Sê quem és
Quando um filho volta
Coração da mãe se solta...
Os olhos brilham como vagalume
Acabam-se todos os queixumes...
mel - ((*_*))
Se por acaso, na estrada o presente se cruzar com o passado lembre-se: o tempo muda muitas coisas. Outras jamais mudam
Por quanto dures
Confia-se no tempo, não mais as ocasiões... Vacilam?!
Sempre jurastes; como uma pedra, se opusera,
num acento beira chão, um momento, oscilação...
- Não te desprendas; como viver a esmo?!... Digas-me!
Tantas as correntes de água, serão a meu pranto?...
Se fores não se desencaminhes, és tão bela a vida,
tuas passagens não se encontrarão as minhas...
Reluto pensar, quantas orquestradas memórias. Vivas!
Não estarei tão longe assim, algumas quadras,
do seu existir, longe não queiras, eu, mais sorrir...
"Quando ouvires a mais bela canção, lembre-se que tudo começou no silêncio de um inspirado compositor."
O caso mais complicado na relações interpessoais é aquele que acaba sem ter-se percebido como acabou.
A POESIA DE CADA UM
Levantem-se, poetas!
Por que esconder tanta beleza
Lacrada em ignoradas escrituras?
Há um poeta em cada homem!
Poesia não é a linha escrita
As frases montadas
As palavras difíceis
O sentido oculto.
Poeta não é o escolhido
O culto
O esquisito
O admirado
O discutido.
Poesia não é a face voltada
Ao pobre
Ao rude
Ao oprimido;
É algo simples,
Universal!
Poesia é do operário
Do pedreiro
Do Lixeiro
Do marceneiro
Do agricultor!
Como é dos médicos
Dos advogados
Dos engenheiros
Dos psicólogos
Dos professores!
Nas mãos do culto
É nota afinada;
Nas mãos do rude
É nota dissonante,
Sem deixar de ser poesia!
Poesia é a oitava do maestro
O tinir de instrumento do ferreiro.
Está nos livros adornados a ouro
E no papel de embrulhar pão;
Na eloquência do orador
E na mudez do flagelado.
Poesia é a flor do jardim imperial
E a flor do túmulo sem nome;
Está nos teatros
E está nos campos;
É a chuva
O sol
O arco-íris;
É a lama
A escória
O temor!
Quanta poesia há
Num mendigo que olha pro céu!
COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012.
IMPRESSÕES DA PRAÇA
Velha praça de imortal nome!
Encruzilhada de destinos
Que correm paralelos
Ou se entrecruzam
Em eventuais encontros.
Velha praça de imortal nome!
Onde os pássaros sufocam gorjeios
Ao alarido de veículos céleres;
Onde o trágico e o cômico se revezam
Aos olhos transfixos dos transeuntes.
Velha praça,
De novas emoções!
Em seu solo vicejam
Plantas e flores,
Pegadas e frases
Que Éolo mistura
Em algaravias
Que somente a brisa entende.
Os homens se esbarram,
Mas não se tocam;
Trocam ideias
Ou falam a si mesmos.
As árvores cumprem seus destinos:
Sombreiam, farfalham,
Tingem a paisagem cinza citadina
Com cores vivas;
Mantêm colóquios misteriosos
Entre si;
Brincam com anciões
Recostados em alvos brancos,
Derramando-lhes folhas soltas.
Velha praça de imortal nome!
Ao dia, é vida e burburinho;
À noite, é escura e melancólica;
É abrigo de aves gárrulas;
É repasto de pombos...
E de sonhadores!
Santos, Praça Rui Barbosa - 1980
COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012.
"A vida nunca foi feita apenas de flores, se prepare para ferir-se nos espinhos por causa de amores"
A vida te derrubará, então levantará, você irá apanhar, então irá manter-se de pé, você ficará fraco, então saberá o quanto é forte.
"Se quisermos falar de turismo seriamente precisamos organizar nossa cidade para receber o turista de um dia, informá-lo, orientá-lo, educá-lo e transformá-lo em um turista de todo dia. Queremos que ele venha, queremos que ele volte sempre, e para tanto é necessário mostrar e exigir respeito"..
Assobiar
É evadir-se de dentro do peito enquanto emancipa-se da dor
e descer ao céu de pés descalços, feliz.
É também subir ao chão de nariz rijo, e de pé,
por-se arrogantemente como se nada tivesse ocorrido.
É pôr de sol de final de vida,
nos limites da tarde, no quase noite, a beira mar.
Assobiar é lamento, é sair de dentro, como se não tivesse opção.
Assobiar é saber-se sabido, e saber-se sonoro
é entender-se canário, cantante, livre.
É fugir pra longe de si, carregado pelo vento,
em pó de flor que poliniza os olhos,
e faz nascer uma plantação inteira de gotas de lágrimas.
Assobiar é cantar pra subir, e descer em seguida
pra o mais profundo íntimo de sua singularidade humana.
As pessoas que você mais amava e se foram tornam-se insignificantes perante o tempo e as lágrimas, mas não ausentes do seu coração. Você irá vê-las até o último bater, quando seus olhos se fecharem ao eterno.
Viver é como equilibrar-se numa agulha, na ponta, esperando que o vento seja humilde e suas escolhas não pesem muito.
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