Se Fosse Só Sentir Saudade
Boa é a sensação que vem
Quando a gente se sente só
E mesmo estando assim sozinho
Só faz assim porque sabe
Que em algum lugar deste mundo
Tem alguém que sente saudade
E se sente só também
Bom é quando a gente
Não se cabe de alegria
Quando começa ou termina o dia
Tendo em mente que está lá
E que aquele coração
é outro que se apressa
Pra depois arrefecer, sereno
Aguardando que um mais um
Sejam dois
E que dois seja um só
Bom saber que ela queria
Em grata, simplesmente se molhar
Na tempestade que aqui choveu
Olhar pro mesmo Sol que eu vejo
Saltaria aos olhos dela
Se me visse a rir à toa
Sentindo essa coisa boa
Só por saber que ela existe
Lá, sem saber onde esconde
A alegria que lhe vem ao rosto
Por saber que é querida
E só por ela eu penso assim
Em tê-la até o fim da vida
Aqui, muito perto de mim.
Edson Ricardo Paiva.
Existe tanta coisa nesta vida
Enquanto eu a tenho uma só
Escolhas são sempre as nossas
Portanto eu não posso perder meu tempo
Reclamando da imperfeição na paisagem
Quando eu sei que é uma viagem só de ida
E nada se deixa e nada se leva
A não ser saudade
Tudo mais não me pertence
Aquilo que tens hoje ao teu redor
Não o olhe como a uma conquista
Pense que são como estrelas
Assim como eu, todos podem vê-las
Sem jamais tocá-las
Pense no presente como uma lembrança
Uma fotografia de um tempo
Em que havia ou não havia esperança
A vida é algo tão breve
E não há ninguém que leve nada
Não vou desperdiçá-la sentindo medo
Não tenho direito de me queixar
Se o limão era azedo
Quando ele esteve em minhas mãos
e sei que deixei ficar passado e amargo
Hoje eu não trago mais nada comigo
Além daquilo que possa sempre carregar
Pois eu tenho o mundo todo
Sabendo que nenhum lugar me pertence
Vivo o presente agora
Sem chorar passado e nem futuro
O tempo jamais esteve ao alcance da vista
Diferente das estrelas, que eu posso ver.
Edson Ricardo Paiva.
Era quase que assim
Um leve tremor de terra
Prenuncia o apito do trem
Só que quase ninguém percebia
O sermão durante a missa
A igreja tão cheia
E quase ninguém ouvia
Quanto ao resto da vida
Não o sabe até hoje
Da secura na boca
Calma, aguda, iludida
Muda algia rói alma
Carece de companhia
Um tanto menos pernóstica
Só fantástica e desabrida
O contrário
Era um jeito de olhar o Céu
Enxergar nele a vida
Um tanto profunda
e de olhar esquecido
Quem lhe visse podia jurar
Era antes pequeno desejo
Jamais um pedido
A vida meio vazia
A outra metade era vida
No outro dia tanto faz
A semente bem regada
Cuidada por cuidar
Pois de lá não saia nada
Assim era tudo
Enfim, um saber calado
Um verso oculto
Cujo vulto do tempo
Escreveu apressado
Se está fora de lugar
O correto é cair
Equilíbrio é o silêncio que faz
A vidraça parecer escura
A paz que precede a chuva
Sempre que a chuva vem
A água evapora
A alma cura
Entretanto ela chora
Tempestade, água turva
A curva do rio, a lagoa
Fatalmente o ponteiro, a hora
Por ora, balaio no chão
Canta muda
A canção silenciosa
E somente o coração escuta
Roupa suja, varal
Ensaboa um sinal da vida
Outro aceno do mundo
Desalento um segundo
Quando meio segundo
é momento
A saber
Água limpa
Não lava alma turva
Acredite em não crer
O saber de cada receio
Escondido em gavetas
Espalhado pelo imenso mundo
Se contar nos dedos
A qualidade de tantos medos
Reais e de faz de conta
Um mais um, às vezes são dois
Mas, de vez em quando, não
É aí que mora a diferença
Entre pensar
E pensar que pensa
Olhar e saber na hora
Àquilo que vem
Sem demora.
Edson Ricardo Paiva.
"Arrependimento é um male que só aflige aos que outrora foram portadores da certeza. Tudo mais é fatalidade"
Edson Ricardo Paiva
Perdidos no tempo e no espaço
Só reflexos de espelho
A água evapora
A nuvem cresce
Uma nova notícia na porta de casa
Só agora se sabe do prazo
Apesar do tempo ter asas
Não voa e jamais envelhece
O que destoa é viajar com ele
E nunca mudar em nada
Sempre aquela vibração tão boa
da cadência do som
Em que soam as cordas do tempo
Momento a momento
Um dia a gente, que estava à toa
Fatalmente acorda
E percebe que o tempo envelhece
Friamente, a cara do espelho
A nuvem de chuva caiu
Fim de tarde
Horizonte vermelho
Abelhas rainhas
Foram minhas todas elas
O Sol se põe por trás
dos montes de notícias
Que batiam-me à porta
Eu lia o jornal
Mas jamais atentei pro resumo
MIsturado e torto
O compromisso era comigo
Meu abrigo, meu rumo
Não ligo e não brigo
Nem tenho nada com isso
Assim me acostumo
A olhar
Ver cara do tempo
A cada vez que eu o olho
mais moço
E sem nenhum alarde
Conforme convém-me
devido a ser tão tarde
Agora
Sabê-lo antigo
Molhar-me na chuva
Minha única amiga
Até que o próprio espelho
Que muda, qual cor do cabelo
E sem reclamar pra ninguém
Finalmente acatar-lhe
Assim como eu faço
Os conselhos, de vez em quando
Tendo, enfim, me encontrado
No espaço e no tempo.
Edson Ricardo Paiva.
"A vida passou tão depressa
Que só nesta fase da vida
É que me ocorre o pensamento
Do quanto teria sido inútil
Ter tido o medo que quase senti
Pois a vida não parou pra ser perfeita
Por isso foi sendo refeita todo dia"
Edson Ricardo Paiva.
"A melhor maneira de evitar desentendimentos com gente que só nos aceita quando a gente concorda em tudo com elas é considerá-las mortas. Mas isso deve durar somente até o dia em que a gente morrer"
Edson Ricardo Paiva.
Quem sabe
Se olhar pra frente
Pode ser
Que só o presente
Amanhã seja passado
Quem sabe
Se olhar pros lados
No meio da madrugada
E num beco escuro
Perceba que só agora
Eu me sinto seguro
Fui criado à beira
De uma vila chamada loucura
Minha casa ficava na esquina
Da rua impossível, com a difícil
Foi difícil, mas saí de lá
Quem sabe
Se olhar pra baixo
E caminhar depressa
Nessa fria madrugada
Eu ache a solução da diferença
Entre vida e tristeza
Quando a vida inexiste
Tristeza é voz perdida
Vaga-lume, precipício
A parte mais difícil
Se esquecer como se faz
E eu quero paz
Quem sabe
O olhar pra cima
A chuva fina
Me perdoe
Pra que eu possa prosseguir
Perdido
E descansar os pés
Lá na praça do passo esquecido
Onde eu queira
Finalmente olhar
Pra dentro da minha alma
Quem sabe, pode ser até
Eu escute o som das palmas
Aplausos que se escuta
Quando a gente finalmente aceita
Que de fato perdeu a luta.
Edson Ricardo Paiva.
Existem coisas que só existem
devido à influência do Sol
Há coisas que prosperam
seguindo as leis da vida
Tem outras que são criadas
Conforme a evolução da natureza
E todas elas sobrevivem
e sobreviveriam
Sem a interferência
ou a influência do Homem
de Maneira, que às vezes a gente pensa
Que a nossa existência
é perfeitamente dispensável
Tudo depende
da maneira que aprendemos
A enxergar a vida
Assimilar e processar essas informações
E transformar o resultado
Naquilo que guia
As nossas ações no dia-a-dia
Pois
As Estrelas estarão sempre lá
As Flores e as abelhas também
Assim como os lindos amanheceres
Insetos seguindo seu caminho
Pássaros fazendo ninho
Tudo correndo certinho
Conforme as leis do Criador
Mas acontece
Que se não houvessem
A alma e a Mente Humana
Pra transformar muito disso
Em música, em pintura e tecnologia
Em Arte, em dança e em poesia
Em agricultura, em Arquitetura
Em Esporte
E até mesmo
Na consciência
de que existe um Deus
e que há vida após a morte
Tudo isso passaria
Milhões e milhões de anos
Como se fosse apenas um dia
Sem a existência Humana
A História do Mundo
Caberia em uma semana
Talvez seja por isso
Que Deus mantenha com o Homem
Esse Eterno Compromisso
Pois, por mais coisas que Deus faça
Ele sabe
Que sem a gente por aqui
A vida não teria
A mesma graça.
Edson Ricardo Paiva
"A pior cegueira é aquela Onde só se enxerga aquilo que quer ver e só vê aquilo que não quer. "
Edson Ricardo Paiva
"A pior cegueira é aquela Onde só se enxerga aquilo que quer ver e só vê aquilo que não quer. "
Edson Ricardo Paiva
"Entre todas as coisas que existem
Só o tempo não é eterno
Ele apenas corre eternamente"
Edson Ricardo Paiva.
Ando apaixonado
Não pela vida
Pois essa foi sempre traiçoeira
Não pela noite
Que me deixa só toda manhã
Também não amo a poesia
Pois esta é feita
de pensamentos, palavras
e lembranças
nas quais pouco eu penso
Eu ando apaixonado
Pelo som do silêncio
Silêncio no qual vivo agora
Que ignora a voz do vento astuto
Atento ao coração
Pois hoje
Quando ele chora, eu escuto
No silêncio das coisas que ora penso
Mando embora toda e qualquer tristeza
Mas quando a tristeza vem
Ela também chega em silêncio
Me abraça, enquanto acordado
Explica e justifica
O sentido dessa vida
Nós dois nos viramos de lado
Abraçados, não dormimos
Dormitamos
Sem ouvir qualquer ruído.
Edson Ricardo Paiva
Lá fora, claro dia
O Sol, tão só, brilha no Céu
Talvez de solidão
A luz que esse Sol irradia
Ultrapassa
O ponto onde a vista alcança
Astro indomado
Exibindo eternamente a realeza
Na tristeza dessa mansa solidão
O Sol tão só no Céu
Ternura ausente
Que se sente
Nessa escuridão tão branca
Talvez o Sol
Seja criança entre as estrelas
Um ponto entre outros Astros
Vaga tranquilo
Brincando de destruí-los
Lentamente
Enquanto isso a gente
Tão sós quanto o Sol
Carentes de tamanha realeza
Destruímos a nós mesmos
Com tamanha destreza e celeridade
Que jamais chegaremos perto
Da idade do Sol
Que lá fora
Arde tranquilamente.
Edson Ricardo Paiva.
De tanto querer
Que o tempo não passasse
Sem querer o vi passar
E tem horas que parece
Que só vi
Porém, sem vê-lo
Penso uma imensa lista
De coisas que queria ter feito
E que fiz
Mas vejo que fiz de outro jeito
Senão não cabia a mim
Esse vasto cabedal de desamor
Eu acho que só se desama
Porque na vida que se vive de verdade
Quando alguém encontra o amor
Pensa, infeliz, que só amor não basta
Difícil dizer
Os nomes dessas coisas tristes
Cidade onde nunca fui
Lugar que só existe em mim
Que no fim compõem as horas
Conjunto de longas horas
Que na falta de quaisquer outras
Insisto em chamar de vida.
Edson Ricardo Paiva.
Quando a gente se sente só
E solidão é só o que se sente
Percebe que a solidão
Nunca chega só
Pois sempre vem junto a ela
Um frio suor nas mãos
Arrepiando a barriga
Na visão da janela fechada
Um rio de tristeza
Inundando o coração
Vem a inseparável saudade
E não vem mais nada
Solidão, quando é da boa
Faz ouvir a uma voz que ecoa
E é sempre uma só, somente
Causando um cortante frio
Daquele que dói a alma
Num vazio de não sei o quê
Pois a solidão
Não é só estar só
É estar diante do mundo
E não ver o chão
É querer voar, sem ter ter asas
É buscar ao odor do alecrim
Num jardim de malmequeres
Sem haver no final do dia
Uma casa pra voltar
E, sem ter aonde ir
A solidão vem dizer
Que não há no mundo lugar melhor
Nem na vida coisa pior
Pois qualquer lugar é lugar.
Edson Ricardo Paiva
A Gente mente
Sente quanta diferença faz
Crer ou não
Mentira
É mentir pra só pra si
Somente o tempo sabe a resposta
Mas o coração
Definitivamente
Não tá mais disposto
Ele tenta
O relógio é mais forte
Falso dia, modorrento
Eu tento ouvir a voz de Deus
Descalço e louco
Ouço o vento
Coração batendo fraco
A cada dia mais lento
Eu vejo chover ao Sol
Mas não chove
Essa tempestade somente
Se move aqui dentro de mim
Um dia
A amizade com a alegria
Aquela de viver
Se rompe
O coração grita baixinho
Mas o som da chuva não deixa
Tudo se fecha
Não há vaga
Vagas lembranças de que um dia
A gente podia confiar
Mas o coração
Mentindo pra gente
Não quer crêr
Então ele inventa
Pra fugir do que quer
Tentando ser ouvido
E faz a força
De querer não crêr
Desista
Coração egoísta
Carente de paz
Nada mais é pra sempre
Pra sempre agora
O coração chora em silêncio
Quando percebe
Que pra sempre
Nunca mais.
Edson Ricardo Paiva.
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