Se eu Tivesse Asas
Expressar através da linha o que eu sentia, penso que observar as pessoas e o meu dom vejo em um olhar diferente até um sorriso que parece desenhado um mero disfarce até sorriso radiante tem espinhos, até solução não tem solução a razão chegar não tem mais sentido.
Seu sorriso, minha razão, talvez até razões eu tivesse. Receio que quanto mais eu olhava, mais profundos ficavam, mais distante parecia. Quanto mais eu corria, mais eu tropeçava entre medo e razão. Até parece impossível, mas você me salvou, me deu a mão e meio à multidão.
Sao tantas versões de mim entre tanta imagem, nenhuma sabe explicar
Ninguém vê o que eu escondo atrás do sorriso ou da calma,
Entre o que dizem que sou — bom, mau, forte ou caído —
entre elogios que pesam e ofensas que doem sem fim…
nenhuma dessas versões é o meu verdadeiro sentido:
no meio de tudo isso, sou só eu tentando sobreviver a mim.
Dizem que deus escreve certo por linhas tortas; eu acho que ele só tem um péssimo senso de direção e um prazer sádico em ver a gente capotar na primeira curva.
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, eu decidi que minha performance será uma comédia de erros com um orçamento baixíssimo.
Dizem que deus escreve certo por linhas tortas. Eu digo que ele é apenas um péssimo calígrafo que se recusa a admitir que borrou o papel.
Eles dizem que deus trabalha em silêncio. Eu digo que esse silêncio é indistinguível da inexistência.
"Eu não espero o vento mudar; a minha determinação é o próprio clima que governa o ambiente onde eu piso."
"O mundo está cheio de cópias; eu decidi operar na frequência da autenticidade extrema, porque é lá que a verdadeira riqueza se concentra."
"Eu não me contento em abrir portas; o meu propósito é construir os novos edifícios onde as futuras lideranças vão se reunir."
"Eu não sinto a pressão do ambiente; eu sou o fator externo que altera a pressão de qualquer sala onde eu entro."
Onde Havia Dois, Restou o Amor
Éramos dois, agora sou só eu.
Meu irmão, protetor do frio e da lida,
Em noites densas, o calor era o teu,
No agito constante de nossa vida.
O medo e a ansiedade tentaram ficar,
Mas o amor transbordava em nosso segundo lar.
Entre sons e mimos, sem hora ou rigor,
Eu obedecia ao seu tom mais gentil, com louvor.
Mas o meu inseparável irmão partiu,
Deixando-me só, em um mundo vazio.
A idade avançou, o silêncio chegou,
E em um sopro de susto, o AVC me tocou.
Julgaram-me finda, deram-me o adeus,
Mas o amor de meus donos era maior que os céus.
Lutei com meus sons, clamei por viver:
"Ainda estou aqui, não quero morrer!"
Pelas mãos da ciência e o cuidado da alma,
A vida voltou a trazer minha calma.
Fisioterapia, carinho e luz,
Ao seio da minha segunda família, o destino me conduz.
dedicado aos meus cachorros e médicos
Dedicado à Theodora (em vida) e ao Martin (em memória).
Por: Roseli Ribeiro
A invisibilidade do sentir:
"A sinceridade é um jardim invisível; por mais que eu te entregue o perfume, meus pensamentos são caminhos que teus olhos não podem pisar." Ass Roseli Ribeiro
Eu buscava o sabor dourado da esperança, sua doçura luminosa, mas encontrava o gosto azul da melancolia, o amargor cinzento da ausência. Mas uma luz me cobria e eu sentia o sabor cristalino da paz, a leveza da manhã. Sua lembrança era o gosto rubro do amor e o sabor prateado da lua. Mas ardia a dura violeta da saudade, enquanto eu buscava o som luminoso da liberdade, sem perder a delicadeza transparente do afeto, na esmeralda dos sonhos no vermelho silente e solar da eternidade. Eu senti a voz aveludada do tempo no murmúrio sedoso da chuva e o canto macio dos pássaros era uma sinfonia em minha alma. No entanto, ardia o quente áspero do esquecimento na canção morna do verão. Eu sentia enfraquecer o meu corpo no silêncio cortante da ausência, mas a música líquida das fontes trazia sua delicada voz solar. O eco suave era a fala mansa do vento. Leve como a brisa na melodia transparente. Era o perfume luminoso do amor, na voz cintilante do desejo, a fragrância cálida da paixão que ruborizava meu rosto ao olhar seus olhos brilhantes na cândida alegria da tarde. O aveludado aroma da presença fazia a música macia da pele. E a voz doce das recordações é uma saudade teimosa que nunca vai embora e insiste no perfume estelar da união. A claridade do amor. A doce tristeza da saudade me deixava pensativa, vivendo no presente o passado distante. A voz pálida das lembranças que se fazia a escuridão doce da melancolia no aroma distante de quem anda errante a divagar memórias e a comer o tempo. Queimava o sabor nebuloso da perda, na canção fria da solidão, o eco azul dos dias perdidos, no silêncio do que ficou. Nem o perfume das galáxias podia redimir a música dourada dos astros. Mas a voz potente do universo faz calar o pranto e a claridade sonora das estrelas tem o toque luminoso da eternidade.
EU, POEMA DE MIM
Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.
Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.
Sou o eu lírico que canta
o amor, a dor e a esperança,
que veste roupas de sonho
e brinca com a lembrança.
Sou o eu inanimado,
pedra, estrada e paredão;
dou voz ao banco da praça,
à enxada, ao velho portão.
Sou a poeira do caminho,
a folha seca a cair,
o relógio esquecido
que continua a seguir.
Sou também o abstrato,
o que ninguém pode tocar;
sou saudade, sou silêncio,
sou vontade de ficar.
Sou a dúvida da noite,
a fé buscando razão,
o medo escondido em sombras,
a coragem do coração.
Mas sou também o real,
carne, osso e cicatriz;
sou o homem que tropeça
na procura de ser feliz.
Carrego marcas do tempo,
vitórias, perdas e ais;
sou feito de muitas vidas
que já não voltam jamais.
E quando junto esses eus
num só verso, enfim, assim,
descubro que o universo
fez um poema de mim.
Pois sou palavra e ausência,
fantasia e chão sem fim;
sou o que escrevo no mundo
e o mundo escreve em mim.
às vezes eu acho
que fui feita grande demais
pra uma vida que não expande
ou pequena demais
pra caber no que existe
porque até quando eu amo
tem uma rachadura
até quando eu fico
já estou saindo por dentro
queria que alguma coisa
finalmente me coubesse
ou que eu fielmente coubesse
em mim;
"Quanto mais inveja você tem de mim, mais eu sei que o meu caminho está em paz e o seu coração ferve por remorso e mais eu sei que a sua vida deve ser tratada"
