Saudades do Namorado
Sou casado,
sem sim sim da igreja
nem eu deixo do estado.
Somos um casal em seus lares
compartilhando todos os ares
de serem eternos namorados.
O amor é o norte da vida de qualquer ser humano, sem ele somos apenas partículas ao ar de fácil desfragmentação
É possível um corpo sobreviver sem sua alma? Existe almas gêmeas? Existe amor verdadeiro? Paradigmas que atormenta a nossa mente. Um corpo não vive sem alma. Almas gêmeas existe sim e o amor existe, mas tem uma relação íntima com a dor
Como a teoria diverge da prática. Se o mundo fosse como as redes sociais lhe apresenta, ninguém precisaria morrer para ir para o paraíso. Aqui tudo é tão belo
A madrugada pede para eu pensar em parar de pensar em você, só que pensando em parar de pensar em você já estou pensando em você novamente
Eu sinto saudade.
Não sei se é do passado, ou, do que passou.
Talvez do que passou.
Mas passou, então é do passado que sinto saudades.
Mas no passado, havia coisas que não me agradavam.
E por quê sentir saudades do passado
se posso sentir apenas do que passou.
Eu ainda amo ela, mas será que ela ainda me ama?
Eu ainda penso nela, mas será que ela ainda pensa em mim?
Eu ainda sinto saudades, mas será que ela também sente?
Eu ainda espero ela, mas será que ela ainda me espera?
Eu tento não pensar tanto em você, mas é inevitável minha Princesa!
Não quero ficar preso a sua lembraça, mas meu coração insiste em te ver e minha alma em sonhar com você.
Saudade é um sentimento que se resume em tristeza e alegria.
Tristeza por está longe de quem amamos, e alegria pelos bons momentos que estivemos juntos.
Fragmentos de Ti
Estás no vácuo de minha noite,
no silêncio que clama tua ausência,
na penumbra que esboça teu semblante
em memórias que se recusam a me abandonar.
Estás na música que invade minha playlist desordenada,
em um refrão inesperado que evoca Dindi,
nas novas canções de amor que já não posso te dedicar,
nas melodias que entoo para o teu vazio.
Estás no pé de manga de minha praça predileta,
nos felinos que cruzam meu caminho,
no sussurro do vento que dança entre as folhas,
nos peixes que nadam na represa.
Estás no ardor da água gaseificada,
nas efêmeras bolhas que dançam e se desfazem,
como recordações que emergem à superfície,
instantes fugazes que ainda aquecem minha alma.
Estás no tratado filosófico que leio,
na busca de aprender a lhe esquecer,
mas no pensamento que transcende a lógica
e me conduz a buscar-te em cada parágrafo.
Estás nos filmes românticos que assisto,
nos olhares que confessam o que restou por dizer,
nos finais ambíguos que reverberam
o vazio instaurado pelo teu adeus.
Estás nas paisagens que se desvelam diante de mim,
no temor de avistar pela janela o Corcovado,
no fulgor do sol que aquece minha pele,
o mesmo sol que recomendavas e que eu tanto evitava.
Estás na bossa nova que insisto em não ouvir,
em cada acorde sutil que me desmonta,
no compasso que murmura Quiet Nights of Quiet Stars
e me conduz para onde não desejo ir.
Estás nos momentos em que experimento a felicidade,
em risos que hesitam diante da tua ausência,
em conquistas que se esvaziam na falta
da luz dos olhos teus para compartilhá-las.
Estás nos momentos em que o desespero me consome,
em cada palpitação que anseia por respostas,
como quem busca estrelas em um céu encoberto,
tentando compreender se tu foste um desígnio divino.
Estás nos instantes em que encontro serenidade,
pois, mesmo distante,
tua presença reside em cada partícula de mim.
Estou ligada a ti de uma forma
que talvez jamais encontre reciprocidade,
ou talvez só seja porque é recíproco
um plano divino que não faz sentido.
Mas, além de estar em tudo,
tornaste-te parte de mim.
Não és apenas ausência;
és o eco perene de tudo que ainda sou.
