Se ela quer Voar a porque tem Asas
Hoje perdido nos meus sonhos, parece que o sol sumiu....
A minha luz, se apagou, e com ela, foi-se a esperança de uma vida. Adeus minha luz, sem você não vejo outro caminho, senão a solidão.
Átila Negri
A certeza que a vida nos traz, sempre será a incerteza do que também ela pode nos tirar.
Atila Negri
a gente sente que é a pessoa certa quando ela enfrenta nossas tempestades e abre um guarda-chuva no meio de todo o caos
a gente sabe que é de verdade quando a pessoa empresta o ombro
senta para escutar e faz cafuné
a gente sente que é pra valer quando a pessoa desorganiza a cama
e se encaixa na nossa desordem
"-Ela é bonita?"
"- Bonita?? Ela é linda! Arrisco dizer que é a oitava maravilha do mundo, e a primeira do meu mundo!"
"- O que acha dela?"
"- É incrível, astral lá em cima, me faz rir com seu sorriso genuíno, e a cor favorita dela é preto, a minha era azul, agora são três... A cor dos seus cabelos, da sua boca e seus olhos, pena que não posso dizer isso pra ela..."
Muitas das vezes interpretamos errado a reação de alguém, por não sabermos o que exatamente ela está passando naquele momento.
Mulher, pode ter uma porcentagem fisicamente menor que a de um homem, mais por dentro ela ultrapassa todos os limites e além do mais um dom mais valioso de tudo "gerar vida".
Um dia, perguntei à solidão:
- Quem te acompanha mais?
E, ela logo me respondeu:
- Tu!
(tu... que sou eu, este, o cujo dito.)
ESCURO
Minha alma só tranquiliza
No negro da noite dos vendavais.
É aí que ela encontra refrigério
No sossego do mistério
Daquela brisa
Que batiza
Hipnotiza,
Acalma
E exorciza
Os espíritos malignos
Nos malfadados signos
Dos mortais.
(Carlos De Castro, in Terra onde não se faz Censura, 04-07-2022)
O FLAMENCO DA POVEIRA
Como ela dançava e cantava o flamenco
Nas praças da minha infância,
À compita com Juvenço
Moço tropa de bota alta
Tipo peralta,
Mas homem sem substância.
Rodopiava louca
E batia em sincronia
O tacão
Dos sapatos da ilusão
E cantava com voz rouca,
Já com energia pouca,
Nos tempos de servidão.
Emília, a ti Poveira,
Mulher de raça
Sem trapaça
E dos copos
Só, sem tremoços,
Que a esmola não dava trocos
Para mais que o copito
Absorvido
Engolido
De súpeto
Feito ímpeto
Na garganta ressequida,
Ferida,
Naquela tarde de esfolar o pito.
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 30-07-2022)
DEMÊNCIA
Ela, vem de mansinho
Como gato matreiro,
Ronceiro,
À caça dum passarinho.
Anda, vem, não tenhas medo
Ladra dos seres pensantes,
Fazedora de cenas chocantes.
Anda, que eu fico quedo
Como uma estátua a rir de ti,
Aqui,
Sem medo.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 29-09-2022)
O GALO
Cantava o galo rico
Na noite a dormir,
Toda ela em lençóis de linho.
Na mansão rica ainda fornicavam
Na adoração do falo
Que empratavam.
O rei cobridor bramia,
Como um gato feito galo.
O galo pobre, gemia,
Sem galo, na noite acordada
Na miséria dos lençóis do nada.
Na casa pobre,
Não havia fornicações,
Só falos murchos
E alguns estrebuchos.
Só gatos e gente que não come
Aos estalos no ar,
Aos murros,
Dando urros
Para afugentar a fome
De mais um dia.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 17-10-2022)
VINTE ANOS E
Contei os natais com ela
Maria, minha mãe.
Vinte e tantos no presépio
Comigo, José filho,
Em nome de meu pai, Manuel.
Era a Gruta de Belém,
Porém,
Quase parecendo a outra,
Era o meu Natal puro,
Que os meus de agora esconjuro,
Neste destino cruel!
Foi-se a mãe;
Meu pai, seguiu-a além,
Fiquei eu, menino patético!
Que natal tão estépico,
Mais senil que poético,
Este de agora meu
Pobre que sou pigmeu,
Desde que minha mãe morreu
Há distância de esperanças mil,
Depois das águas de Abril.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 22-12-2022)
ANIVERSÁRIOS
Ela faz anos.
Aquele faz anos.
Tantos a fazerem anos...
Eu só queria aprender
A saber
Fazer
Os meus anos,
À minha medida,
Sem enganos,
Nem danos,
À chegada e à partida.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 31-12-2022)
POESIA FRIA
Que fria,
A minha poesia…
Até parece que no meu inverno
Interno,
Ela deveria
Hibernar
E ficar
Sempre naquele letargo,
Sem me dar o amargo
De continuar
A enregelar
Corações
Quentes,
Amantes
Diferentes,
De outras poesias
Menos frias
De emoções,
Porque a minha,
Coitadinha,
Tão mesquinha,
Vive só de ilusões.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 15-02-2023)
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