Se ela quer Voar a porque tem Asas
A ruína de Eva não aconteceu quando o fruto foi tocado; o processo da queda iniciou-se quando ela cedeu espaço ao diálogo com quem questionava a Palavra de Deus. Aprenda a reconhecer o perigo das conversas que minam sua fé e corte-as pela raiz, antes que o questionamento sutil se torne uma ruína absoluta.
John Wesley se opôs à escravidão e rejeitou todas as justificativas para ela, enquanto Whitefield a justificou para fins econômicos e de evangelização. Wesley apelou a todos os senhores de escravos que os libertassem; Whitefield, por sua vez, afastou-se tanto da oposição à instituição que se tornou, ele mesmo, um proprietário de escravos.
"A impossibilidade de finalmente entendê-la, e saber o que falar pra ela na hora exata, o que não falar, é tudo muito improvável, muito acidental, ela é meio desastrada, cá entre nós, ela tem um queda por desastres, meu plano com ela é simples, se der errado, dane-se, tento outra vez. É estranho, ela deveria ter vindo com um manual, sei lá, umas dicas, mas, ta tudo bem, pra uma pessoa apaixonada por idiotas, com uma habilidade peculiar de confundir as pessoas, e por ter um aptidão por desastres, ela ganhou pontos comigo. Foi desenhada assim, toda sei lá, só pra me fazer feliz. Se você passar um dia com ela, não vai entender 1% do que eu to falando, se passar uma vida com ela, vai continuar no 0x0. É que, ela é um livro inacabado, a parte “tcham” da história, ela acaba comigo, me sinto completamente desprotegido. Mas, ela foi feita pra mim, eu só não sei como dizer isso pra ela."
Diminuir-se diante do abismo é um erro. O tamanho de África só se descobre quando ela pensa a uma só voz.
A zungueira não carrega somente uma bacia com um pano retorcido sobre a cabeça. Ela carrega duas tarefas essenciais: a primeira, a família; a segunda, o país.
Agora eu vejo. É preciso um pequeno esforço para ver a face, ela não é velha nem nova, ela transcende o espaço e o tempo. Como é bela, ela não se repete. Ela sou Eu.
Droga
A minha casa eu conheço há tempos. E ela sempre fica maior. Já sonhei sonhos de álcool, mas ao primeiro gole eu vi que não era nada disso, era algo deprimente até na alegria forçada. Como se eu fosse uma múmia química ganhando a consciência da minha pequenez e do enjoo misturado com a tontura. Parei por aí e deixei as drogas antes de começar a usá-las. A minha droga é a imaginação e a sensibilidade. Os sonhos que me vêm da massa de árvores verdes acinzentadas. Das manchas do teto e daquele facho de luz quando estou na cama e olho para cima e vejo que é Deus.
Sim, Deus vem toda a noite por sobre a minha cama e toma a forma de um triângulo de luz amarela, silencioso e imutável. É um raio de luz, e eu sei que é Deus. Poderia ser qualquer outra coisa, mas quando eu levanto os olhos ele se revela e fico a pensar e admirar a sua imperfeição. As noites de insônia são muito estimulantes. Eu viajo e mantenho contato telepático com a pessoa ao lado. Uma vez eu pensei que dormia ao lado de um demônio, e eu tinha razão. Que saudades do súcubo!
Não existe a realidade por si só, ela precisa ser construída para funcionarmos, por isso ela só existe na mente do homem.
A ave que vive de catar o lixo é magnífica. Ela é simples e pobre, como todos os animais. O urubu levanta o pescoço para que eu o veja.
“O Sangue que Ainda Corre”
Há momentos em que a vida deixa de pedir explicações.
Ela apenas nos coloca diante do espelho.
E talvez seja justamente diante dele que começam as confissões mais difíceis: quando já não podemos culpar o tempo, os outros, as circunstâncias ou os caminhos que escolheram por nós.
Eu também jurei verdades que eram mentiras.
Prometi permanências quando dentro de mim já existiam despedidas. Defendi certezas nas quais eu mesmo já não acreditava. Rompi acordos, abandonei caminhos, traí algumas versões de mim e carreguei durante anos a estranha sensação de que havia deixado pedaços da minha alma espalhados pelos lugares por onde passei.
Talvez viver seja também isso:
uma longa coleção de fidelidades e traições contra nós mesmos.
Existem ventos que chegam tarde.
Existem ventos que sopram com toda a força e, ainda assim, não conseguem mover aquilo que dentro de nós já deixou de girar.
Foi assim que descobri que nem todo vento é capaz de mover um moinho.
Há coisas que simplesmente param.
Amores.
Sonhos.
Convicções.
Amizades.
E até algumas partes de nós.
Mas o coração possui uma teimosia quase incompreensível: mesmo cercado pelos escombros daquilo que perdeu, continua batendo.
Carrego comigo os meus mortos.
E não falo apenas daqueles que a terra recebeu.
Existem mortos que continuam caminhando conosco.
São pessoas que partiram, amores que terminaram, cidades que abandonamos, juventudes que não voltam, abraços que ficaram presos na memória e versões de nós mesmos que jamais encontraremos novamente.
Somos um pouco cemitério.
Mas somos também nascimento.
Porque dentro do mesmo homem que enterra seus mortos existe outro tentando nascer todas as manhãs.
Eu venho de caminhos tortos.
Nunca consegui acreditar muito nas estradas perfeitamente desenhadas. Talvez porque minha própria existência tenha sido feita de desvios, quedas, retornos e perguntas.
Minha história não foi escrita com régua.
Foi escrita com cicatrizes.
Há sangue correndo dentro de mim que nasceu muito antes de mim.
Sangue de gente que amou, sofreu, atravessou oceanos, enterrou sonhos, criou filhos, perdeu pessoas, rezou em silêncio e continuou caminhando mesmo quando não havia nenhuma certeza esperando na próxima esquina.
Carregamos nossos antepassados sem perceber.
Talvez por isso algumas saudades não tenham nome.
Talvez certas dores sejam antigas demais para sabermos exatamente onde começaram.
Existe dentro de cada homem uma pátria invisível.
Uma terra que ele carrega mesmo quando vive longe dela.
Uma língua que continua morando dentro da boca.
Uma música que desperta lembranças.
Um cheiro que abre uma porta esquecida.
Uma palavra que, de repente, nos devolve à infância.
Podemos atravessar fronteiras, trocar de endereço, aprender outras línguas e envelhecer sob outros céus.
Mas há raízes que viajam conosco.
E talvez o verdadeiro exílio não seja viver distante da terra onde nascemos.
Talvez seja viver distante de quem realmente somos.
Durante muito tempo tentei obedecer aos ritos.
Depois rompi alguns deles.
Quebrei minhas próprias lanças.
Questionei minhas certezas.
Gritei contra aquilo que me prendia.
E percebi que existem gritos que não são revolta.
São nascimento.
Às vezes um homem precisa gritar para finalmente ouvir a própria voz.
Porque chega um momento em que já não importa parecer perfeito.
Importa permanecer inteiro.
Não importa quantas vezes a vida tenha nos derrubado.
Não importa quantos tratados tenhamos rompido com nossos sonhos.
Não importa quantos caminhos tortos existam atrás de nossos passos.
Existe uma diferença enorme entre estar ferido e estar vencido.
Feridas sangram.
Cicatrizes permanecem.
Lágrimas caem.
Mas nenhuma dessas coisas significa derrota.
A verdadeira derrota talvez aconteça somente quando entregamos a alguém ou ao medo, à culpa, ao passado o direito de decidir quem ainda podemos ser.
Por isso continuo.
Com meus mortos.
Com minhas lembranças.
Com minhas contradições.
Com meus caminhos tortos.
Com tudo aquilo que perdi e tudo aquilo que ainda espero encontrar.
Minha alma talvez tenha conhecido muitas prisões.
Mas meu sangue ainda corre.
E enquanto houver sangue correndo, haverá alguma coisa dentro de mim dizendo que a história ainda não terminou.
Talvez seja apenas um gemido.
Talvez seja um grito.
Talvez seja uma oração.
Não sei.
Sei apenas que ainda estou aqui.
E às vezes, depois de tudo o que atravessamos, permanecer de pé já é uma das formas mais bonitas de liberdade.
O Perfume da Tentação
Ela nunca chega com o rosto do medo.
Vem vestida de encanto,
com os melhores perfumes,
as mais belas roupas,
e um sorriso capaz de silenciar qualquer prudência.
Ela conhece os caminhos da alma,
bate à porta sem fazer ruído,
entra pelos olhos,
permanece no pensamento,
e faz do desejo um lugar confortável.
Sussurra que tudo é permitido,
que o perigo é apenas exagero,
que a felicidade mora no instante
em que deixamos a consciência adormecer.
Ela promete um novo começo,
uma liberdade sem limites,
um prazer sem consequências,
como quem oferece flores
escondendo espinhos nas próprias mãos.
Seu perfume embriaga.
Seu olhar aprisiona.
Sua voz convence.
E quando percebemos,
já não caminhamos por vontade,
mas pelas correntes invisíveis do fascínio.
Ela nunca parece inimiga.
Sempre se apresenta como oportunidade.
Nunca veste o horror;
prefere a beleza.
Nunca grita;
seduz.
E é justamente por isso
que tantos a seguem sorrindo,
sem notar que cada passo
os afasta da luz.
Porque o mal raramente mostra a própria face.
Ele aprende a vestir elegância,
a falar com delicadeza,
a perfumar a mentira,
para que a queda pareça um voo.
E quando o perfume se dissipa,
resta apenas o silêncio,
as feridas,
e a dolorosa descoberta
de que nem toda beleza conduz à vida.
Há perfumes que encantam o corpo,
mas há fragrâncias que adormecem a alma.
E é preciso discernimento,
pois nem tudo o que brilha é esperança,
e nem toda voz suave
vem de um coração que deseja salvar.
A tentação nunca precisou ter a cara do diabo.
Basta-lhe parecer exatamente
aquilo que mais desejávamos encontrar.
Entrelinhas
Ela diz que não gosta quando escrevo sobre ela.
Diz com a voz firme,
mas com os olhos curiosos.
É curioso isso:
quem não quer ser verso
não pergunta se é poema.
Ela passa por perto quando escrevo,
finge desatenção,
mas desacelera o passo.
Não lê,
mas tenta.
Não pergunta,
mas espera.
Existe nela um desejo discreto
de se reconhecer nas entrelinhas,
de descobrir se o segredo mora em alguma metáfora, se o nome dela cabe em sinônimos,
se o amor sabe se esconder.
Meus segredos ela conhece.
Não os detalhes,
mas a essência.
Sabe que quando escrevo sobre o vento,
é o jeito dela passar.
Quando falo de calma,
é o silêncio que ela deixa.
Quando escrevo sobre amor,
é porque não sei escrever outra coisa
que não seja ela.
Ela diz que não gosta,
mas pergunta.
Diz que não quer,
mas procura.
Diz que não lê,
mas sente.
E talvez amar seja isso:
respeitar o limite que a boca impõe
e continuar falando com o coração.
Se ela se reconhecer,
não foi porque escrevi sobre ela.
Foi porque ela sempre esteve
em tudo que eu escrevo.
A ignorância é a maior fábrica de vilões. Ela cega para as consequências, criando coragem; e oculta os benefícios da sabedoria, criando barreiras.
Minha intuição nunca me traiu.
Eu que me traí quando não ouvi ela.
Hoje eu ouço.
E quem não gostar, que se retire.
Porque ela chegou primeiro.
Van Escher
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