Saudade de Casa
O escritor não precisa saber fazer nada igual ao trabalhador. Ele já fáz tudo diferente que o trabalhador não sabe fazer por não ser um pensador.
Nunca é tarde para um talento ser reconhecido se desde cedo ele for provado e mostrado através do que se deixa escrito.
O escritor é dono do seu próprio mundo e, como tal, vive num mundo à parte, diferente e bem distante do mundo de todo mundo.
A mulher é para ser por todos nós respeitada, idolatrada, admirada, cortejada e endeusada. E não por todos os homens criticada, menosprezada, ridicularizada e rebaixada.
A voz de um escritor nunca vão calar, por que, mesmo se o matar, as palavras dele para sempre vão ficar.
Ignorar qualquer tipo de preconceito é ser livre para viver em qualquer lugar como se fosse a sua casa.
Quando alguém pergunta: "...porque você não para em casa?" Deveria também perguntar-se o que tem feito para tornar sua companhia desejável.
Eu me apaixono tanto, sempre acabo me deparando com pessoas maravilhosas, as quais vivo me dizendo o quão maravilhoso seria me entregar à eles, o quanto me fazem bem, mas por fim, acabo sempre em casa trancada no meu quarto apertando o travesseiro desesperadamente, ou chorando em baixo do chuveiro sentindo falta de algo que eu posso ter, mas que não vem da pessoa que eu possa ter.
Em dias onde a intolerância só aumenta, gentileza é artigo de segurança.. Jamais saia de casa sem ela!
Calcanhares
Lentamente os calcanhares tomavam o corpo de assalto, voltando os passos dados, como uma tentativa de retroceder no tempo. Em vão, assim como o olhar lançado ao espaço vazio, cortando os sentimentos confundidos, em alguns momentos parecia ser amor e em outros parecia apenas mais uma noite de solidão.
Não havia a possibilidade de um dialogo por menor que fosse a vontade, pois as palavras não faziam qualquer questão de confortar. Era apenas alguém, um objeto, como tantos outros, que ali se deitaram na esperança de esquentar um corpo, preencher um coração, fingir uma emoção.
Crônicas absurdas lidas ao avesso, mais parecidas com notas musicais tortas, para combinar com a imperfeição dos corpos e todos os defeitos que se tentavam esconder, mesmo com o apagar das luzes, o escuro consegue enganar os olhos, mas não consegue confundir a mente.
Não há roupa ou maquiagem suficiente, para tapar tantos prazeres que a carne, mesmo a boca dizendo não, insiste em se entregar. Pode ser um alguém, pode ter um nome ou ser dono de um sorriso, logo abandonado, logo esquecido e quando acaba a sede, por momentos se mostra triste.
Olha as paredes, observa o teto, faz criticas pela falta de organização, pela falta de bom gosto na decoração. Fala e revela para si mesmo que aquela é a única vez, a ultima tentativa de ser mais individuo vazio.
Pensa em alguma desculpa, sem a necessidade de ser convincente, apenas como rota de fuga ou ponto final. Imagina uma boa cerveja gelada esperando por você. Não se importa em saber que não haverá próxima vez.
Essa é a vida, são assim que as escolhas ditas banais são feitas, parecendo filmes com roteiros programados. Ouve um sussurro ao fundo, mesmo tentando ignorar, responde com a voz calma, para não entregar... Vai fechar a porta, não vai ligar e se o acaso ajudar, será apenas um pecado a mais para perdoar.
