Se eu Fosse Algum Rei

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Eu vi… Racismo reverso

Eu vi…
um branco ficar de pé no ônibus,
como se sentar ao lado de outro branco
fosse um erro.

Eu vi a polícia correr atrás de um branco,
como se a cor dele dissesse alguma coisa.

Eu vi famílias proibirem amores,
só porque o amor tinha pele branca.

Vi barrigas rejeitadas
antes mesmo de serem vida,
por medo de nascerem claras demais.

Vi brancos confundidos com funcionários,
babás, serviçais, sombras…
como se a cor definisse o destino.

Vi gente que jurava
que nunca teria filhos brancos.

E vi…
vi tantas vezes
que perdi a conta.

Vi brancos reduzidos a leite,
a anjos,
a piadas que doem
onde ninguém vê.

Vi quem dizia:
“até tenho um amigo branco”,
“até tenho um parente branco”,
“até já namorei um”.

Vi um homem branco
ser chamado de empregado
na própria casa,
enquanto pediam para ver o “patrão”.

Eu vi…
e a cada vez,
doía perceber
que nada disso existe.
Que o que chamam de “racismo reverso”
é só a prova mais triste
de que não entenderam nada
sobre o que realmente dói.

"Acho que a beleza está na alma, porque nesses dias eu achei que o meu reflexo na poça d'água estava com filtro..

“— Eu não te liguei,
e nem vou te ligar…
Não há porquê.


Somos dois chips
no mesmo celular:
mesma linha,
mesmo sinal,
mesmo querer.”

SaMarSi


Eu sei quem sou.
A sua opinião não é necessária.


Não escrevo para receber curtidas.
Basta que leiam.


Quero provocar.
Mexer onde ninguém toca,
onde o véu permanece
e a ilusão toma conta.


Quero apenas que saiam
da zona de conforto
e encontrem o “eu” oculto.


Se você leu
e se incomodou, de alguma forma,
com o que escrevi,
então eu consegui
o que eu queria.

A Borboleta Azul

Ela tem tantos poemas…
Que eu nunca imaginei.
Muitos já a viram…
Não fui só eu.

Li vários significados,
não sei se todos são verdade.
Alguns, eu gostaria que fossem…
Outros, talvez.

O que eu sei é que
foi uma sensação maravilhosa —
algo mágico.

E não sei se mereço
o direito de presenciar
um milagre assim.

E isso me assusta.
Penso: “Quem sou eu
para viver todo esse encanto?”
Um pequeno grão de areia…

E, incrivelmente, é real.
E nesse momento de reflexão,
compaixão e humildade…
ela pousa em mim.

Meu coração se renova
e se enche de uma alegria inexplicável.

Me sinto completa.
Me sinto num mundo de fantasia,
de faz de conta.

Ela levanta voo,
dança feliz…
E em nenhum momento
pensei em detê-la.

Porque a maravilha
é a vida,
e está em ser livre.

Penso que talvez
seja um sonho
do qual eu nunca quero acordar.

Não vi só beleza…
vi magia.
Abaixo a cabeça novamente
e, humildemente, agradeço.

Obrigada, Borboleta Azul.
Obrigada, meu Deus.

Eu te amo!

Porque existem palavras que só são ditas quando já não fazem mais sentido…
quando já não pertencem ao contexto
— Assim podem ser ditas sem nenhum peso na consciência.

A Mãe e o Olhar

Edineurai SaMarSi

Quando eu era criança, a vizinha perdeu o único filho — quase homem… ainda menino.

Eu a observava.
Sempre fui boa nisso.

Depois disso, ela nunca mais foi a mesma.

A casa seguia arrumada,
as portas abertas,
o café no horário.
Mas os olhos…
ah, os olhos…
Eram fundos.
Vazios.

Fazia tudo como antes.
A vida seguia.

Mas, em seus olhos, algo havia mudado.
Não tinham mais alma, não tinham mais vida…
As tentativas de sorriso eram falsas, assim como a vontade de continuar.

Eu me lembrava de antes — da sua alegria, da família feliz — e, com a minha inocência de menina, pensava:
“Logo isso passa.”

Não passou.

O tempo andou.

Cresci.
Tornei-me adulta.
Ela se mudou, mas, quando a via, mesmo de longe, aquele olhar continuava o mesmo — parado naquele dia.

Como se a alma tivesse saído devagarinho
e ido atrás dele.

Eu não entendia…

Até ser mãe.

E perceber que há dores
que não enterram só um corpo —
enterram o mundo inteiro
dentro do peito de quem fica.

E alguns dias…
simplesmente não passam.

Em Seus Braços


Deve haver um lugar para mim
que seja como em seus braços,
onde eu consiga ficar em paz.


Que seja parecido com você,
onde o silêncio me abrace
e eu não precise me perder.


Um lugar quentinho,
como o seu abraço,
onde os meus sonhos se acalmem
e o meu coração se sinta em casa.


Um canto quente e protegido
feito o teu aconchego,
onde os sonhos fazem ninho
e o amor vence o medo.


Deve haver um lugar pra mim
com cheiro do teu abraço,
onde o tempo anda devagar
e o silêncio não é cansaço.


Um canto manso pra deitar
os medos que eu não digo,
onde o sonho aprende a ficar
e a saudade dorme comigo.


Deve existir esse lugar,
mesmo longe do teu olhar,
onde o meu peito faz morada
até você voltar.


Se for preciso, eu vou
por caminhos sem direção,
só pra encontrar o calor
que acalma o meu coração.


Deve existir, sim, esse lugar
em algum canto, mesmo distante,
para que eu permaneça
até que eu te reencontre.

Entre dois mundos


Não sou do tipo “normal”.


Mas eu sempre tive histórias
que não cabem no comum.


Logo depois da adolescência,
vivi algo que nunca esqueci.


Acordei…
ou achei que acordei.


Levantei da cama
e caminhei até a porta do quarto.


Tentei abrir.
Uma vez.
Duas.
Várias…


Nada.


Foi então que, sem entender,
olhei para trás —


e me vi.


Deitada.
Dormindo.


Havia duas de mim no mesmo espaço:


uma presa no corpo,
outra presa no quarto.


Me aproximei devagar…
como quem teme atravessar um espelho.


Tentei me acordar —
toquei, chamei…


mas era como tentar alcançar o vento.


Voltei até a porta.
Insisti mais uma vez.


Nada.


Então desisti.


Voltei para a cama.


Sentei ao meu lado
e, meio irritada, meio rendida, falei:


— Já que não consigo sair…
vou ficar aqui,
esperando você acordar.


E esperei.


Sem saber o que havia lá fora,
sem saber se alguém poderia me ver,
sem saber, sequer,
onde eu realmente estava.


Depois…


acordei.


Como se nada tivesse acontecido.


Mas, aos poucos,
as lembranças foram voltando —
como ecos de um lugar
onde ainda existo.


Nunca entendi
por que fiquei presa naquele dia.


Mas entendi outra coisa:


eu vou.
Vou a lugares,
tempos,
dimensões…


E, às vezes,
nem preciso estar dormindo.


Sempre vivi
entre dois mundos.


E, por muito tempo,
tentei negar isso.


Fingir.


Me encaixar.


Ser outra.


Hoje, não.


Outro dia, disse
a uma das minhas Pessoas Favoritas:


— Eu sou assim.
Ou me aceita…
ou não.


Ela ficou.


E, desde então,
não questiona mais —


admira.


Talvez porque, no fundo,
todo mistério só assuste
até encontrar
quem não tenha medo de olhar.


E eu aprendi:


não existe calmaria
sem a coragem da verdade.🌙

Luz que não se apaga


Lana e Ian,


um dia eu me escondi
para caber no mundo…
diminui quem eu era
para não incomodar.


Mas vocês foram criados diferentes.
Eu fiz o possível para que fossem pessoas radiantes,
confiantes e com personalidade...


A vida, às vezes, ensina pela dor —
mas eu peço a Deus
que vocês aprendam pelo amor.


Que a fé de vocês nunca se apague,
que a bondade não endureça
e que os seus corações
sempre reconheçam o que é verdadeiro.


Que rezem e agradeçam sempre.
Que orem pelas pessoas
e por todos os seres vivos,
para que fiquem sempre bem
e protegidos de todo o mal...


Nunca deixem de acreditar nas pessoas,
nunca guardem rancor
e ouçam os seus corações.


Que, com o tempo, aprendam
que as coisas ruins existem
para algo ainda maior...


Enfim, eu criei vocês para brilhar.


Que sejam sempre luz na vida de alguém.


Então, levantem sempre a cabeça,
estufem o peito
e andem como donos do mundo.


Não se diminuam.
Nunca.


Quem ama vocês de verdade
não caminha ao lado limitando —
corre para acompanhar.


E, se algum dia tudo parecer incerto,
olhem para dentro…
é lá que Deus sussurra.


No Reino de Deus,
nada se abaixa para caber —
só entra quem vibra na verdade.


Só quem for realmente capacitado fará parte.


Então, meus filhos, não se apaguem.
Brilhem e, simplesmente, sejam felizes...


Sabendo que sempre fizeram o melhor que puderam.


Eu amo vocês!


Edineurai SaMarSi

Além do Horizonte


Eu vou além do horizonte pra te encontrar,
nas dobras do tempo e até no inconsciente...


Faço tudo por você, não tenho receio...


Mas me diga, quero entender:
o que é que assusta tanto você?


É ser amado demais?
É viver um amor verdadeiro?
É todo o meu desejo?


Desculpa...
Já tentei sufocar,
diminuir, colocar menos intensidade,
burlar a realidade, só para te agradar...


Mas eu não consigo te amar menos que isso...


Não tenho controle do meu coração,
e eu vou além do horizonte pra te encontrar,
nas dobras do tempo e até no inconsciente...


Eu vou, só pra te buscar...


Mas não me peça para diminuir os meus sentimentos...


Não me peça para te amar menos.

O Sol, a Lua e Eu ☀️🌜


Já era adolescente.


Sabia exatamente o que desejava, embora talvez não soubesse o motivo...


Meu pai me perguntou o que eu queria e disse que me daria qualquer coisa.


Duvidei, é claro...


E, talvez por já carregar dentro de mim um certo fascínio pelo impossível, respondi sem pensar muito:


— Eu quero a Lua. 🌜


Como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo, respondeu:


— Tá bom. De hoje em diante, a Lua é sua.


Sorri.


Agradeci.


E, nesse momento, ele tentou me testar. Talvez a minha sanidade ou a dele, não sei, e completou:


— Vai lá pegar a sua Lua.🌜


Olhei para o céu e respondi:


— Não precisa. Gosto dela assim, exatamente como e onde está.


E, sabendo que ela é minha agora, ela se tornou ainda mais bonita.


Talvez porque as coisas não precisem nos pertencer para serem nossas.


Talvez porque o amor nunca tenha sido posse.


Talvez porque a beleza exista justamente na distância que nos permite admirá-la.


Sempre achei que tudo possui um lugar, um tempo e uma lógica.


Não preciso mexer nas obras de Deus. Elas são perfeitas. Até uma flor que se arranca precisa de um motivo, uma razão, uma circunstância; caso contrário, é matar em vão.


Desde então, sempre disse que a Lua era minha.


A minha Lua.🌜


Livre.


Inteira.


Brilhando para todos.


O que eu não sabia era que sempre fui a própria Lua.


Nasci Lua.


Cresci Lua.


Era a Lua da família...


Admirava-a através das grades da janela, como um segredo absoluto...


E, enquanto outras pessoas corriam em direção ao Sol, eu me recolhia.


O Sol queimava minha pele.☀️


Fazia meus olhos arderem.


Seu brilho intenso me incomodava.


E, sem perceber, passei boa parte da vida tentando me esconder.


O que não entendia era que precisava dele para viver.


Afinal, a Lua não existe sem o Sol.


Seu brilho não nasce dela.


É reflexo.


É encontro.


É dança silenciosa entre opostos que parecem distantes, mas que dependem um do outro.


Porque talvez, só talvez, sem a presença da Lua, o Sol também não tivesse motivo para existir.


Porque há luzes que brilham sozinhas.


E há luzes que só descobrem a própria grandeza quando encontram algo digno de iluminar.☀️🌜

Te amo duas vezes...


Eu sempre amei você,
desde o início,
desde o silêncio,
desde sempre...
desde o nada que já era tudo.


Antes de saber quem você era,
antes de entender o que seria
na minha vida.


Não sei se foi o poder da chama gêmea —
da junção divina —
mas te amei bem antes...


Talvez seja a força das almas,
o laço antigo,
a chama gêmea —
essa união que não se explica,
mas que se sente...
com a pele,
com o coração.


Não sei se fui eu quem amou primeiro,
ou se apenas reconheci
um amor que já me habitava.


Quando soube de tudo,
não houve espanto,
nem dúvida.
Só permaneci —
amando.
Como se já soubesse.


Meu corpo já ansiava o seu,
meus pensamentos já te buscavam,
meu coração…
já era teu.


Já amava com toda a intensidade,
já sentia saudade.
E eu, sem perceber,
já tinha desistido de tudo
por você.


Não sei onde termina o amor
e onde começa a conexão de almas.
Talvez nem exista fronteira.


Porque, se for assim,
em total lucidez,
declaro —
nesta vida corpórea
e na outra espiritual —
eu te amo duas vezes.

Só não fuja de mim...


Quando eu me aproximar,
depois de criar coragem
e falar do nada,
mesmo sem sentido algum...


Não precisa me responder.
Pode fingir que não me ouviu,
pode se calar
para não me magoar...
Com palavras
não pensadas,
ditas da boca para fora,
jamais do coração,
que saem como defesa.


Defende-se de um sentimento
que é cura,
não tormento.


Pode ficar quieto, parado,
e até me ignorar,
mesmo que eu não saiba o porquê:
se é amor, desejo ou desprezo...


Já não me importa tanto.
Posso até me enganar,
sem conhecer o real motivo.


Apenas fique.
E não fuja de mim!

O silêncio da minha alma


Fui me apagando aos poucos...
E eu nem percebi.
Lutava sem saber,
Implorava sem querer...


Demorou,
Mas entendi.
Tentei,
Briguei,
Estava numa guerra.


Eu queria de volta a minha personalidade,
A guerreira
Que vencia tudo
E todos.


Onde me perdi?
Onde deixei de existir?


Mas isso não era certo,
E eu não desistiria.


Na luta por me encontrar,
Já não sabia
Se me achava...
Ou mais me perdia.)

EU QUERIA TER MEU PAI AQUI





Eu queria ter meu pai aqui.


Do meu lado, pra me ver.


Junto a mim, a me ouvir.


Para ouvir as histórias dele


e com ele muito aprender.





Fomos órfãos muito cedo.


Não nos tivemos por muito tempo


para criarmos mais lembranças!


E quando as tomo, dessa distância,


é deste cerco que eu me fiz.





Eu queria ter meu pai aqui.


Não na saudade —


mas na vida que me traz!


Olhar nos seus olhos.


Acariciar seu rosto.





Ouvir sua voz já deslembrada,


que o tempo calou.


Destapar o silêncio...


para ouvir as histórias


que um dia ele começou.





Ficar no seu abraço,


sem me largar...


jamais.

"Eu me amo tanto que tenho até ciume de mim"

⁠"O que eu faço, você pode até fazer melhor mas, será sempre uma cópia do meu original"

Eu era jovem.
Eu era louco.
Era ousado.
E sei que não era pouco.
Não sou mais o que ja fui
Me esqueci onde estava
E nem sei pra onde vou

"Quando estou sem fazer
nada é quando me sinto
mais útil. Eu tenho tempo
pra pensar e ter ideias"