Sacrifício
Já é claramente inevitável, chegou o seu momento de seguir em frente, a chance de dar continuidade a sua própria história, a grande oportunidade de um recomeço, mesmo que pra isso, precise começar do zero, por mais que o ame, que o queira por perto.
Pois o amor que sente por si mesma é maior, o Reflexo do seu mundo, de tudo que é importante pra ela e se fosse diferente, seria um absurdo, injusto com a sua essencialidade, com o seu amadurecimento, seguindo para sua melhor fase, a do seu libertamento.
Um ato de bondade consigo, um reencontro que não têm preço, que vale muito o sacrifício, proporcionando um momento marcante e deleitável como um batom vermelho e os beijos demorados, intensos, um amor próprio admirável.
Então, não pode perder mais tempo, graças a Deus pôde perceber que começar do zero é recomeçar e não um retrocesso, que às vezes é imprescindível, que não é possível amar os outros sem se amar primeiro e que o amor precisa ser correspondido e tratado com zelo.
As dores da existência testificam a própria existência. Pois aquele que está em eterna paz, conforto e nenhuma forma de sacrifícios, não mais existe. Agradeça as suas dores, lutando para ameniza-las, não para extingui-las como quem deseja a falta do existir.
Vivo em eterna reflexão do julgamento à si próprio, para tentar melhor julgar aos outros. Já fui injustiçado, já causei injustiça e sinto-me injustiçado constantemente, mas nem por isso eu busco a justiça com a injustiça que recebo. Agora é um dia propício à esta reflexão, onde se diz "está escrito" que "o bem venceu o mal" sem mal causar, sem revidar, sem ao menos desejar aos outros o mesmo mal assim recebido.
Eu, condicionado a me defender, a sobreviver à todo o mal à eu direcionado, preso à este "jarro" frágil e cheio de limites, buscando essa eternidade "prometida" e pensado o fim deste "jarro" como o fim de todas as grandes possibilidades para bem lutar, bem fazer e assim justificar a eu mesmo, sempre foi quase que impossível nada fazer.
Já corri de muitos males, corri para não apanhar, corri para não morrer, me escondi do mal a me perseguir. Banhado de verdade já calei-me para a mentira, mas nunca, nunca consegui fazer como Ele fez, entregar-me sem realmente nada fazer, ainda que para muito, para muitos e muitas situações eu já fiz e ainda faço assim, exatamente nada, apenas confiando, mantendo as esperanças e a fé de um dia ser recompensado.
Ser perfeito nas condições em que me encontro é impossível. O mal sabe disso e apesar de também saber que não vou desistir, insiste em tentar me ganhar, ainda que saiba não me vencerá e isso tudo apenas para tornar essa de muitas outras de minhas jornadas exatamente assim, um sacrifício a ser vencido, a ser superado.
NOITES INVERNAIS
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Vejo sobras de comida na mesa
De quem não conhece a fome
E espaços vazios na despensa
De quem há tempos não come
Vejo também cobertores
Largados criando bolores
Sem uso nas noites invernais
Enquanto pessoas nas ruas
Apagam a luz da Lua
E se cobrem com jornais.
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Para um lado da balança subir
O outro precisa descer
Para a primavera florir
O inverno precisa ceder
E para alguém ter milhões
É necessário que multidões
Vivam em total miséria
Então talvez o ideal
Para haver justiça social
Seja um País de classe média.
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Não alimento a ilusão
De ter um País só de ricos
Porque sempre haverá distinção
Entre todos os indivíduos
Mas o que espero ver
É uma sociedade em que
Todos tenham acesso irrestrito
A tudo que alguém precisa
Para considerar a vida
Uma dádiva e não um castigo.
"Não se mata quem está morto. Assim como não se derruba aquele que anda prostrado à Deus."
—By Coelhinha
