Se eu Pudesse Pegar todos seus Problemas
Se eu penso nela?
Pensamentos vêm e vão!
Se eu tenho saudades?
Saudade machuca mas passa!
Se eu lembro dela?
Quando se lembra é porque em algum momento se esqueceu!
Mas ela nunca vai!
Ela nunca passa!
Ela mora em minha cabeça, tá ali em meio ao mundo confuso dos meus pensamentos!
Ela está ali entre os risos e lágrimas, entre a multidão e a solitude!
Ela está sempre ali, dentro do coração!
Ciúme de você ainda tenho. O céu que eu prometi eu vou te dar. Aquele beijo que eu te dei. Foi o que me fez te amar...
Eu não demonstro sentimento com excesso de palavras.
Demonstro com presença, com cuidado, com atitudes silenciosas.
Quando eu gosto, eu facilito o dia, ajudo, penso no detalhe, apareço do jeito que sei. É assim que digo “eu tô aqui”. Não sou do tipo que puxa assunto sem motivo.
Não sei sustentar conversas vazias só para marcar presença.
Mas se me chamar, eu fico.
Se precisar, eu faço.
Se for de verdade, eu cuido.
Tenho me descoberto mais reservada, mais seletiva, mais fiel à minha essência. E isso não me entristece. Porque não é frieza é maturidade. Não é indiferença, é profundidade. Deus tem colocado no meu caminho pessoas que entendem isso. Que não me criticam, não me pressionam, não confundem silêncio com jogo ou diferença com charme. Pessoas que acolhem quem eu sou, sem tentar me moldar.
Eu não amo alto. Eu amo firme.
E quem sabe sentir, entende.
Narciso
Quando ele precisa, ele me procura.
Quando percebe que eu posso seguir em frente, aparece só para marcar território.
Ele pode tudo. Eu, quase nada.
Está sempre mais cansado, sempre trabalha mais, sempre acha que a vida dele é mais difícil que a de qualquer outro.
Tudo o que é dele parece maior, mais pesado, mais importante.
Diz que não tem amigos, mas vez ou outra está com eles.
Reclama da solidão, mas rejeita a presença de quem quer cuidar, somar, estar de verdade.
No fundo, não é sobre cansaço.
É sobre controle.
Sobre manter alguém disponível sem assumir responsabilidade.
Sobre querer acolhimento sem abrir espaço.
Sobre não estar sozinho, mas também não permitir ser acompanhado.
E isso cansa.
Porque quem fica sempre à disposição também se esgota.
Foi nesse contexto que eu nasci.
Dois dos meus irmãos passaram a rodar a cidade de Olinda, indo de casa em casa, durante toda a vida. Eu sempre soube da existência deles, mas nunca os conheci pessoalmente, porque a minha avó não permitia que eu tivesse contato. Eu era impedido de conviver com eles.
Fui criado dentro de uma casa fechada. Não tinha acesso à rua, não tinha acesso à convivência. Era assim a cultura da época. Uma espécie de prisão. Muitas vezes eu ficava trancado dentro de um quarto escuro, principalmente por eu ser um menino muito elétrico.
Os castigos eram constantes. Começavam em casa e continuavam na escola. Muitos deles envolviam ficar de joelhos sobre caroços de feijão. Foram muitas violências físicas e emocionais, que hoje eu reconheço como torturas.
Eu só vim conhecer o que era infância perto dos meus 15 anos, quando fui para o Rio de Janeiro. Nesse período, minha própria avó já não me aguentava mais. Eu havia entrado em um processo de rebeldia que fugia completamente ao controle que ela tentava exercer sobre mim, inclusive por meio da religião.
O primeiro livro que eu li na vida, e do qual jamais vou esquecer, foi “A Verdade que Conduz à Vida Eterna”. A partir dali, comecei a me questionar profundamente. Que Deus é esse que permite que crianças sejam mantidas trancadas, sofrendo, enquanto adultos observam calados? Que Deus é esse que convive com hipocrisia e com abusos, inclusive abusos sexuais contra crianças, praticados por pessoas próximas, muitas vezes ligadas ao ambiente religioso, em quem minha avó confiava cegamente?
Nada disso se apaga. Não adianta tentar suavizar. Nada muda a dor que senti naquele momento e a dor que ainda sinto hoje. É por isso que, em muitos momentos da minha vida, eu só consegui dizer: mundo, afasta de mim esse cálice.
Dando continuidade, meu irmão Joel, o mais novo, que tinha apenas 40 dias de nascido quando ficou trancado naquela casa, foi criado pela minha avó paterna, mãe do meu pai. Eu fui criado pela minha avó materna, mãe da minha mãe. Cada um de nós seguiu um caminho separado.
Eu só fui entender, de fato, o que era família por volta dos 15 anos. Foi quando saí de Olinda e fui para o Rio de Janeiro. Lá encontrei uma estrutura familiar diferente, já formada. Foi ali que ganhei mais dois irmãos, do segundo e verdadeiro casamento da minha mãe.
Esse homem, companheiro da minha mãe até os últimos dias da vida dela, tem todo o meu respeito. Ele cuidou não apenas dos filhos dele, mas também de dois filhos que não eram biologicamente dele, mas eram filhos dela. Foi ali que eu vi, pela primeira vez, um cuidado real.
Minha mãe só voltou a ter contato com os filhos que moravam em São Paulo quando eu fui para lá, depois do período no Rio de Janeiro. Fui eu quem trouxe esses irmãos para ela reencontrar. De tão distante que tudo tinha ficado, ela já nem lembrava mais como esses meninos eram.
É desse lugar que eu falo quando falo de rejeição. Não é teoria. É história vivida.
Fernando Kabral
7 de janeiro de 2026
9:58
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Professora Jacy,
Eu queria lhe explicar com calma uma coisa que, para muita gente, parece exagero quando a pessoa fala, mas é real: o sentimento de rejeição não nasce do nada. Ele pode começar muito cedo, antes mesmo da gente entender o mundo.
Na década de 60, o mundo girava de outra forma. Existia uma cultura muito dura com as mulheres e com as crianças. Muitas famílias viviam na pobreza extrema, sem apoio, sem orientação, sem saúde emocional, sem planejamento familiar. Muita gente tinha filhos em sequência, no automático, porque era assim que se vivia. E criança, naquela época, muitas vezes não era vista como sujeito, como pessoa com necessidade de cuidado e proteção. Era só “mais uma boca”, e pronto.
Quando uma criança nasce dentro de um ambiente de briga constante, abandono, desestrutura, medo e falta de afeto, ela cresce sentindo que não tem lugar. Às vezes nem precisa alguém dizer “eu não te quero”. A rejeição se forma pelo clima: silêncio, ausência, descuido, humilhação, falta de acolhimento, falta de segurança.
No meu caso, a história familiar começou com conflitos graves entre meus pais. Ainda no ventre, eu já estava dentro de uma casa sem paz, sem estrutura emocional. Depois disso, veio um período de abandono e separação. Eu cresci com marcas dessa desorganização familiar, e isso mexe com a cabeça e com o coração de qualquer criança.
E tem outro ponto importante: quando uma criança é criada por alguém que não tem preparo emocional, ou que vê a criança mais como obrigação, ou como alguém para “servir” dentro de casa, essa criança aprende cedo que o amor é condicionado. Ela aprende que precisa ser útil para merecer presença, comida, atenção, carinho. E isso é um tipo de rejeição também. Porque a criança entende que, se ela não for “boa” ou “útil”, ela não vale nada.
Então, professora, quando eu digo “me senti rejeitado”, eu não estou falando só de um momento específico. Eu estou falando de uma construção. É como uma ferida que vai sendo alimentada com o tempo: abandono, desatenção, falta de colo, falta de escuta, falta de segurança, falta de carinho. E depois, na vida adulta, a pessoa vira alguém que tenta compensar isso do jeito que dá: trabalhando demais, buscando aprovação, se doando, se cobrando, se sentindo sempre “a menos”, mesmo quando está fazendo o melhor.
Eu quis lhe explicar isso porque eu confio na senhora e eu respeito sua sensibilidade. Eu não estou pedindo pena, nem justificando nada. Eu só estou mostrando o contexto para a senhora entender como certas dores não começam na fase adulta. Elas vêm de muito antes, lá de trás.
Obrigado por me ouvir.
Fernando Kabral
7 de janeiro de 2026
9:35
E eu, no ápice da insensatez
Pensei: queria ter sido como santa na gruta
Imaculada, sem erros, diminuta.
Mas sensata, disse: humana Deus me fez.
“Meu guarda-roupa não guarda roupas, guarda identidades que ficaram penduradas no tempo; hoje eu visto roupas novas, mas só as que não me puxam de volta para a dor que um dia me ensinou a sobreviver.”
Eu sigo vivendo
Todo mundo diz que já passou,
Que esse amor não era pra ser.
Mas eu ainda acordo pensando em você,
Tentando entender onde foi que eu errei.
Me pedem pra superar, mas não sabem como dói,
Tem ferida aberta que o tempo não fecha.
Eu sigo vivendo, mas você ainda é nós,
Superar você tá mais difícil do que parece.
Não foi falta de vontade, nem falta de tentar,
Foi excesso de sentimento sem lugar pra ficar.
Ficou saudade demais pra pouco final,
E um amor inteiro sem poder amar.
Me pedem pra superar, mas meu peito não vai,
Tem lembrança que insiste em ficar.
Eu tô indo, eu sei…
mas dói demais,
Porque superar você não é só deixar passar.
Meu amor, eu queria ter o poder de te proteger de todo mal, que nenhuma tristeza te alcançasse e que a vida fosse sempre leve contigo. Se eu não puder te guardar do mundo, prometo ser abrigo, cuidado e amor em todos os dias.
O Grito que Mora em Mim
Eu amei alguém
que virou ausência.
Não porque quis ir,
mas porque a dor falou mais alto
do que o amor que o chamava de volta.
Ele era casa
num mundo onde eu sempre fui visita.
Era paz nos dias em que minha mente
era guerra.
Era silêncio bom,
daquele que não machuca.
Guardei meu grito por anos
porque achei que não tinha direito.
Porque me disseram, sem palavras,
que amar não me dava permissão de sofrer.
Mas deu.
Deu e ainda dá.
Há três anos
o tempo anda,
mas meu coração ficou sentado
no mesmo lugar,
esperando alguém que não volta
e se culpando por não ter sido suficiente.
Eu tentei ser abrigo.
E fui.
Por um tempo, fui luz.
Mas até a luz cansa
quando o escuro é profundo demais.
Hoje, carrego um grito no peito.
Um grito sem endereço,
sem ouvidos,
sem resposta.
Um grito que não quer morrer —
só quer ser ouvido.
Não quero esquecer
porque esquecer seria perder de novo.
Só quero lembrar
sem sangrar.
Se algum dia alguém me amar,
não será no lugar dele.
Será ao lado da cicatriz
que ele deixou em mim.
Porque eu não sou feita só de perda.
Sou feita de amor que foi grande demais
para caber no silêncio.
E enquanto eu respirar,
ele vive
no espaço exato
entre a dor
e o que ainda insiste em bater aqui.
Eu sou. Tu és. Ele é. E quem somos?
- Almas errantes que se esbarram entre si e tentam decifrar o que fazem aqui.(vida)
Que por onde eu passe deixe rastros de minha luz, mesmo que para alguns de meus desafetos representem sombra, mas mesmo assim a sombra é como as nuvens densas que se dissipam com o calor e o esplendor dos raios de sol, que são tudo que tenho a oferecer, mas de coração aberto e tentando aperfeiçoar minha alma nessa caminhada evolutiva onde somos imperfeitos buscando o acerto através dos erros.
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