Saudade de Casa
Esses idiotas da tecnologia se julgam mais livres porque trabalham pelo WhatsApp em casa no domingo.
A casa, que era grito e movimento, guarda agora um silêncio que devora.
O tempo, esse mestre sem alento, levou o que era o meu mundo outrora.
Restam vestígios, brinquedos, rastros de um momento, o eco de risadas que me devora.
Sinto o vazio, o puro isolamento, de quem viu os filhos ir embora.
Mas se a saudade aperta e faz o pranto, é também o orgulho que floresce, ao ver o voo dessa crianças que é meu encanto.
Pois filhos são a luz que a vida nos empresta,enquanto a ausência a alma enternece.
O amor de uma vida que terão como herança.
"Educar um filho não é prendê-lo dentro de casa como se ele vivesse dentro de um convento. Aprenda a deixar a criança ser criança, o adolescente ser adolescente e deixe o adulto tomar decisões e ter atitudes de adulto."
"Reflexões". Resende, 07 de Janeiro de 2016.
Há um anjo em minha vida
que está sempre comigo
Vive em minha casa
e é mais que amigo
Enviado por DEUS
guia a Sua Luz
ilumina meus passos
na escuridão me conduz
Amigo e presente
alegra meu ser
É música festiva
que me ensina a viver
Meu anjo de Luz
Companheiro de estrada
Segura a minha mão
nessa caminhada.
Limpar a própria casa, cozinhar
e realizar os afazeres cotidianos,
é uma terapia, além de colaborar
com a família, proporciona maior
capacitação e independência.
O ser humano é uma casa de hóspedes
onde todas as manhãs há uma nova chegada.
Uma alegria, uma depressão, uma mesquinharia,
uma percepção momentânea chega,
como visitantes inesperados.
Receba e entretenha a todos!
Mesmo que seja uma multidão de tristezas,
que varre violentamente sua casa
e a esvazia de toda a mobília,
ainda assim trate seus hóspedes honradamente.
Eles podem estar limpando você
para a chegada de um novo deleite.
O pensamento escuro, a vergonha, a malícia,
receba-os sorrindo à porta, e convide-os a entrar.
Seja grato a quem vier
porque todos foram enviados
como guias do além.
Rumi
Volte para casa.
Volte para casa e grite comigo.
Volte para a casa e brigue comigo.
Volte para casa e quebre meu coração, se for preciso.
Apenas volte para casa.
A cada dia que passa penso mais em você. Nem sei quanto você paga de aluguel na sua casa, mas, se quiser, pode se mudar para os meus pensamentos. Além de ser de graça, você já vive lá mesmo…
" O caráter de um filho é moldado naquilo que ele vê dentro de casa, e o mesmo passa a reproduzir o que vê"
Não vale a pena enfrentar o mundo por quem não merece nem a calçada da sua casa... Se ame, se goste, se queira bem; seja você o número 1 da sua vida!
Destino incerto
Uma casa perdida na floresta escondida pela sombra das grandes árvores,
a chaminé acesa dando a posição do nada no meio sereno da solidão,
entre as belezas e as dúvidas do silêncio o charme do barulho do pequeno rio e dos pássaros chamavam a atenção,
escurece lá fora, a lenha queima, o cheiro de chá forte é percebido e comentado pô os animais uivantes,
o frio da selva noturna chega acompanhado da saudade e pedem para se sentar,
mesmo sem plateia as lembranças de um passado próximo começam a dar um show,
olhar parado no tempo, lágrimas secadas pelos ventos, surra bem dada pelos sentimentos, a necessidade e a dor dançando juntas ao relento,
fogueira baixa, chaminé acesa, porta fechada, uma decisão é tomada,
ao amanhecer, mochila nas costas, muitas incertezas, porém muita coragem para caminhar na estrada sem destino.
Minha casa virou o museu de uma poesia que não mora mais aqui.
A solidão é o único móvel que não consigo tirar do lugar,
uma dor sólida, que tem quinas e me corta no escuro.
Entre o crachá esquecido e a saudade de Itaipuaçu,
descobri que o invasor, trancou a porta por dentro...
E eu tive que quebrá-la. O barulho da madeira partindo
foi o som do meu último refúgio desmoronando.
Agora, nem trancar eu posso mais estou exposto ao mundo,
com as mãos feridas e a alma do avesso.
Lembre de levar seus pertences, Carla.
Eu perdi a chave, a porta e, por um instante, a mim mesmo.
DeBrunoParaCarla
Tô aqui no meio dessa nhaca olhando para a sacada e para o resto dessa casa que parece que desaprendeu a ser lar. Se você visse, ia querer me esganar. Aquelas plantas que você cuidava com um zelo danado... bom, o que a minha secura não matou, os gatos deram um jeito de terminar o serviço. Virou um cenário de guerra: os vasos cheios de gravetos esturricados e os cinco, numa espécie de motim de fome ou de tédio, mastigaram até o que já tava morto. Tem terra espalhada pelo piso, um rastro de desolação que os bichos fizeram questão de esfregar na minha cara.
E o sofá, Carla? Aquele que a gente escolheu junto agora é um trapo. Os gatos fizeram dele um alvo, rasgaram o estofado até a espuma aparecer, como se estivessem tentando encontrar você ali dentro. Eu olho para o estrago e não tenho força nem para dar um esporro. Sou esse nó cego que fica assistindo o mundo desmoronar da poltrona, com a roupa coberta de pelo aquela camada cinza que não sai nem com escova e que me faz parecer tão bicho quanto eles.
DeBrunoParaCarla
Dizem que os olhos são a janela da alma, mas os seus são o meu único conceito de casa. É neles que eu li, sem pressa, todas as entrelinhas daquilo que a sua boca nunca teve coragem de dizer. Olhar para você é como ver o mar pela primeira vez, uma imensidão que me assusta, mas que me convida a mergulhar sem fôlego.
DeBrunoParaCarla
Te amar é como decorar o caminho de casa no escuro, eu tropeço nos meus medos, mas os meus pés já sabem exatamente onde você mora.
DeBrunoParaCarla
ANJO SEM ASAS DORMIU EM MINHA CASA.
Um anjo sem asas dormiu em minha casa.
Não trouxe claridade. Trouxe consciência.
Entrou como entra a ideia amarga que não pede licença.
Sentou-se no chão frio da sala antiga e ali permaneceu, como se o próprio existir fosse um fardo demasiado grave para qualquer criatura alada.
Não possuía asas porque compreendera o peso da Vontade que governa os seres.
Essa força obscura que impele ao desejo incessante.
Que promete satisfação e entrega apenas breves suspensões do sofrer.
Ele sabia.
E por saber, tornara-se grave.
Dormiu encostado à parede onde a tinta descasca como a esperança quando se descobre ilusória.
Seu rosto tinha a palidez das madrugadas em que o pensamento não encontra repouso.
Era belo como um lamento.
A casa inteira silenciou-se.
O relógio pareceu envergonhar-se de contar o tempo.
As sombras alongaram-se como espectros convocados por uma consciência demasiado lúcida.
Aproximei-me dele.
Seu sono não era descanso. Era desistência temporária do combate interior.
Respirava como quem tolera a própria existência.
Compreendi então que toda alegria é negativa.
Não é presença de algo. É apenas ausência momentânea da dor.
Um intervalo microscópico entre duas inquietações.
O anjo, ainda que adormecido, ensinava-me sem palavras.
Mostrava que o querer é a raiz da inquietude.
Que desejar é cavar abismos sob os próprios pés.
E que o mundo não foi feito para satisfazer, mas para reiterar a falta.
No entanto havia ternura em sua decadência.
Uma ternura trágica e quase litúrgica.
Como se dissesse que, apesar do absurdo, resta a compaixão.
Não a compaixão sentimental.
Mas a que nasce do reconhecimento de que todos somos arrastados pela mesma força cega.
Sofremos não por exceção, mas por estrutura.
Na madrugada mais densa, toquei-lhe os cabelos.
E senti que o verdadeiro voo não é subir aos céus.
É calar o querer.
É diminuir a tirania dos impulsos.
Quando o dia insinuou-se pelas frestas da janela, ele já não estava.
Não deixou perfume nem luz.
Deixou lucidez.
Desde então minha casa tornou-se uma espécie de cripta interior.
E toda vez que a solidão pesa como chumbo na alma, recordo que um anjo sem asas dormiu aqui.
Ele não veio salvar-me.
Veio ensinar-me que a consciência é o mais lúgubre dos dons.
E que amar, neste mundo, é aceitar o outro como companheiro de um sofrimento que não escolhemos, mas que nos constitui.
Se desejares, posso aprofundar ainda mais a atmosfera fúnebre ou conduzi-la a um desfecho metafísico de resignação.
