Saudade de Alguém que Partiu Faleceu
Sinais do Silêncio
Ele, também poderia se retratar – entrar em contato, dizer que a saudade consumiu os seus dias. Que o seu corpo sentiu a mesma intensidade que o meu. Dizer que tudo não passou de um mal-entendido, explicar as suas razões, de ter sumido, talvez deixar clara a situação.
Desmontar toda essa confusão e revelar o que se passa dentro do seu coração. Esses mal-entendidos poderiam ser esclarecidos. Eu poderia tentar entendê-lo. Mostrar que tudo o que se passou foi intenso, sublime. Mostrar que fui importante.
Entendo que talvez o sentimento seja apenas de minha parte. Mas então, porque há invasão em meus pensamentos? Invasão em meus dias ternos e serenos? Tudo vira uma revolução, uma guerra interior, quando, sem permissão, ele vem - sem ser convidado.
Há pendências batendo à porta. Esse estranho caminho que me conduz por encruzilhadas desconhecidas, me mantém em alerta.
Os sinais que a vida dá são claros. Dizem tudo o que eu preciso saber. Mostram caminhos.
Rita Padoin
Escritora
A realidade é um espelho,
e nele eu me vi inteiro:
você desconta em mim
a saudade que sente dele.
Eu detesto esse instante
em que seu olhar atravessa o meu
procurando outro rosto.
Acho que sou remédio
para tua memória.
Você me toma quando a falta aperta,
mas não é a mim que você quer curar.
(Saul Beleza)
Quando dá essa saudade dele,
ocê lembra de tudo, tintim por tintim.
Lembra onde foram,
o que beberam,
o que comeram,
até a data na ponta da língua.
Cada detalhezinho vivo na tua boca.
E sempre me dizia,
com essa cara de saudade enrustida,
que num foi nada importante.
Se num foi nada,
por que ocê guarda tudo
e se esquece de quem está ao teu lado?
(Saul Beleza)
É impressionante a falta de educação dessa tal de saudade. Aparece sem avisar, fica tempo demais e quando vai embora insiste em deixar tudo bagunçado.
Ame e honre a sua mãe enquanto ainda a tem, pois saudade nenhuma será motivo suficiente para trazê-la de volta.
Sempre que a saudade desiste de fingir costume e me abraça um pouco mais apertado, o que me consola é a gratidão e a certeza do azar de ter tido tanta sorte.
Que o Senhor da Vida liberte os que trilham as Estradas da Saudade calçados com as Sandálias do Remorso!
Amém!
Que o Senhor da Vida liberte os que trilham as Estradas da Saudade calçados com as Sandálias do Remorso!
Amém!
Liberta, Senhor!
Arrebentai as Sandálias do Remorso de todos que revisitam as lembranças dos que partiram antes de nós!
Saudades, sim — Tristeza, não!
Amém!?!
Porque a Saudade, por si só, já é estrada longa o bastante — feita de Memórias, Silêncios e Ausências que aprendem a conversar conosco.
Mas há quem caminhe por ela ferindo os próprios pés, calçado com as sandálias do arrependimento.
São passos, às vezes, demasiadamente pesados, que machucam o coração a cada lembrança do que não foi dito, do abraço adiado, da reconciliação interrompida...
No entanto, a verdadeira cura começa quando entendemos que o amor não termina com a partida — apenas muda de endereço.
E quem parte não deseja nos ver presos ao que faltou, mas gratos pelo que foi vivido.
Descalçar o remorso é um gesto sagrado: é permitir que a saudade volte a ser caminho de amor e não de castigo.
Que possamos, então, revisitar nossas lembranças com a graça de quem sabe que o perdão é o único calçado capaz de levar a alma em paz, sobretudo pelas estradas pavimentadas pela Saudade.
Amém!
Saudade dos bons e velhos tempos em que quase todos queriam — e se atreviam — a ser diferentes uns dos outros.
Havia uma coragem deveras silenciosa em não caber nos moldes.
As pessoas ousavam ter opiniões impopulares, gostos estranhos, sonhos improváveis.
Erravam com a própria assinatura.
Discordavam sem medo e sem culpa — olhando nos olhos.
Não precisavam de plateia para existir, nem de aplausos para sustentar suas convicções.
E muito menos subir o tom para tentar sustentar uma ideia.
Hoje, a pressa por pertencimento parece ter substituído o desejo de identidade.
A originalidade virou risco; a repetição, estratégia.
Ser diferente, que antes era um ato quase instintivo de afirmação, passou a ser cuidadosamente calculado para não desagradar o rebanho — ainda que cada um jure ser pastor de si mesmo.
Talvez o medo de ficar só tenha nos ensinado a falar em coro.
Talvez a avalanche de vitrines e vozes tenha nos convencido de que é mais seguro ecoar do que criar.
Mas há um preço muito alto nessa homogeneização voluntária: quando todos repetem, ninguém realmente diz; quando todos performam, poucos vivem.
Sentir saudade daquele tempo é, no fundo, sentir saudade de uma liberdade mais bruta, menos polida e menos aprovada.
Uma liberdade que permitia ser estranho sem ter que pedir desculpas.
Que entendia que a verdadeira diversidade não nasce de discursos ensaiados, mas da coragem nua e crua de sustentar a própria diferença.
Porque, no fim, não há nada mais semelhante do que pessoas tentando, desesperadamente, parecer iguais.
Os que sacrificam demais o presente para viver o futuro, chegam nele com saudade da saúde que não aproveitaram no passado.
Quem negligencia o presente para viver o futuro costuma acreditar que está fazendo um investimento muito seguro.
Troca horas de sono por promessas, adia encontros por metas, empurra o cuidado com o corpo para depois da próxima conquista.
Vivem como se a vida fosse um rascunho — como se o agora fosse apenas um corredor apertado que precisa ser atravessado às pressas para, enfim, chegar ao grande salão do “um dia”.
Mas o futuro tem um hábito curioso: ele chega.
E quando chega, não traz de volta as madrugadas mal dormidas, as refeições engolidas às pressas, os abraços adiados, os sinais ignorados do próprio corpo.
Ele chega cobrando juros silenciosos — nas dores crônicas, no cansaço que não passa, na energia que já não acompanha os sonhos.
Há uma ironia delicada nisso tudo: trabalhamos para garantir dias melhores e, no processo, entregamos os dias que já eram bons.
Buscamos segurança e acumulamos ausência.
Queremos estabilidade e perdemos vitalidade.
E quando finalmente alcançamos o futuro tão esperado, às vezes ele nos encontra com a saúde fragilizada, e uma saudade imensa do tempo em que podíamos ter vivido com mais equilíbrio.
O presente não é inimigo do futuro.
Ele é a matéria-prima dele.
É no agora que o corpo se fortalece ou se desgasta, que a mente respira ou se sobrecarrega, que a alma floresce ou se cala.
Não há amanhã saudável construído sobre um hoje negligenciado.
Talvez a sabedoria não seja abandonar os planos, mas aprender a não se abandonar enquanto os constrói.
Porque sucesso algum compensa o arrependimento de ter tratado a própria saúde como algo descartável.
E não há futuro tão próspero que substitua o privilégio de estar inteiro — física, mental e espiritualmente — na única linha do tempo que realmente nos pertence: o agora.
O melhor dia para se viver é hoje.
Sempre que a Saudade desiste de fingir costume e me abraça um pouquinho mais apertado, o que me consola é a gratidão pelo Azar de ter tido tanta Sorte.
Porque existe uma espécie de ironia muito bonita em ter vivido coisas tão boas a ponto de sentir falta delas.
É como se a vida, depois de nos presentear com pessoas, lugares, abraços e instantes que pareciam pequenos demais para merecer tanta importância, nos cobrasse, em parcelas de saudade, o privilégio de ter estado ali.
E talvez seja esse o preço mais delicado de ser feliz: descobrir, mais tarde, que alguns dos nossos momentos preferidos estavam acontecendo sem que soubéssemos que um dia seriam só lembranças.
A gente não percebe o último abraço enquanto abraça, não floreia a última conversa enquanto conversa, não se despede de certos dias porque acredita, ingenuamente, que haverá outros iguais.
E ainda bem que é assim.
Seria triste demais viver cada instante com medo de perdê-lo.
O tempo tem essa estranha mania de transformar o cotidiano em relíquia.
Aquela mesa cheia de gente, a risada que interrompia qualquer assunto sério, a voz familiar chamando nosso nome, o caminho de sempre, a presença que dispensava explicações…
Tudo isso, um dia, pode virar um lugar dentro da gente onde só a memória consegue entrar.
É aí que a saudade aperta.
Não necessariamente porque a vida deixou de ser bonita, mas porque algumas belezas não se repetem da mesma maneira.
Há pessoas que continuam existindo em nós, mesmo quando já não caminham ao nosso lado.
Há versões nossas que ficaram guardadas em épocas que não voltam.
Há felicidades que não podem ser revividas, apenas reconhecidas, com um sorriso tímido e os olhos ligeiramente marejados, quando alguma lembrança resolve meter o pé na porta.
E, nessas horas, tento não tratar a saudade como uma inimiga.
Afinal, ela não chega de mãos vazias: traz consigo as provas de que alguma coisa valeu a pena.
Se dói, é porque tocou fundo.
Se faz falta, é porque fez morada.
Se ainda emociona, é porque o tempo, apesar de tudo o que leva, não conseguiu apagar a importância do que ficou.
Por isso, quando a Saudade me abraça mais forte, eu agradeço.
Agradeço até pelo desconforto de sentir falta, porque ele me lembra que nem tudo foi passageiro no sentido de ser insignificante.
Algumas coisas passaram pela minha vida e permaneceram em mim.
E talvez permanecer seja uma forma silenciosa de eternidade.
No fim das contas, tive o azar de conhecer a ausência, de experimentar despedidas, de entender que nem tudo o que amo poderei conservar por perto.
Mas tive a sorte imensa de encontrar motivos para sentir tudo isso.
Tive gente que fez a vida valer a pena, momentos que me ensinaram o significado de estar vivo e histórias que, mesmo encerradas, continuam iluminando partes de mim.
E, se pudesse escolher, talvez não pedisse uma vida sem Saudade.
Pediria apenas sabedoria para acolhê-la sem deixar que ela me roube o presente.
Porque honrar o que passou não significa morar no passado; significa levar adiante, com carinho, aquilo que o passado deixou de melhor em nós.
Que eu nunca me torne tão acostumado às ausências a ponto de esquecer a beleza das presenças.
Que eu nunca deixe de agradecer pelo que vivi só porque já não posso viver da mesma forma.
E que, mesmo nos dias em que a memória pesar mais do que o coração consegue suportar, eu me lembre de que há tristezas que são, também, uma espécie de privilégio.
Afinal, entre nunca ter vivido algo extraordinário e sentir saudade de algo que foi extraordinário, eu ainda escolheria a sorte de ter vivido.
Porque algumas perdas são o avesso de grandes encontros.
Algumas lágrimas são a continuação de antigas alegrias.
E algumas Saudades, por mais que apertem, são apenas o coração dizendo, à sua maneira imperfeita e sincera:
“Olha só o quanto a vida foi generosa comigo, mesmo que agora eu precise aprender a viver sem algumas das coisas que me fizeram tão feliz.”
' DOR DE SAUDADE '
Sem você a noite é fria
A saudade é uma dor que dilacera
No meu peito arde e espera
Quem sabe, um dia você voltará.
Só conhece a dor da saudade
O coração que chora em silêncio
De tanto tanto amar !
Contemplo a lua, as estrelas...
E cada vez tenho mais certeza
Desse grande amor sem fim
O tanto que te desejo,
Aqui pertinho de mim.
É Então que minh'alma voa
Voa longe pensando em ti.
Seja noite, seja dia
Estás sempre em minha mente
Mesmo que não esteja presente
Logo meus lábios sente
O gosto de seus beijos
Impregnando-me de amor
Como uma abelha que beija a flor !
Então me dou conta de como a
Saudade doi sem você aqui,
Nesse anseio chego a sentir seu calor,
Mas nada é tão difícil
ou impossível
Que não possa viver novamente
Contigo esse nosso amor!
Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a lei - 9.610/98
Sou viajante na estrada da saudade,
sou um excluído do reino da paixão.
Plantei amor, mas colhi ingratidão.
Já não importa se chego cedo ou tarde.
Tento esquecer a minha realidade,
ouvindo aquelas baladas do passado.
Da multidão eu tenho me afastado.
Estou cansado até mesmo para falar.
Já não tenho interesse em agradar
e ignorando, pois fui ignorado...
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