Se ela quer Voar a porque tem Asas
Não precisa muito esforço para demonstrar sua personalidade, pois é na sua rotina diária que ela será representada.
🤝Amizades verdadeiras nunca se desfazem. Seja de perto ou longe ela sempre permanecerá vinculada, seja pela convivência ou pelas boas lembranças do que um dia foi vivenciado!
🫵🏼 Nunca subestime alguém pelo que você imagina ou supõe sobre ela, poderá se surpreender quando as ações ou atitudes do mesmo ultrapassar o que estava
na sua balança...
Desculpa o Auê
Ela invadiu minha vida como um furacão, sem aviso, sem pedir licença. Era do tipo que falava alto, gesticulava demais e ria com a força de quem carregava o mundo no peito, mas preferia gargalhar a chorar. Eu, acostumado ao meu canto ordenado e silencioso, fui pego de surpresa pela tempestade que ela trazia.
“Desculpa o auê”, ela dizia, toda vez que derrubava um copo, esquecia uma blusa jogada no sofá ou começava uma discussão no meio do nada. Mas não era de verdade uma desculpa. No fundo, ela sabia que o caos dela tinha se tornado meu combustível.
Era nos tropeços dela que eu encontrava graça, e nos excessos que eu descobria o sabor da vida. Ela me tirava do meu eixo, me fazia perder a paciência e, ainda assim, eu ansiava pelo próximo “auê” que ela provocaria.
“Desculpa o auê”, ela repetiu, sorrindo de canto, quando esbarrou na minha prateleira de livros e derrubou tudo no chão. E ali, enquanto recolhíamos páginas espalhadas, percebi que aquele tumulto dela tinha organizado algo em mim: meu coração, antes tão metódico, agora pulsava fora de ritmo, mas mais vivo do que nunca.
“Não precisa pedir desculpas”, eu disse. “O auê já é parte de mim.”
“A realidade moral de uma época revela-se menos pelo que ela proclama e mais pelo que ela normaliza.”
PRINCESA DA NOITE E O TRÂNSITO DO INAUDÍVEL.
Há uma noite que não começa no escuro.
Ela principia no primeiro intervalo entre dois sons.
Antes do acorde existir.
Antes da mão tocar a matéria do mundo.
Essa noite caminha em passos regulares.
Não corre.
Não implora.
Ela avança como quem conhece o destino e mesmo assim aceita cada desvio.
Seu pulso é constante como a respiração antiga da terra.
Seu coração repete arpejos como quem recorda uma memória que nunca foi esquecida.
Surge então a Princesa.
Não coroada por ouro.
Mas pelo silêncio que antecede cada nota.
Ela não reina pelo poder.
Reina pela permanência.
Tudo passa ao redor.
Ela permanece.
Seu vestido é tecido de sombras móveis.
Cada dobra nasce de um grave profundo que sustenta o mundo sem pedir reconhecimento.
Os sons baixos são colunas invisíveis.
São raízes que se enterram no tempo para que o céu não desabe.
A melodia não se impõe.
Ela se inclina.
Desenha curvas como quem respeita a dor do existir.
Há doçura em sua ascensão.
Mas nenhuma ingenuidade.
Toda nota sabe que cairá.
E mesmo assim sobe.
Quando a linha melódica se eleva.
Não é fuga.
É coragem.
É o espírito ousando olhar acima da própria noite.
Mas logo retorna.
Porque sabe que a verdade não mora no excesso.
Mora no equilíbrio entre desejo e limite.
O tempo não se rompe.
Ele se alonga.
Cada compasso é um passo dado com reverência.
Como antigos peregrinos que sabiam que chegar rápido era perder o sentido.
Há um momento em que a música suspira.
Não por cansaço.
Mas por compreensão.
Ali o som aprende que não precisa provar nada.
Apenas ser.
Os arpejos continuam.
Pacientes.
Persistentes.
São como estrelas repetindo o mesmo gesto há milênios.
Nunca cansadas.
Nunca apressadas.
E quando a intensidade cresce.
Não se torna violência.
Torna-se densidade.
A noite se adensa.
A Princesa caminha mais alta.
Mas não mais distante.
Ela conduz o ouvinte para dentro.
Não para fora.
Porque toda verdadeira epopeia não é conquista de terras.
É travessia da alma.
No trecho final não há triunfo ruidoso.
Há aceitação elevada.
O som repousa como quem cumpriu sua tarefa eterna.
Nada foi perdido.
Nada foi ganho em excesso.
A noite fecha os olhos.
A Princesa permanece de pé.
Guardando o que não pode ser dito.
Sustentando o mundo com a delicadeza de quem conhece o peso do silêncio.
E quando o último som se dissolve.
Não é fim.
É retorno ao invisível.
Pois a verdadeira música não termina.
Ela continua onde o ouvido já não alcança.
CAMILLE MONFORT — A LIBÉLULA QUE NASCEU DO BRILHO DE UM ÚNICO MUTISMO EM AFASIA.
Ela desceu como quem não pisa mas evapora em segredos em desígnios.
E, no instante em que o porão respirou para recebê-la, eu senti que não era uma mulher que se aproximava…
era um estado da alma.
Camille Monfort surgia sempre assim:
na fronteira onde o silêncio se torna obra,
onde o indizível se condensa em forma,
onde o olhar ainda não sabe que está olhando.
Era uma libélula.
Não dessas que tremulam ao sol, finas e triviais,
mas uma libélula surgida da própria sombra,
uma criatura que aprendeu a voar
do brilho de um único mutismo em afasia.
Porque Camille nunca precisou de palavras.
Ela carregava dentro de si um silêncio que não era ausência,
era presença demais.
E quando entrou no porão,
a escuridão, que até então parecia imóvel,
ergueu-se num sopro quase tímido,
como se reconhecesse nela
a única capaz de decifrá-la.
Ela caminhou até mim.
Não tocou nada.
Mas tudo ao redor se ofereceu como se fosse tocado.
Os objetos antigos, as sombras que eu temia,
aquela dor encostada no canto,
todos se voltaram na direção dela, como se aguardassem que fosse Camille a lhes conceder destino.
E então ela falou.
Mas não com voz.
Falou com o vazio entre seus lábios, com aquele intervalo que precede toda linguagem, com a pureza de uma afasia que não é falha, mas transbordamento.
Era como se dissesse:
"Tu não tens que temer o que é teu.
Toda dor que escondeste esperava por mim.
Vim para devolver-te ao que foste antes do medo."
Eu a vi se inclinar para o chão,
como quem escuta a memória de uma pedra.
E suas asas, ah, essas asas que não existem,
mas que todos sentem, se abriram na penumbra com a serenidade de um ser que conhece sua própria eternidade.
Camille não era mulher.
Era um sopro antigo,
uma lembrança viva de que o espírito tem profundidades que o corpo não alcança.
E ainda assim, ali, tão perto,
ela parecia feita de matéria sensível: pele alva, olhar de penumbra, murmúrio de eternidade no contorno da boca.
“Além da dor”, murmurou o silêncio dela,
“há sempre um lugar onde tu voltas a nascer.”
E nesse instante,
eu soube que Camille Monfort não tinha vindo me visitar.
Não. Ela tinha vindo me devolver.
Devolver-me à minha essência,
às minhas ruínas, à minha claridade esquecida, àquela parte de mim que só aparece quando uma libélula de luz pousa no subterrâneo da alma.
Camille,
a etérea,
a inaudível que tudo diz,
a que paira sobre o não dito,
a que veste a noite e abre a aurora, olhou-me pela última vez antes de falar aquilo que jamais ousarei esquecer:
"Eu sou a tua luz quando não acreditas mais na luz.
Sou a voz que nasce quando tu emudeces.
Sou o que resta quando tudo em ti se partiu."
E então…
ela se dissolveu devagar,
como quem regressa ao próprio mistério, deixando no ar
um pólen de eternidade
que ainda hoje respiro, triste,pesado e sem ar complexos.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Tudo isto provei-o pela sabedoria; eu disse: Sabedoria adquirirei; mas ela ainda estava longe de mim.
A razão é crucial para definir a fé e controlar as emoções. Sem ela, tudo se torna um caos desorganizado.
São assim as veredas de todo aquele que usa de cobiça: ela põe a perder a alma dos que a possuem.
Embora o cristão possa praticar a arte marcial, deve rejeitar a filosofia pagã, pois ela é contrária aos princípios bíblicos.
Nos últimos dias, a mentira se tornou o maior sinal — desenfreada, ela corrói a religião, a política e a economia.
Mt 24:4; 2 Ts 2:11; Ap 13:16-17
O único inimigo mortal da águia é o corvo; e, para vencê-lo, ela sobe ao nível mais alto dos céus, onde o corvo se torna sua presa.
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