Se eu Fosse Algum Rei
Vem, meu anjo. Eu chamo no silêncio que me veste,
Não com a voz, mas com a dor que me consome.
Sou um naufrágio à espera da maré celeste,
E em cada lágrima, sussurro o teu nome.
O amor que arde em mim não é brasa, é ruína;
Um fogo que devora, mas não aquece.
Se és a salvação, por que a sorte é tão mesquinha
E me oferece o céu apenas quando anoitece?
Eu te construí no altar da minha insônia,
Um relicário de promessas e prantos,
E agora, sem teu toque, sou só a autonomia
De um coração quebrado em mil recantos.
Vem, meu anjo, venha me salvar da queda
Que me separa do calor do teu abraço.
Sou o drama vivo, a tela despedida,
Que implora pelo brilho do teu traço.
Chega de manso e rasga esta mortalha de saudade.
Pois sem o teu olhar, sou apenas sombra fria;
A melancolia veste o manto da verdade:
Viver é te esperar em eterna agonia.
Eu deveria ter pensado bem antes de te deixar ir embora da minha vida.
Essa frase ecoa, fria e cortante, na escuridão da alma.
Atrás de mim, só resta o deserto da saudade infinita,
E o silêncio pesado de uma história agora póstuma e calamitosa.
Se eu soubesse que a ausência era esta dor que me devora,
Este vazio abissal que engole o ar e a esperança,
Teria amarrado o teu passo, implorado para que não fosses embora,
Teria trocado meu orgulho pela tua última e derradeira confiança.
Fui tolo, fui cego! Pensei que o amor era um rio manso
Que esperaria meu regresso, que jamais secaria a fonte.
Mas o rio levou-te, e o que resta é este corpo imenso
Navegando à deriva, sem velas, sem bússola, sem horizonte.
Oh, a ironia cruel do tempo que não volta e que me castiga!
Cada batida do meu peito é um martelo a cravar a verdade:
Eu te deixei ir, e agora a solidão é minha única amiga,
Uma amante fria vestida de eterna e lúgubre saudade.
Volta! Por favor, volta! Não importa que seja em sonho, em vulto, em bruma!
Pois este coração que te ofereço jaz quebrado, inútil, e sem luz.
Eu deveria ter pensado bem... E por não ter pensado, o meu mundo ruiu em suma.
E o meu castigo é viver para sempre à sombra da minha própria, terrível cruz.
Sinto muito pela dor que inspirou seu pedido. É uma emoção muito profunda.
Eu te amo na profundidade onde os naufrágios viram tesouros e o tempo deixa de existir. Você é o meu azul mais profundo, o meu silêncio mais bonito.
Guardo nossa história em uma caixa de veludo na memória. Não volta mais, eu sei, mas o brilho do que fomos ainda ilumina os meus dias mais cinzentos.
No meu jeito de ver o mundo, o amor não prende. Se eu a amo de verdade, eu a deixo viver, porque ela não é um objeto que eu possuo, mas uma pessoa livre que eu escolhi admirar.
Eu me perco em mil perguntas que não tenho coragem de fazer em voz alta. Quando estamos juntos, sinto que há um universo inteiro atrás dos seus olhos e me pergunto se eu realmente faço parte dele ou se sou apenas um amor passageiro.
Você se olha no espelho e vê a mesma coisa que eu? Ou será que, lá no fundo, está pensando em outra pessoa, comparando toques e promessas? Dói pensar que o amor pode ser apenas composto por palavras que você usa para preencher esse medo que sente.
Eu fujo do seu toque porque tenho medo da força que ele exerce sobre mim. Amar você me deixa no limite, entre a lucidez e a loucura. Sei que você enxerga o amor como algo que pode ser descartado e quebrado quando não serve mais, e é por isso que eu recuo. Tenho medo de estar por perto quando você decidir que o nosso tempo acabou.
Dizem que o amor morde, que ele sangra e nos deixa de joelhos. Sinto cada uma dessas feridas. Quando estamos juntos, às vezes sinto você em outro lugar, como se estivesse apenas encenando um papel. O que acontece quando você acorda? Você vai embora ou decide ficar e levar isso a sério?
Me perdoa por não ter percebido antes que a minha insistência estava machucando. Eu quis ser o herói da nossa história, mas acabei sendo apenas alguém que não sabia dizer adeus. Sinto muito por tudo o que passamos enquanto eu tentava, em vão, segurar o que já estava caindo.
Eu perdi o amor da minha vida e, depois de você, nada mais é igual. Você partiu e me deixou aqui, tentando aprender a respirar em um mundo que se tornou vazio sem a tua presença.
Enfrentamos tantas coisas juntos... Dificuldades que pareciam grandes demais para nós, momentos em que quase caímos, mas sempre vencíamos com amor, carinho e cuidado. Éramos nós dois contra tudo e contra todos, e isso me dava a força e a esperança de que eu precisava para seguir.
Hoje, a sua ausência dói em cada detalhe. Dói no silêncio ensurdecedor da casa, dói nas músicas que agora são apenas ecos de você e dói, principalmente, nos planos que ficaram pelo caminho, interrompidos na metade. Dizem que o tempo cura, mas não consigo superar a sua perda. Talvez não exista essa história de "superar"; talvez eu apenas aprenda a carregar esse fardo.
Eu daria absolutamente tudo o que tenho e o que sou para estar ao seu lado mais uma vez. A vida perdeu a cor e o meu coração perdeu o ritmo. Sinto falta de você.
Hoje eu te deixo ir com a certeza de que não volto mais. Meu coração está em paz por saber que lutei a cada minuto, e que me machuquei até demais tentando fazer a gente dar certo. Talvez esta seja a minha última mensagem para você, então, mais uma vez, obrigado por ter entrado na minha vida e por ter me ensinado tanto.
Levo comigo as lembranças boas e o aprendizado de que, às vezes, amar também é saber a hora de soltar a mão. Desejo, do fundo do meu coração, que você encontre a felicidade que busca, assim como eu seguirei agora em busca da minha. Sigo meu caminho com carinho pelo que fomos, mas com a convicção de que o nosso amor termina aqui. Adeus, e cuide-se.
