a encenação foi descoberta. Pessoas falsas não sustentam o fingimento por muito tempo."
Quão fácil é julgar alguém pelos erros dele, mas quão difícil é ser julgado pelos seus próprios erros! A balança da justiça não pode ser uma gangorra
Voo
Se alçares voo
Deverá ser para chegares o mais alto dos ares
Para ver com outros olhos os mares.
E sonhares.
Mesmo que esteja longe a terra
Não tenhas medo da queda
Que um dia estará por vir.
Se não conseguires pousar
Então permaneça na correnteza quente dos ares
Com as asas paradas
E irás a outros lugares
Sem te cansares.
A vista de cima é das mais belas
É lúdica, é singela.
E quando conseguires um bom pouso
Pousa suave
Outros voos assim
São seculares.
Estar privado de algum sentido pode ser considerado uma grande graça porque nos priva de sentir algumas emoções, permite que outros sentidos alcancem melhores proporções e o despertar de novos valores.
A vida é um lindo circo. Temos que ser mágicos, equilibristas e há momentos que fazemos o papel do palhaço. Mas fique preparado, porque o leão sempre entra no picadeiro.
Olhe para o céu e conclua que as estrelas ainda diluem a vã existência do seu ser ao inimaginável universo.
Palavras mal direcionadas, podem ser como, uma arma engatilhada diretamente ao coração, como o veneno mais letal injetado ao corpo.
Quantas vezes deixei de ser criança, ao ver o que as pessoas são capazes de fazer umas com as outras.
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