Se Fosse Só Sentir Saudade

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"Errei de novo… só que agora, mais perto do acerto."

Somente ofereça aos abutres que sobrevoam sua vida o necessário, afinal de contas, carne podre só servirá de isca a quem se alimenta de rejeitos

Fantasmas do passado só irão te assombrar quando a chama da culpa acender o pavio da ociosidade

Pois o que alguém é por si só, aquilo que o acompanha na solidão e que ninguém pode lhe dar ou dele tomar, é evidentemente mais essencial para ele do que tudo que ele venha a possuir ou também a ser aos olhos dos outros.

⁠Ninguém poderia sobreviver à compreensão instantânea da dor universal, pois cada coração só foi moldado para uma certa quantidade de sofrimentos.

⁠Precisamente, ao nos convencermos de que a mulher amada não é como acreditávamos, mas só uma imagem generosa que havíamos feito, produz-se em nós a catástrofe da desilusão.

José Ortega y Gasset
O que é Filosofia? (1929).

⁠Mas uma coisa sei: qualquer evento nos marca e nos transforma só na repetição ou, melhor dito, num segundo momento, em que ele é evocado, retomado, revivido.

⁠"Ser uma jovem Cristã não está na moda nos dias de hoje.
Você terá desafios e tera uma vida solitária muitas vezes.
Mas o Senhor lhe recompensara, será confrontada com a cultura deste mundo.
Permaneça firme no propósito, o Criador do Universo te dará refrigério na hora precisa."

⁠A porta que Deus abriu para você, só você pode ultrapassar, pois essa porta tem as suas próprias medidas

⁠Só você enxergou o melhor que havia em mim!

⁠Um dia você vai encontrar, alguém que veio à esse mundo só pra te, encontrar.

Só eu sei dos pedaços que me arrancaram, dos que perdi, dos que consegui colar, e dos que não consegui, então não julgue minhas imperfeições.

Enquanto existo só em mim, carrego duas vontades: a de morrer… e a de viver de verdade. Não apenas passar pelos dias, não apenas respirar por obrigação, não apenas sobreviver. Quero tudo o que a vida ainda me permite tocar, sentir, descobrir e construir.


Mas há também essa desistência silenciosa, que tantas vezes me faz abrir mão de tudo antes mesmo de tentar. Uma força escura que me convence a parar, a recuar, a aceitar menos do que minha alma deseja.


Que morra em mim essa desistência. Que cesse esse hábito de abandonar sonhos, caminhos e a mim mesma. Porque não nasci para apenas suportar os dias. Nasci para habitá-los.


Enquanto travo essa batalha invisível, sigo sobrevivendo um dia de cada vez. E às vezes isso já exige uma coragem imensa. Há dias em que levantar é vitória. Há dias em que continuar respirando já é resistência.


Mas no fundo de mim ainda pulsa algo que não se rendeu. Uma centelha que insiste em querer mais, em querer vida inteira, em querer verdade.


Talvez seja por ela que ainda sigo aqui.
E talvez seja ela que, no tempo certo, me ensine a viver — não só existir.

A realização é a contrapartida do desejo; ela nasce dele, cresce através dele e só encontra sentido porque, antes, existiu algo pulsando por dentro, pedindo para acontecer.
Ninguém realiza o que nunca desejou de verdade. Até as maiores conquistas começaram como ausência, vontade, inquietação.

O desejo é a centelha.
A realização é o fogo alcançando forma.

E talvez seja por isso que viver também doa às vezes: porque desejar exige coragem. Mas é justamente essa coragem que move a vida, cria caminhos e transforma o impossível em algo tocável.

A realização é a contrapartida do desejo; ela só existe porque antes houve algo queimando em silêncio.
Um impulso. Uma vontade. Um corpo inquieto imaginando toque, presença, entrega.

Tudo que arde demais dentro da gente procura um jeito de existir fora.
O desejo provoca, percorre a pele antes mesmo das mãos, invade pensamentos, cria cenas, acende faltas.

E a realização…
ah, ela é quando aquilo que incendiava por dentro finalmente encontra corpo, boca, calor e coragem para acontecer.

Porque existem desejos que não nasceram para permanecer imaginados.
Nasceram para serem sentidos até o fim.

Só se vê bem com o coração. O essencial quase nunca se entrega aos olhos apressados.

Há coisas que não se explicam pela aparência, nem se alcançam apenas pelo toque das mãos. É preciso sensibilidade para perceber, calma para enxergar além da superfície e alma para tocar aquilo que não se vê, mas se sente.

Minhas certezas vieram de provações, não procuro garantias, só preparo caminhos, o preparo é minha religião cívica.

A liberdade só se manifesta quando não há mais ninguém externo para servir de bode expiatório para a nossa infelicidade ou o fim da história. Enquanto a sombra da culpa for projetada, estaremos presos na escuridão de um luto que não nos pertence.

Somos arquitetos da própria jaula, urdindo narrativas secretas que só o silêncio conhece, pois o mundo não é o que vemos, mas o eco visceral da história que escolhemos sussurrar para nós mesmos.

Há diálogos que só consigo ter comigo à noite. Neles sou rude, doce, honesto ou covarde, tudo junto. Depois me levanto e visto a máscara da manhã. Mas a verdade que consolida vem desses debates internos. E quem me ouve, no fim, é quem mora dentro.